Bento Gonçalves não é o foco, mas muitas cidades sofrem o caos instalado no trânsito diariamente, com quilômetros e horas de congestionamento. Nos dias chuvosos, então, os problemas se tornam ainda maiores. Por consequência, de pequenas batidas a grandes engavetamentos, danos materiais, feridos e mortes são registradas a todo momento, em todo o país.

Um problema maior ainda decorre da raiva que atinge os envolvidos que, muitas vezes, não conseguem controlá-la, seja por ter provocado o acidente ou por ter sido vítima de um fato tão comum nas ruas e estradas do país. Pior ainda quando um dos condutores anda armado e, não conseguindo manter controle, acaba por cometer o crime do homicídio, atrelado à discussão no trânsito.

Em 2019, no Brasil, foram registradas pelo menos 39 mortes por homicídio ligadas a acidentes. Já no ano de 2020, um dos casos que teve repercussão nacional ocorreu no fim de janeiro, em Porto Alegre. Um simples abalroamento acabou com uma família, após um triplo assassinato – Rafael Zanetti Silva, 46, a esposa dele, Fabiana da Silveira Innocente Silva, 44, e o filho do casal, Gabriel da Silveira Innocente Silva, 20, presenciado por uma criança de oito anos, filho do casal, e a nora, de 18, que sobreviveram a tragédia.

Uma avaria quase imperceptível acabou destruindo uma família em Porto Alegre

O autor dos disparos, que foi preso em 28 de janeiro, utilizou uma pistola 9mm para desferi-los contra a família. Ele não tinha autorização para utilizar o armamento.

Conforme o coordenador de Políticas Públicas para o Trânsito da Secretaria Municipal de Segurança, Thiago Israel Fabris, em Bento Gonçalves dificilmente ocorrem problemas de brigas entre condutores. “São situações pontuais, mas nada grave”, diz.

Fabris credita isto, entre outras coisas, ao trabalho realizado nas escolas do município desde cedo, enfatizando a importância de obedecer às regras, e de pensar que, assim como em todos os lugares, no trânsito, também não estamos sozinhos. “Buscamos orientar as crianças para que sejam multiplicadoras para pais e familiares sobre a importância de um trânsito seguro”, afirma.

No Município, também, não há registro de desacato contra Agentes de Trânsito em acidentes. “Essas situações ocorrem em operações da Balada Segura, quando motoristas apresentam sinais e sintomas de embriaguez e acabam agredindo física ou verbalmente os agentes públicos. De qualquer forma, sempre tentamos contornar a situação no local, acalmando o condutor e explicando a ele seus direitos e deveres. Quando isso não é o suficiente, devemos seguir os procedimentos padrões a serem tomados que é o registro do Boletim de Ocorrência (BO) na Delegacia de Polícia”, finaliza.

O delegado titular da Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA), Arthur Hermes Reguse reforça que existem registros de ocorrência onde o contexto é discussão no trânsito. “Geralmente os fatos mais apurados são de ameaça e lesões corporais. É importante que as pessoas busquem a utilização pacífica do espaço público, bem como a observação e o cumprimento das leis, evitando, assim, responder por ilícitos administrativos e criminais”, complementa.

Dicas para um bom relacionamento no trânsito

“É simplesmente encantador trabalhar com crianças”, afirma agente de trânsito

Dentro do Departamento Municipal de Trânsito (DMT), os agentes Luciana Soccol e Rafael Faccin desenvolvem seu trabalho, além de fiscalização pelas ruas, focado na Educação para o Trânsito. Luciana caracteriza o trabalho com as crianças como “encantador”, principalmente na educação infantil e nas séries iniciais. “A inocência e a pureza das crianças são observadas também em relação à educação para o trânsito, quando nos olham e nos ouvem com atenção, interagindo e exemplificando situações do dia a dia. Lembro-me de uma situação em que fomos a uma escola infantil, conversamos, orientamos e nos despedimos, com o desafio imposto às crianças de ter comportamentos seguros e corretos no trânsito. Para nossa surpresa, meses depois fomos palestrar numa empresa onde os pais daquelas crianças trabalhavam, e ouvimos relatarem que seus filhos os cobravam a colocação do cinto, ajudavam a cuidar a cor do semáforo e até quando tinha pedestres na faixa. Isso é o que nos orgulha e nos faz acreditar que a educação muda comportamentos e bons comportamentos mudam o mundo”, enaltece.

De acordo com ela, o acidente é sempre algo inesperado, que muitas vezes, pelos transtornos que causam, acabam alterando o comportamento dos condutores. “A dica principal é manter a calma, ter empatia, não revidar possíveis provocações da parte mais alterada e tomar as devidas providências legais, como o registro da ocorrência. Muitas vezes, após o registro, liberamos os condutores e pedimos para que os mesmos apenas troquem contatos, a fim de que possam conversar em outro momento, com os ânimos mais calmos”, diz Luciana.

Ela ressalta, ainda, que dificilmente ocorrem, no Município, situações onde os condutores se alteram a ponto de desacatar os Agentes por acidentes de trânsito. “Isso ocorre com mais frequência nos casos em que são fiscalizados e que apresentam alguma irregularidade, precisando ser autuados. Embora por diversas vezes se tolera e releva algumas situações, nos casos mais graves, onde há um abuso excessivo de ofensas ou agressões, nos cabe o registro da ocorrência na Delegacia ou na Brigada Militar”, conta.

Luciana ressalta que a educação para o trânsito é um tema que só vai se refletir efetivamente a longo prazo. “Eu acredito muito que só conseguiremos mudanças no nosso trânsito, com educação”, encerra.

O setor oferece palestras em empresas (Sipat), escolas municipais, estaduais e particulares e para interessados em abordar o tema Trânsito e Segurança. Agendamentos podem ser solicitados através do e-mail [email protected]