A VIDA VIVIDA
Eu tinha dúvidas se Ademar de Gasperi havia jogado no JUVENIL pois não lembrava de tê-lo visto “dentro” do ônibus. Pelo sim, pelo não, eu disse que sim, porém, na verdade ele jogou e era craque do VASCO DA GAMA, forte equipe amadora da cidade alta, território dos DE GASPERI. O futebol amador de Bento, na cidade, era muito forte, o campeonato fitadino era muito competitivo e revelador de craques. No Botafogo, tinha o Botafogo, no São Francisco tinha o América, no Maria Goretti tinha o Fluminense, no Juventude tinha o Juventude, no Centro tinha o Juvenil, no bairro São Roque tinha o Serrano, no São Bento tinha o São Bento. Vejam a grandeza. Clube São Francisco, na área social, e América, no futebol, eram fortes no bairro e, de certa forma, rivais. Depois de longas negociações fizeram a fusão e brotou o São Francisco-América com a expressão maior do MARANGON, no futebol, e LUIZ ROMANO DORIGON no São Francisco. O patrimônio hoje é invejável, o SUSFA foi eleito, por vários anos, o melhor clube do interior do estado. No BOTAFOGO, o clube simbolizou a perfeita fusão entre o esporte e a área social, o patrimônio também é invejável. O Juventude, que reuniu em torno de si, Gilberto Tim, Renato Gaúcho, Kide, naufragou no futebol, restou apenas a sede social, hoje um tanto desativada. O VASQUINHO, como era chamado, tinha uma sede social alugada, assim como o Fluminense, atrelado a Fasolo, que revelou o craque HERVEI e que tinha campo, sumiram, ficaram preciosas recordações e fotos que, a exemplo dos vestidos das Imperatrizes e Damas das Fenavinhos, estão “espalhados por aí”. Quantas emoções vividas nos campos de jogo, nos salões de baile, nas comemorações de conquistas e aniversários. Naquele porão, na casa em frente a ISABELA, em seu princípio, participei de inúmeras comemorações, quanta fraternidade brotou ali. E no SUSFA, do Dorigon, quantos momentos de divindade, imorredouros. O esporte formata os jovens para o bem, integra, desenvolve o espírito de liderança e a luta pelos ideais. Foi intenso no passado, assume certo dinamismo hoje na figura de Eduardo Veríssimo.
JOGOS DA PRIMAVERA
No Segundo Grau eu estudei, de manhã, na Escola de Enologia para ser Enólogo, como sou, atividade que desenvolvo hoje, só degustando vinhos. À noite, cursei a ESCOLA MODELO do Colégio Aparecida, para ser Técnico em Contabilidade, cheguei a exercer a profissão de forma intensa, cuidando da contabilidade de 3 empresas. Pela ESCOLA DE ENOLOGIA, fui bi ou tri campeão de vôlei, bi no futebol de salão e campeão no ping pong, embora tenha jogado mais no ping (balãonzinhos) do que no pong (foguetes), nos JOGOS DA PRIMAVERA. Os JOGOS DA PRIMAVERA eram intensos, aguardados o ano inteiro e presenciados por milhares de estudantes. Deveriam ser reeditados pela Municipalidade. Ganhar do APARECIDA e do COLÉGIO ESTADUAL não era fácil, mas, sob o comando do professor AIMO, superamos tudo e fomos para o pódio. Antes disso, ao estudar no Colégio Estadual, hoje Mestre, participei de APRESENTAÇÃO dos alunos de jogos olímpicos, geridos pelo professor RAIMUNDO que, assim como o AIMO, era um GRANDE, adepto da filosofia do “se você quer, você consegue”. Bem, ao participar, na hora de fazer salto mortal por cima do “CAVALO”, eu passava por baixo dele, eu fui muito bom nisso, em divertir o público presente, não menos de 1.500 pessoas no imenso pátio do Colégio. Os acrobatas eram o Fausto e o Renato Michelin, o Beto Valduga, eu ficava na minha e pensando “a elite trata o cavalo diferente”, he, he, he! No Clube Aliança, “o mesmo banco, a mesma praça, a mesma turma”. Quando, no inicio da noite, nos reuníamos, todos sentados na frente da entrada do Clube, analisávamos os acontecimentos comunitários e tudo levava a um “laboratório de ideias”. A abertura da temporada das piscinas do Clube era um grande acontecimento e tradicional, hoje revivido. Alguém da turma falou “a Sogipa vai fazer um show de AQUALOCOS” na abertura da temporada, porque não fazemos a nossa equipe e nos apresentamos como “PRELIMINAR”? “Você quer, você pode”! E assim se fez, Fausto, Beto, Renato, todos faziam saltos mortais, acrobacias. A minha tarefa era simples, pois tinha deixado claro que eu gostava de AQUA, mas não era LOCO. Na apresentação eu ocupei a ponta de trampolim (o mais baixo) e, depois de bancar o Mr. Bean caminhando até a ponta eu sentei. Aí eu imitei o CARLITOS (ator) perguntando ao público: pulo? Não pulo? E a turma gritava “pula, pula” e eu faz sinal com as mãos e careta com o rosto dei a entender que era perigoso e não ia pular. De repente eu mergulhei, de pé com uma das mãos fechando o nariz e a outra os olhos. Ao sair das profundezas eu abanei para o público em meia a ruidosos aplausos e pensando: “EU ME AMO”!
OS CONCURSOS
Pelo COLÉGIO APARECIDA eu participei de dois concursos municipais, um de oratória e outro de poesia. No de oratória defendi a BRASÍLIA de JUSCELINO e levei uma vaia que durou uma eternidade, vinda das mais de 1.500 pessoas que ocupavam o Salão Nobre da Prefeitura e fora dele onde estavam instalados poderosos alto falantes. GANHEI O CONCURSO, não pelo tema, mas pela minha CONVICÇÃO, VEEMÊNCIA e TÉCNICA DE APRESENTAÇÃO que superou os concorrentes. No CONCURSO DE DECLAMADORES, no Clube Aliança, no seu salão de festas completamente lotado com as pessoas, estudantes e familiares, de pé e apinhadas, declamei, acompanhado ao piano pelo Daltro de Abreu, que era da turma, uma poesia em homenagem a MÃE MORTA. Tudo ia indo muito bem eu declamando em torno do simbólico caixão da mãe morta, só tinha uma coisa me perturbando, o silêncio era sepulcral e eu conseguia ouvir uma mosca voando “VESTINDO A CAMISA DO GRÊMIO” (brincadeira!) Em certo momento EU ESQUECI A POESIA! Ai então o que foi que eu fiz? Com a técnica desenvolvida a partir dos ensinamentos de BARRACÃOCITY, comecei a caminhar em torno do caixão e, falando “mãe, não, não, não vou suportar tua ausência”! Ao passar ao lado do DALTRO eu sussurrei “aguenta aí que eu esqueci a poesia”! A cada gesto meu e palavra, ele no piano tocava “tá, tá, tá, tá”! Deve ter ajudado pois quando eu estava indo até o microfone para dizer “sinto muito, esqueci da benedeta”, ao chegar lá, bem na frente do palco olhando para os jurados, a lembrança voltou. Dei uma rápida meia volta e bradei “mãe!”. Fazendo um sinal de positivo para o Daltro que, ainda bem, não tocou “la bela polenta” continuando com o fundo musical. Quando terminei, eu havia convencido os jurados e o público que a encenação durante o esquecimento era parte integrante da poesia e interpretação. Em meio a intensos aplausos e vendo os jurados de pé eu pensei “EU SOU BOM”! GANHEI O CONCURSO. Esses concursos foram, para mim, um ESPORTE INTELECTUAL, COM A CAPACIDADE DE CRIATIVIDADE E SUPERAÇÃO ATINGINDO SUA PLENITUDE.
KM ARRANCADA
Em tempos de CARRETERAS, programadas em estradas e em centros de cidades, o Vanius Michelin, da revenda Ford, e o Valdir Melatti, revendedor de automóveis programaram duas corridas de KM ARRANCADO. O VANIUS promoveu uma lá no Barracão, da ponte até a entrada para Pinto Bandeira. Levantava uma “polvadera” que só vendo, tinha pouco público, só CORREDORES. O MELATTI organizou uma na Osvaldo Aranha. Saia da atual Estação Rodoviária e a chegada era no Posto Petrobrás. Me inscrevi, o DKW do meu pai era top, com ele fui até Punta Del Este, com o porta malas cheio de óleo para por no motor junto com o combustível, e as malas foram no assento traseiro. Carro limpinho, polido, pneus com pretinho, lá fui eu competir, saída em duplas quem chegava depois era desclassificado. Quando eu fui dar partida no carro, o meu concorrente já tinha cruzado a chegada. Eu tive pena do carro do meu pai, aí resolvi passear pela avenida, abanando para a multidão, tinha umas 3 mil pessoas na Osvaldo Aranha. Olhando a coisa pelo lado bom se tu inverter a ordem de chegada, eu fui o primeiro e ninguém foi mais aplaudido do que eu, penso que fui o mais, mas o que importa, O IMPORTANTE ERA COMPETIR!
FIM DO CICLO
Dos 12 aos 17 anos “deitei e rolei” com meu pai me condicionando e assistindo: “vai cursar datilografia é importante para conseguir emprego”, ele dizia. Um pouco mais adiante, nos meus 17 anos ele falou: “vai fazer o curso de piloto porque assim tu não vai servir no exército e deixar de trabalhar”. E lá fui eu me inscrever no CURSO DE PILOTO do AEROCLUBE, ser piloto mudou a configuração de minha vida pois, de certa forma, TROQUEI PARTE DO MEU LAZER NA TERRA POR LAZER NAS NUVENS, com capítulos memoráveis, no entanto, não sem antes servir no exército por 47 dias. Nas próximas colunas a minha VIDA VIVIDA dos 18 aos 22 anos.