Com apenas 10 anos e um ano e meio de experiência sobre duas rodas, Bernardo Lovato já vem chamando atenção no cenário gaúcho do enduro. Vice-campeão gaúcho em duas temporadas consecutivas e com desempenho de destaque na abertura do campeonato deste ano, o jovem piloto de Bento Gonçalves se firma como uma promessa do esporte, impulsionado pelo apoio da família e pela paixão que nasceu quase por acaso.
Segundo o pai, Gabriel Lovato, tudo começou no fim de 2024, durante uma prova de cross-country em Bento Gonçalves, quando ele foi convidado a ajudar na organização do evento. Lovato, então com oito anos e meio, acompanhou a movimentação e se encantou ao ver as provas infantis. “Naquele dia ele começou a pedir para andar de moto. A gente não imaginava que aquilo fosse virar tudo isso”, lembra ele.
O incentivo decisivo veio de Vicente Tomasi, apontado pela família como um dos grandes apoiadores da trajetória do menino. Na semana seguinte, Lovato já tinha sua primeira moto. Três dias depois, estreava em uma competição e, para surpresa de todos, conquistava um segundo lugar. Atualmente, Lovato continua competindo pelo Trail Clube Bento Gonçalves (TCBG).

A cena daquela primeira medalha ainda emociona o pai. “Ele chorava em cima do pódio e eu também. Era tudo novidade para nós”, indica.
Desde então, a evolução foi rápida. Com apenas seis meses de prática, Lovato conquistou o vice-campeonato gaúcho de Cross-Country em 2024. Em 2025, repetiu o feito no Campeonato Gaúcho de Enduro.
Neste ano, começou a temporada novamente com um segundo lugar e chamou atenção pela regularidade nas voltas, com diferenças de centésimos de segundo entre os tempos, um sinal de maturidade técnica incomum para a idade.
Embora ainda busque sua primeira vitória em uma etapa, o pai destaca que o filho sempre competiu entre os principais nomes da categoria. “Nunca pegamos prova fácil. Sempre andou com os melhores, e isso faz evoluir”, frisa.
Medo, superação e amadurecimento
Como em qualquer modalidade de velocidade, o medo e a insegurança fazem parte do processo, especialmente para crianças. A troca recente para a categoria 65, com motos mais potentes e que exigem marcha e embreagem, trouxe novos desafios.
No entanto, segundo o pai, Bernardo encara cada etapa como uma oportunidade de crescimento.
Além dos treinos de fim de semana, ele realiza duas sessões mensais com o professor Leonardo Sebben, conciliando o esporte com a rotina escolar. O foco, segundo Lovato, é manter o equilíbrio entre disciplina e diversão.
Esporte em família
Mais do que competição, o enduro se tornou um estilo de vida para a família. Lovato diz que os finais de semana hoje são todos dedicados ao filho, entre treinos e provas. “A gente vive em função dele. O apoio da família é tudo”, enfatiza.
Ele também destaca que o ambiente do enduro vai muito além da pista. Para ele, o esporte proporciona algo cada vez mais raro na infância atual: convivência, brincadeiras ao ar livre e distância das telas. “Nas provas eles correm, brincam, inventam pistas no chão, jogam pega-pega. Não é só moto. É um momento de serem crianças”, afirma.
Lovato acredita que essa característica transformou o enduro em um verdadeiro esporte de família. “Antes o pai ia competir e o filho ficava em casa. Hoje o pai leva o filho para competir”, salienta.
Temporada cheia e sonho do título
Em 2026, Bernardo disputa todo o Campeonato Gaúcho de Enduro com foco em buscar o título. A próxima etapa será em Casca, neste sábado, 25. Depois, o calendário prevê provas em Picada Café (23 de maio), Marau (20 de junho), Caxias do Sul (29 de agosto), Guaporé (26 de setembro) e a grande final em Monte Belo do Sul, em 14 de novembro.
Paralelamente, ele participa de provas de Veloterra como forma de treinamento competitivo.
A expectativa da família é seguir evoluindo e, quem sabe, transformar a constância em vitórias. “O objetivo é continuar treinando e buscar o título este ano”, projeta o pai.