À frente de dois projetos distintos, Wladi Costa desenvolve um trabalho autoral ligado ao reggae e integra o Forroots, grupo dedicado ao forró, ao xote e ao baião. Apesar da receptividade do público durante as apresentações, ele avalia que os dois estilos ainda enfrentam dificuldades para ter mais espaço na programação cultural e nos palcos da região.
No projeto Wladi Costa e Banda, o músico aposta em composições próprias e em interpretações de artistas conhecidos do reggae nacional e internacional, como Armandinho, Natiruts e Bob Marley. O trabalho conta com gravações de DVDs, CDs e singles, reunindo uma trajetória dedicada ao gênero. A formação tem Wladi Costa nos vocais, Bruno Neves na bateria, Guilherme Ribeiro na guitarra, Cássio Canabarro no saxofone e Wallan Soares no baixo.
Já o Forroots surgiu em outubro de 2023, a partir da iniciativa de Wladi em parceria com Marcos Kareka na percussão e Paloma Trevisan na sanfona. A proposta foi unir a afinidade dos integrantes com a música brasileira para oferecer um repertório que convidasse o público a dançar. “Queríamos ter a oportunidade de tocar para as pessoas dançarem no salão em casais. Deu certo! A gente ama este trabalho”, relata o músico.
Espaço
Na avaliação de Wladi, Bento Gonçalves tem público para o reggae, mesmo que essa identificação nem sempre se traduza em uma cena musical consolidada. Ele cita a participação das pessoas nas apresentações e a resposta positiva aos repertórios como sinais de que o estilo encontra receptividade na cidade. “As pessoas em Bento amam reggae e nem sabem”, afirma.

Para o músico, a falta de visibilidade e de oportunidades para apresentações frequentes dificulta a formação de um público que acompanhe o gênero de maneira contínua. Como exemplo, ele menciona o cantor Armandinho, cujos shows atraem grande público quando realizados na cidade.
Wladi acredita que a inclusão de artistas locais na programação de apresentações de nomes conhecidos poderia contribuir para fortalecer o movimento. “Se contratarem uma banda grande e colocar a gente para abrir, tenho certeza que vai encher”, projeta.
O cenário também se repete com o Forroots. Embora os dois projetos recebam elogios e proporcionem momentos de interação com o público, o músico afirma que as oportunidades oferecidas pelos contratantes ainda são limitadas. “Falta espaço e oportunidade mesmo. É comum a gente tocar mais na época de festa junina”, explica.
Música para dançar
No Forroots, a proposta é explorar a riqueza da música brasileira por meio de arranjos de forró, xote e baião. O repertório passa por nomes como Dominguinhos, Alceu Valença, Gilberto Gil, Luiz Gonzaga, Falamansa e Rastapé, aproximando diferentes gerações de canções que ganham novas possibilidades rítmicas.

A escolha dos estilos está ligada à vontade de criar um ambiente de dança e diversão. Diferentemente do trabalho autoral de reggae. “O reggae que faço no meu trabalho autoral é mais politizado, como na música “filtro dos sonhos”, mas nunca procurei levantar bandeiras políticas, e sim, de alguma forma, visão de mundo”, frisa.
Segundo Wladi, suas composições carregam influências de Natiruts, Armandinho, Skank e Gilberto Gil. A música “Filtro dos Sonhos”, por exemplo, integra uma vertente mais reflexiva de sua produção. Ele ressalta, porém, que não busca levantar bandeiras partidárias, mas apresentar sua visão de mundo por meio das canções.
Ampliação
Wladi considera que os dois projetos representam iniciativas pouco comuns no cenário musical de Bento Gonçalves. De acordo com ele, o Forroots é o único grupo dedicado ao forró na cidade, enquanto seu trabalho solo representa uma aposta no reggae autoral inédita até então no município.
O músico reconhece a presença de bandas de rock, pagode e sertanejo, mas acredita que a diversidade de estilos precisa ser ampliada para que artistas com outras propostas também encontrem oportunidades. “Sem dúvida, estamos abrindo um mato e talvez venham algumas bandas atrás de nós. Não temos a pretensão de ser referência, mas de apresentar algo diferente do que temos visto na cena da cidade”, comenta.
Entre os apoiadores dos projetos está o grupo de dança Via Attiva, que participa dos eventos promovidos pelos músicos e também os convida para suas próprias atividades.
Além dos eventos públicos, as apresentações chegam a bares, casamentos, festas particulares em condomínios e atividades realizadas em espaços abertos. Segundo Wladi, parte dessas oportunidades surge de maneira espontânea, por meio das redes sociais, onde novos seguidores passam a interagir com os projetos e demonstram interesse em contratar os shows.
Participação do público
A característica dançante é, na visão do músico, um dos principais pontos em comum entre o reggae, o forró, o xote e o baião. Os ritmos favorecem a participação das pessoas e criam uma conexão que vai além de acompanhar as canções. “Sem dúvida, são estilos contagiantes. A parte rítmica é convidativa para dançar. Sempre que tocamos, temos o privilégio de ver pessoas dançando”, afirma.
Para Wladi, a presença mais frequente dos projetos em bares, eventos e espaços culturais na região poderia ampliar esse vínculo com o público. A expectativa é que mais oportunidades de apresentação ajudem a consolidar os seus trabalhos e despertem o interesse de novos ouvintes.




