O maior Mundial Kids da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu Esportivo (CBJJE), realizado em Barueri (SP) e que reuniu mais de 3.400 atletas de diversas partes do mundo, terminou com destaque especial para Bento Gonçalves. As jovens lutadoras Caroline Cristofoli e Luiza Moreto subiram ao pódio representando a cidade e o Rio Grande do Sul com conquistas de ouro e bronze, respectivamente, em um dos eventos mais competitivos já organizados pela confederação.
Ouro para Caroline Cristofoli
A campanha de Caroline foi um dos pontos altos da participação gaúcha no Mundial. A atleta venceu duas lutas duríssimas, ambas finalizadas contra adversárias mais graduadas e mais pesadas. Segundo o treinador André Cristofoli, a filha demonstrou técnica, frieza e domínio absoluto nos combates. “A Caroline enfrentou adversárias muito experientes e superiores em peso. Mesmo assim, mostrou uma superioridade técnica inquestionável. Ela venceu com precisão e domínio de classe”, destaca o técnico.
O planejamento estratégico para que Caroline superasse a diferença de graduação e peso, conforme explica André, foi sustentado por três pilares: rigor técnico, preparo mental e serenidade sob pressão. “O controle emocional dela é um diferencial. Sua mente tranquila garante a execução perfeita da estratégia, mesmo nas situações mais difíceis”, acrescenta o treinador.

Bronze para Luiza Moreto
Outra atuação de destaque veio de Luiza Moreto, que conquistou o bronze após uma campanha sólida. Ela foi superada apenas pela campeã da categoria, uma atleta carioca de estilo de jogo similar. “A Luiza demonstrou garra, adaptação e uma performance muito consistente. O detalhe técnico fez diferença na semifinal, mas sua trajetória até o pódio foi impecável”, avalia André.

Equipe de alto nível técnico
O treinador ressalta que o rendimento da equipe como um todo foi excepcional. Todos os atletas de Bento foram eliminados apenas pelos campeões de suas categorias, muitos deles em lutas definidas por vantagens mínimas ou decisões de arbitragem.
Ele cita, por exemplo, a atleta Catherine Cristofoli, que dominou o combate, mas acabou prejudicada por uma decisão equivocada da arbitragem. Também destaca o alto nível de jiu-jitsu demonstrado por Rafael e Gabriel Comiotto, que atuaram com técnica refinada e combates de elevado padrão. “Estamos competindo de igual para igual, e muitas vezes superando a elite mundial”, afirma.
Estrutura e rotina de campeões
A preparação dos jovens atletas é intensa e contínua. Atualmente, os treinos acontecem de duas a três vezes por dia, de segunda a sábado, com foco no desenvolvimento técnico, físico e emocional.
Para 2026, o projeto é ainda mais ambicioso: seis aulas diárias, preparação física reforçada, sessões de leitura e introdução sistemática do No Gi (sem kimono). “A vitória está ligada à carga horária no tatame. Nosso ambiente é pensado para formar atletas completos, fortes técnica e emocionalmente”, explica.

Lições de uma experiência global
Competir em um evento internacional desta dimensão trouxe aprendizados valiosos para toda a equipe. “Acreditamos que o aprendizado mais profundo reside no entendimento de que aprendemos muito com as vitórias, mas exponencialmente mais com as derrotas. Essa experiência internacional, independentemente do resultado final, serviu como um poderoso catalisador. Observamos um aumento imediato na vontade de treinar e na dedicação de Caroline, Luiza e dos demais atletas. Como professor, meu maior desejo é que essa chama da dedicação se mantenha acesa, impulsionando-os a se dedicarem ainda mais ao caminho do jiu-jitsu”, conclui o treinador.