Estamos no outono. Com ele aumenta a preocupação com as infecções respiratórias, sobretudo as virais, muito comuns nesta época e no inverno. Dentre estas infecções a gripe ocupa um lugar de destaque, por ser muito frequente, altamente disseminável entre a população, principalmente nos tempos frios que acabam fazendo com que as pessoas mantenham ambientes quentes às custas de fechar portas e janelas, o que facilita a disseminação do vírus entre os que habitam o mesmo espaço. O confinamento favorece a disseminação das doenças respiratórias, sobretudo as virais.
Sempre muito importante esclarecer que a Gripe, além de frequente e muito disseminável, frequentemente abre as portas para infecções secundárias bacterianas, como pneumonia, sobretudo nos extremos da faixa etária, como crianças e idosos. Cada ano pelo menos o vírus sofre mutações e vem de roupagem nova, novos sintomas, quadro clínico um pouco diverso, às vezes mais grave, outras vezes mais leve. Muitas vezes a gripe é confundida com resfriado ou até mesmo com quadros alérgicos como rinite alérgica, por exemplo.
A gripe (ou também conhecida como influenza) é uma infecção viral aguda que atinge o sistema respiratório, incluindo nariz, garganta e, em casos mais graves, os pulmões. Ela é causada exclusivamente pelo vírus Influenza, que possui alta capacidade de mutação e transmissão, a qual ocorre pelo contato com gotículas expelidas por uma pessoa infectada ao tossir, espirrar ou falar, além do contato com superfícies contaminadas. Geralmente dura cerca de uma semana, embora a tosse possa persistir por mais tempo.
Diferente de um resfriado comum, os sintomas da gripe costumam surgir de forma repentina e intensa:
- Febre alta e calafrios.
- Dores musculares e articulares fortes.
- Dor de cabeça e fadiga importante.
- Tosse seca e dor de garganta.
- Coriza ou nariz entupido.
Para o inverno de 2026 no Brasil, a principal preocupação das autoridades de saúde é a circulação predominante do vírus Influenza A (subtipo H3N2), especificamente uma nova ramificação genética conhecida como variante K. Esta variante tem sido monitorada de perto por apresentar uma transmissão mais acelerada, o que levou a um aumento de quase 95% nos casos de gripe no país já no início deste ano, antes mesmo do início oficial do inverno.
O que você precisa saber sobre a variante de 2026: - Nome popular: Frequentemente referida em alertas como “Gripe K”.
- Gravidade: Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), embora se espalhe mais rápido, os dados atuais não indicam que esta variante cause casos mais graves do que as versões anteriores do vírus H3N2.
- Antecipação: A temporada de gripe começou mais cedo em 2026. Até meados de março, o Brasil já havia registrado mais de 3.500 casos de síndrome respiratória aguda grave causados por influenza.
A vacina de 2026 protege?
Sim, a vacinação continua sendo a principal defesa. A Anvisa definiu a composição das vacinas para 2026 com base nas recomendações da OMS, incluindo cepas atualizadas para combater as mutações mais recentes: - Vacina Trivalente (SUS): Protege contra Influenza A (H1N1), Influenza A (H3N2) e Influenza B (linhagem Victoria).
- Vacina Quadrivalente (Clínicas Privadas): Adiciona proteção contra a linhagem Yamagata da Influenza B.
- Existe ainda a possibilidade de uma vacina desenvolvida para população idosa, a chamada Efluelda ou vacina de alta dose. Ela é considerada a vacina contra a gripe mais potente disponível no mercado, mas possui um público-alvo muito específico: É indicada exclusivamente para pessoas com 60 anos ou mais. Contém quatro vezes mais antígenos (a substância que gera a imunidade) do que a vacina tetravalente comum.
- Proteção Superior: Foi desenvolvida para compensar o envelhecimento natural do sistema imunológico (imunossenescência), oferecendo uma resposta de defesa mais robusta em idosos do que as vacinas convencionais. Segundo estudos e entidades como a Sociedade Brasileira de Imunizações. a vacina de alta dose é cerca de 24% mais eficaz na prevenção da gripe em idosos quando comparada à dose padrão. Ela é especialmente recomendada para evitar complicações graves, como pneumonia e internações hospitalares, nesse grupo. Apresenta as mesmas cepas da tetravalente, porém com maior capacidade de formar anticorpos, motivo pelo qual destina-se mais a população idosa.
Muito importante programar-se e fazer a vacina da gripe, a menos que tenha alguma contraindicação conhecida ou impedimento clínico. Na dúvida, fale com seu médico.