A fé e a tradição reuniram moradores e devotos na 116ª Festa em Honra a Nossa Senhora do Rosário de Pompéia, realizada no domingo, 18, no bairro Vinosul, em Bento Gonçalves. A programação contou com missa às 11h, almoço festivo e rifa com prêmios.
A celebração religiosa foi conduzida pelo padre Sérgio Tonet, que ressaltou a importância da devoção mariana para os católicos e o papel da comunidade na preservação dessa tradição. Segundo ele, a fé em Nossa Senhora representa uma relação de acolhimento e proteção, inspirada na figura de Maria como mãe de Jesus e, por extensão, dos fiéis.
Tradição
A história da comunidade tem como marco o ano de 1910, quando moradores se mobilizaram para construir a capela. Conforme a catequista e integrante da igreja Silvana Maria Romagna, os próprios habitantes participaram da fabricação dos tijolos, produzidos na olaria da família Marcatto, que não existe mais.

A devoção a Nossa Senhora do Rosário de Pompéia foi trazida pelos imigrantes italianos, especialmente por famílias vindas da região do Vêneto. Antes da construção da capela, os moradores já mantinham a prática religiosa em um pequeno capitel. A Igreja, data de 1928, e outros elementos históricos dela, incluindo dois quadros, vieram da Itália.
A construção e a organização do espaço religioso foram resultado do esforço coletivo. Segundo Silvana, os bancos foram adquiridos com contribuições mensais dos moradores, enquanto imagens de santos chegaram por meio de doações e da mobilização de associações comunitárias. A participação também se manifestava na oração do terço, realizada diariamente e conduzida por integrantes de famílias tradicionais da localidade.
Fé e trabalho voluntário
Nascida na comunidade, Cléia Brandelli mantém a devoção a Nossa Senhora desde a infância. Mesmo depois de se casar e passar a morar no 8 da Graciema, ela continua participando das atividades religiosas e colaborando com os trabalhos da igreja.
Cléia conta que a fé faz parte da história de sua família e ressalta a importância da oração. Entre os pedidos feitos à santa, estão saúde e paz mundial. Além da participação nas celebrações, ela também auxilia na limpeza da igreja e na organização das festividades, junto a outras integrantes da comunidade, como Neiva Frare.

O trabalho voluntário é parte essencial da preparação da festa, que mobiliza moradores durante vários dias. Para o presidente da comunidade e um dos organizadores do evento, Lasie Batisti, o envolvimento coletivo é fundamental para manter a tradição.
Resultados e mudanças
Ao avaliar a edição deste ano, Batisti considerou que o resultado correspondeu às expectativas da organização. Ele ressaltou, porém, as dificuldades enfrentadas para vender ingressos e reunir voluntários suficientes para a realização do almoço no formato tradicional.
Segundo o presidente, a falta de pessoas para atuar no serviço de mesa levou a comunidade a recorrer ao sistema de buffet, alternativa que facilita a organização e oferece mais comodidade aos participantes.
Apesar das mudanças, Batisti enfatizou a participação dos moradores e a satisfação em trabalhar na preparação do evento, que envolveu atividades desde sexta-feira. Para ele, a festa vai além do encontro social e representa uma oportunidade de fortalecer a fé, a oração e os laços comunitários.






