As mostras da Educação Especial e Científica da rede estadual de ensino foram realizadas na quarta-feira, 14, no Ginásio do Santa Helena, em Bento Gonçalves. A programação apresentou trabalhos de estudantes e práticas pedagógicas desenvolvidas nas escolas, com participação de instituições de diferentes municípios da área de abrangência da 16ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE).
Segundo Rosane Machado, assessora pedagógica da Educação Especial da 16ª CRE, a exposição da área contou com a participação de 65 escolas de 25 municípios. Já a programação científica teve 37 trabalhos inscritos por adesão, envolvendo turmas do Ensino Fundamental, anos iniciais e finais, e do Ensino Médio. A estimativa da organização foi de quase 500 pessoas ao longo do dia, entre participantes e visitantes.
Aprendizagem individual
Na Mostra da Educação Especial, os trabalhos apresentaram estratégias e metodologias desenvolvidas para atender às necessidades de cada estudante. Parte dos materiais foi confeccionada por professoras do Atendimento Educacional Especializado (AEE), que atuam nas salas de recursos.
Para Rosane, a proposta também foi mostrar às famílias que elas podem contar com o trabalho das escolas e ampliar a compreensão sobre a inclusão. Ela avalia que o atendimento começa pelo conhecimento das particularidades de cada aluno e depende da participação conjunta de profissionais, familiares, poder público e comunidade. “Todos temos que estar envolvidos”, afirma a assessora pedagógica, ao defender a construção de estratégias para atender os estudantes em diferentes espaços, dentro e fora da escola.
Pesquisa e memória
Em sua quarta edição, a Mostra Científica da rede estadual teve como tema “Os 55 anos do 20 de Novembro: memória, presença e futuro”, dentro da proposta de sustentabilidade e tecnologia para transformar. A atividade buscou incentivar a investigação, o diálogo e o reconhecimento das histórias que constituem o Rio Grande do Sul e o Brasil.
Os trabalhos foram desenvolvidos pelas escolas a partir das orientações da Secretaria Estadual da Educação (Seduc). A participação na exposição ocorreu por adesão, com produções de estudantes de diferentes etapas de ensino. Dois trabalhos, um do Ensino Médio e outro dos anos finais do Ensino Fundamental, foram classificados para a etapa estadual.
Kauã celebra a trajetória escolar
Aos 16 anos, Kauã Batista Fedrigo está no 3º ano do Ensino Médio da Escola Dona Isabel e tem paralisia cerebral. Para ele, participar da mostra foi uma experiência aguardada com ansiedade, segundo a mãe, Janete do Nascimento Batista.
O trabalho apresentado envolveu atividades de motricidade fina e organização de números. Para isso, tampas de garrafas PET foram rosqueadas sobre uma caixa, formando um material utilizado na atividade.
Janete conta que a família está feliz com o desenvolvimento do estudante, especialmente nos últimos dois anos e meio, período em que ele passou a contar com uma equipe com a qual está satisfeita. No início da trajetória escolar, encontrar profissionais para acompanhá-lo foi uma dificuldade. “Ele desenvolveu muito. E, para a nossa família, é só agradecer”, relata. Para a mãe, a caminhada também é um incentivo para continuar defendendo os direitos dos estudantes. “Não vamos abandonar a inclusão. Todos são pássaros, mas cada um voa de acordo com a sua necessidade.”


Valentina aprende e avança
A participação de Valentina Siega, aluna da Escola Luiz Fornasier que tem síndrome de Down, também passou pelas atividades desenvolvidas com o apoio da auxiliar Nádia Francieli Werner Camini. As duas estiveram na mostra na quarta-feira, apresentando trabalhos construídos ao longo do ano.
A mãe, Maglieli Siega, conta que percebe o crescimento e o desenvolvimento da filha com o auxílio e o carinho das professoras. Segundo ela, Valentina gosta de ir à escola e, quando não há aula, chega a pegar a mochila na expectativa de sair de casa para estudar.
Em 2025, o Jornal Semanário noticiou as dificuldades enfrentadas pela família para manter a frequência escolar de Valentina devido à falta de uma auxiliar para acompanhá-la. Neste ano, a menina conta com o apoio de Nádia, e a mãe, Maglieli, espera que o trabalho tenha continuidade para seguir contribuindo com o desenvolvimento da filha.
Na mostra, foram apresentadas atividades lúdicas e pedagógicas voltadas ao desenvolvimento de habilidades como comunicação, coordenação motora e autonomia. “Por trás de cada atividade, existe um objetivo pedagógico, um planejamento e, principalmente, um olhar individualizado para cada estudante”, afirma Nádia.






