A união entre gerações, o espírito de colaboração e o compromisso com a preservação de um espaço construído pelo esforço coletivo marcaram o almoço festivo da Comunidade São João, realizado no domingo, 18. Além de proporcionar momentos de integração, a iniciativa teve como objetivo arrecadar recursos para melhorias e despesas de manutenção da igreja e do salão comunitário, estruturas que fazem parte da história do bairro.
Neste ano, a comunidade optou por substituir o tradicional Baile do Chopp por um almoço voltado às famílias e aos amigos, proporcionando uma oportunidade de confraternização entre os participantes. Ao todo, foram comercializados 280 ingressos para o evento.

À frente da organização está uma equipe administrativa formada por quatro casais, que assumiram a responsabilidade de dar continuidade às atividades religiosas e sociais da comunidade. A presidente, Diana De Marco Roman Ros, explica que a iniciativa vai além da arrecadação financeira, pois representa uma oportunidade de aproximar as pessoas e fortalecer os relacionamentos construídos ao longo dos anos. “A expectativa é que todos saiam daqui satisfeitos, que tenham aproveitado esse momento com os amigos que convidaram e que consigam ter um momento de alegria, de compartilhar experiências com outras pessoas e colocar a conversa em dia”, ressalta.
Uma das novidades desta edição foi a contratação de um buffet para preparar a refeição, medida adotada pela primeira vez na comunidade. Com isso, os integrantes da diretoria puderam concentrar os esforços na organização do espaço e nos demais preparativos. A programação também contou com animação de Ronaldo Show e distribuição de brindes, incluindo cestas doadas por moradores e colaboradores.
A participação das famílias foi fundamental para viabilizar a festividade. Além das contribuições dos próprios moradores, a organização recebeu apoio de pessoas de fora da comunidade, que se somaram à iniciativa. Para Diana, essa mobilização demonstra a confiança depositada na nova equipe administrativa. “As pessoas encararam esse desafio conosco, acreditaram nesse evento e vestiram a camiseta para nos ajudar a realizá-lo”, ressalta.
Renovação e compromisso com a comunidade

A atual diretoria representa um movimento de renovação na administração da Comunidade São João. Formada por integrantes mais jovens, a equipe assumiu a gestão com o propósito de preservar as atividades existentes e incentivar a participação dos moradores. O mandato tem duração de dois anos e está atualmente em seu primeiro ano.

Entre os integrantes está a tesoureira Lígia Fontanive, moradora do bairro há aproximadamente 17 anos. Sua ligação com a igreja começou por meio das atividades litúrgicas, especialmente quando a filha passou a frequentar a catequese. O envolvimento voluntário abriu caminho para o convite de integrar a administração, passando a assumir também a responsabilidade pelo acompanhamento financeiro.
Segundo Lígia, a realização das festividades exige dedicação e planejamento, mesmo quando parte dos serviços é contratada. Na celebração do padroeiro São João, por exemplo, a própria equipe ficou responsável pela preparação do jantar, enquanto no almoço festivo a contratação do bufê permitiu distribuir melhor as tarefas. Apesar das diferenças, o envolvimento dos voluntários continua indispensável. “Por trás da festa, tem bastante trabalho para organizar tudo. É bem gratificante”, afirma.

Ela considera importante que outras pessoas também tenham a oportunidade de assumir funções administrativas, garantindo a renovação das lideranças. Mesmo sem saber se permanecerá na diretoria após o encerramento do mandato, pretende continuar contribuindo com as atividades religiosas e sociais. “É muito importante a gente ajudar na comunidade, principalmente na parte da liturgia, que eu já faço. Ela precisa disso para manter a união, ajudar as pessoas, principalmente aquelas que precisam”, enfatiza.
A presença de familiares nas atividades também contribui para aproximar as novas gerações do trabalho voluntário. Durante o almoço, a filha de Lígia esteve entre as pessoas que auxiliaram na organização.
Uma história construída pela união
Morador do bairro há aproximadamente 35 anos, Laércio Antônio Nardin participou das mobilizações que permitiram transformar a estrutura da comunidade.
Na época, a falta de recursos exigia que cada etapa da obra fosse planejada de acordo com o dinheiro disponível. Os moradores organizavam festas e promoções para arrecadar fundos, que eram destinados gradualmente à construção. Depois da execução das fundações e da estrutura, a paróquia colaborou com a instalação do telhado, permitindo o avanço dos trabalhos.
Nardin recorda que as primeiras festividades já aconteciam enquanto a igreja ainda estava em desenvolvimento. As promoções se tornaram uma das principais formas de financiamento das obras e, em determinados períodos, chegavam a ser realizadas cinco vezes ao ano. “Tudo em função da comunidade, com todo mundo ajudando e colaborando. A união faz a força”, relembra.

Décadas depois, acompanhar a continuidade das atividades representa a concretização de um esforço compartilhado por muitas famílias. Ao mesmo tempo, o antigo colaborador observa que a manutenção desse legado depende da disposição de novos voluntários para assumir responsabilidades.
Na avaliação de Laércio, a alternância das diretorias faz parte da trajetória de qualquer comunidade, com períodos de maior ou menor envolvimento. “Falta um pouco mais de participação dos jovens, para que se engajem na comunidade e ajudem na renovação das equipes”, avalia.

Fortalecimento de vínculos
Além das festividades, a Comunidade São João mantém uma rotina de atividades religiosas sustentada. Entre as pessoas que contribuem para esse funcionamento está Maria Elisia, moradora do bairro desde 2015. Sua participação começou na catequese e, com o passar dos anos, passou a abranger diferentes funções.
Atualmente, Maria atua como zeladora, ministra da Palavra e da Eucaristia, além de colaborar com as leituras nas missas e integrar o grupo de canto. Também realiza visitas a pessoas idosas e enfermas que, por dificuldades de locomoção ou condições de saúde, não conseguem participar presencialmente das celebrações.
Para Maria, a disposição dos voluntários e a participação dos moradores são características marcantes da comunidade. Mesmo quando não consegue comparecer a determinadas festividades, procura colaborar com a venda de ingressos e outras tarefas.

A ministra também acompanha com satisfação a presença do público nas celebrações e nos encontros sociais, considerando esse envolvimento um incentivo para a continuidade do trabalho. “O pessoal vem participando, graças a Deus. Todos os eventos aqui são de salão cheio”, comemora.





