Os campeonatos amadores de Bento Gonçalves sofrem mudanças ano após ano, evidenciando uma procura excessiva para apresentar o melhor campeonato possível. Porém, atualmente, existem controvérsias de como são os planejamentos das competições.
Conforme afirma um amante da várzea, Matheus Di Domenico, “acompanho há muito tempo porque eu gosto de futebol e tenho a sensação de que a representatividade da comunidade nas equipes era maior. Isso potencializava o campeonato, lotando os estádios e ginásios. O pessoal gosta de vínculos entre família, bairro e time. Bento Gonçalves lota as fases finais dos torneios de várzea”, pontua.
Di Domenico elogia a evolução que o amador obteve recentemente. “Quando eu tinha 20 anos, não existiam campeonatos amadores como esses. Acho interessante como estão fazendo agora, disponibilizando outras categorias, feminino, máster ou veterano, é diferente”, ressalta.
De acordo com ele, no entanto, as coletividades locais eram mais incluídas no torneio. “Abraçavam mais as comunidades, tinham times específicos, conhecidos, em vários locais da região. Hoje em dia são times criados, existe pouca participação e união das muitas tradições da cidade”, completa.

Divulgação é essencial
Questionado sobre como seria um campeonato amador de qualidade, o atleta Rafael Dors, comenta: “Primeiramente é importante cuidar da estrutura da competição, procurar campos ou quadras de qualidade, organizar em lugares conhecidos e próximos, afinal a distância prejudica a aproximação do público”, explica.
Segundo Dors, a divulgação de um torneio é essencial para promover a competição, facilitando a montagem dos elencos, e se comunicando com a comunidade. “Divulgar de forma certa, o quanto antes, ajuda na organização dos clubes e dos jogadores, e isso reflete no nível do torneio”, relata.
Quando perguntado sobre os resultados que acompanhou da várzea dos últimos anos, afirma que, normalmente, a união de um clube que joga há mais tempo traz vantagem nos resultados. “Na maioria das competições que disputei, os vencedores eram os que jogavam há bastante tempo juntos. Eles se conhecem, são organizados, têm tradição e quase sempre são favoritos”, comenta.
Segundo ele, os campeonatos amadores, dependendo do ano, nem anunciam o torneio, deixando confusos os jogadores e torcedores se é algo definitivo ou não. “A várzea não mantém uma continuidade ou, pelo menos, não deixa isso claro. Teve anos em que disputei mais de quatro torneios e no ano seguinte apenas um. Isso prejudica a manutenção tanto dos torcedores próximos quanto da sequência de um elenco”, finaliza.
Fotos: Cassiano Castro





