Com a chegada do verão, as altas temperaturas trazem consigo um impacto direto no consumo de energia elétrica. O uso de ar-condicionado, ventiladores, geladeiras mais exigidas e banhos mais frequentes elevam significativamente a demanda nas residências, fazendo com que muitas famílias percebam um aumento expressivo na conta de luz. Além do uso intensificado dos aparelhos, fatores como bandeiras tarifárias, ajustes sazonais e a sobrecarga no sistema elétrico também contribuem para o valor final cobrado. Diante desse cenário, entender por que a conta sobe e quais estratégias podem ajudar a reduzir o consumo torna-se essencial para manter o orçamento sob controle durante os meses mais quentes do ano.
Segundo Danusia de Oliveira Lima, Coordenadora dos cursos de graduação de engenharia elétrica dos campus CARVI e SEDE da Universidade de Caxias do Sul (UCS), o principal vilão é o ar-condicionado. “É sem dúvida o equipamento que mais consome no verão em uma residência. Consome pela potência do equipamento e, na maioria das vezes, por não termos a consciência de utilizar em um ambiente completamente vedado, para estabilizar a temperatura”, menciona.

Como escolher um ar-condicionado
De acordo com a engenheira, o sistema de refrigeração deve apresentar selo do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO). “Faz diferença ser comprovado pelo próprio instituto”, salienta.

Estratégias para redução do consumo
Práticas simples do dia a dia ajudam a reduzir o consumo do ar-condicionado sem comprometer o conforto. Segundo a engenheira, uma das principais é manter portas e janelas fechadas enquanto o equipamento estiver em funcionamento, evitando a troca de ar quente com o ambiente externo. Ela destaca ainda que o uso de persianas ou cortinas é eficaz para bloquear a entrada direta de luz solar e reduzir o aquecimento do ambiente, permitindo que o aparelho trabalhe de forma mais eficiente.
Danusia explica que o ventilador consome menos energia do que o ar-condicionado, o que pode ser uma boa opção para quem deseja economizar. “Consome menos por ter potências inferiores quando tratamos de ventiladores residenciais. Ao meu ver, o ventilador não substitui o ar-condicionado em termos de conforto, mas, em ambientes abertos, devem ser preferencialmente utilizados”, opina.

Manutenção
A limpeza regular tanto do ventilador quanto do ar-condicionado é essencial para garantir bom desempenho, segurança e economia de energia. Segundo a engenheira, a falta de manutenção faz com que o ventilador interno precise trabalhar mais, já que a sujeira reduz a passagem de ar. “O equipamento compensa aumentando a rotação, o que pode gerar um acréscimo de 15% a 30% no consumo”, explica.
Ela acrescenta que a troca térmica também é prejudicada: com a serpentina suja, o aparelho evapora menos calor, obrigando o compressor a operar por mais tempo, fator que pode elevar o gasto energético em 20% a 40%. Outro ponto crítico é que a pressão de sucção perde a eficiência, fazendo com que o compressor trabalhe ‘forçado’. “Nos modelos inverter, isso se torna ainda mais evidente, já que eles aumentam a frequência para compensar a perda de eficiência”, completa.

Isolamento térmico
Danusia esclarece que o isolamento térmico tem impacto direto tanto no conforto quanto na economia de energia. “O primeiro passo é criar o hábito de manter as portas fechadas, abrindo apenas para a passagem de alguém. Reduzir a ventilação excessiva e a incidência solar no ambiente também é um ótimo caminho para melhorar o desempenho do ar-condicionado”, reforça.
Demais equipamentos
Outros eletrodomésticos também podem influenciar no aumento da conta de luz quando utilizados sem atenção. “A geladeira deve ter o fechamento verificado e a frequência de abertura reduzida; o chuveiro, sempre que possível, deve ser usado em temperaturas mais amenas; e a iluminação deve aproveitar ao máximo a luz natural, embora seja o item de menor impacto no consumo”, orienta a engenheira.
O uso de tomadas inteligentes e sistemas de automação pode, sim, contribuir para a redução do consumo de energia, mas o investimento deve ser analisado caso a caso. “Mas certamente um sistema automatizado irá cuidar melhor disso tudo que falamos”, explica.

Energia solar
Investir em energia solar residencial ainda pode ser vantajoso, mas não para todos os perfis de consumo. Segundo a engenheira, a viabilidade depende de cada caso. Ela explica que, antes de instalar o sistema, é fundamental avaliar alguns pontos essenciais. “O principal fator são as alterações frequentes nas regras de conexão, que podem impactar diretamente no retorno financeiro. Além disso, é indispensável ter uma área com boa orientação para o norte, garantindo melhor aproveitamento da incidência solar”, finaliza.