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Professora da UCS, Giovana Cenci Zir, explica que avanço está ligado à migração dos crimes para o ambiente virtual

O município já chega a marca de 899 casos de estelionato registrados até setembro deste ano, segundo dados da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul. O número chama atenção, mas, de acordo com a professora de Direito da Universidade de Caxias do Sul (UCS), Giovana Cenci Zir, ele não representa necessariamente um crescimento repentino da criminalidade, e sim uma transformação na natureza dos golpes e uma melhor capacidade de registro e denúncia. “O aumento dos casos acompanha uma tendência observada em todo o país. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2025, o Brasil registrou cerca de 2,17 milhões estelionatos em 2024, um acréscimo de aproximadamente 7,8% em relação a 2023. Não há dados oficiais que indiquem uma subnotificação significativa nos anos anteriores; o que se verifica é uma mudança estrutural no perfil dos crimes e na forma de notificação”, explica Giovana.

Para ela, a popularização de fraudes digitais, como golpes via Pix, redes sociais e aplicativos de mensagens, é o principal fator que explica o avanço. Além disso, a Delegacia Online e a maior conscientização das vítimas sobre a importância de registrar o boletim de ocorrência contribuem para a elevação dos números.

Dados da Secretaria de Segurança Pública são referentes até setembro

Em comparação com outras cidades de mesmo porte, Bento configura uma discrepância em relação a Santa Cruz do Sul, que contabilizou 607 estelionatos até setembro deste ano, assim como Uruguaiana, que teve 509 em relação ao mesmo período.
Já cidades da região, como Garibaldi, Carlos Barbosa, Farroupilha e Caxias do Sul tiveram 163, 200, 480, 3180 casos, respectivamente.

Golpes atingem todas as faixas etárias

O estelionato, especialmente em sua forma digital, não tem um perfil único de vítima. A professora destaca que idosos continuam mais suscetíveis a golpes por telefone e falsos contatos bancários, enquanto adultos e jovens são as principais vítimas de fraudes em compras online, aplicativos e redes sociais. “O crime, especialmente em sua forma digital, não se restringe a um único grupo, mas atinge de forma ampla toda a população”, observa.

Predomínio dos crimes virtuais

Em Bento Gonçalves e em todo o Estado, a maioria dos golpes ocorre no ambiente digital. Entre os principais tipos estão o “golpe do motoboy”, de falsos atendentes bancários, a clonagem de WhatsApp e contas em redes sociais, a emissão de boletos falsos, as fraudes em compras online e as transferências via Pix. “Ainda existem ocorrências presenciais, mas os meios digitais concentram a maior parte dos registros recentes”, afirma Giovana, citando dados da Secretaria de Segurança Pública do RS.

Caxias do Sul possui alto índice do crime

Desafios na investigação e estrutura policial

O enfrentamento aos crimes digitais exige investimento constante em tecnologia e capacitação, pontua a professora. Em Bento Gonçalves, a construção da nova Central de Polícia, orçada em R$ 20,6 milhões, e a ampliação do programa RS Seguro são medidas que fortalecem o enfrentamento da criminalidade, mas a complexidade das fraudes ainda impõe obstáculos. “Isso exige capacitação técnica e suporte tecnológico contínuo, o que é um desafio em nível nacional, não apenas local. As forças de segurança vêm atuando com campanhas de prevenção, operações específicas e integração entre órgãos, o que representa um avanço”, avalia.

Conscientização como aliadas

A especialista reforça que a prevenção é o melhor caminho para evitar prejuízos. Medidas simples, como desconfiar de pedidos urgentes de transferência; não compartilhar senhas, códigos ou dados pessoais; evitar clicar em links desconhecidos ou enviados por aplicativos de mensagem; confirmar diretamente com o banco ou a pessoa antes de realizar qualquer pagamento e registrar o boletim de ocorrência na Delegacia Online em caso de suspeita, podem evitar golpes.

Além disso, ela defende campanhas educativas voltadas à comunidade. “Ações de educação digital em escolas, associações e entidades de classe são eficazes para ampliar a conscientização e orientar a população de forma preventiva”, ressalta.

Para viabilizar o acesso a informação, Giovana sugere parcerias com bancos, comércio e órgãos públicos; melhorias na Delegacia Online para facilitar o registro e o tratamento de ocorrências; integração entre forças policiais e instituições financeiras, visando agilizar bloqueios de valores e comunicações sobre contas suspeitas e treinamentos comunitários sobre segurança digital. “Essas iniciativas têm mostrado bons resultados em outros municípios e podem contribuir para a redução de novos casos”, destaca a docente.

Integração em várias esferas

O combate ao estelionato também avança com iniciativas em diferentes níveis. No âmbito federal, o Banco Central implementou o bloqueio preventivo de chaves Pix usadas em fraudes e o Mecanismo Especial de Devolução (MED), que permite solicitar a devolução de valores.

No Estado, o RS Seguro e o Observatório Estadual de Segurança Pública utilizam dados para planejar ações de enfrentamento, enquanto o Procon municipal mantém campanhas e alertas frequentes sobre golpes. “O site da Secretaria de Segurança Pública do RS publica mensalmente os Indicadores Criminais, permitindo o monitoramento por município e tipo de crime”, conclui a professora.