Natural de Bento Gonçalves, Cristiano faleceu no dia 2 de setembro, aos 35 anos, vítima de câncer gástrico. Era era atualmente representante no segmento de pneus. Faleceu sentindo muita dor, por fome e sede, pois não podia engolir nada e a sonda já não fazia efeito.

A mãe, Marisa Moro, resume a maneira como o filho encarava os dias. “Para Cristiano, a vida era uma festa e não havia tempo ruim”.
Essa disposição para viver também é lembrada pelo amigo Geison Reginini. Conhecido por muitos como Cris, “era, trabalhador, parceiro e amigo para todas as horas. Era também aquele que parecia encontrar uma solução para qualquer problema, independentemente do tamanho.”
Geison conta que Cristiano dificilmente se deixava abalar pelas dificuldades e mantinha uma postura otimista diante da vida, do trabalho e da família. A generosidade também fazia parte de sua rotina. Quando alguém precisava de ajuda, não media esforços para cumprir seus compromissos e fazer o bem a quem estivesse por perto.
A amizade entre os dois também ultrapassava os momentos de lazer. Cristiano foi quem ensinou Geison a trabalhar com estética automotiva e compartilhou boa parte dos conhecimentos que havia adquirido ao longo da trajetória profissional.
Os dois mantinham contato praticamente todos os dias. Conversavam sobre a rotina e, quando Geison demorava a responder uma mensagem, Cristiano não deixava passar. Ligava para saber se estava tudo bem ou aparecia pessoalmente no trabalho do amigo para uma visita e um chimarrão, sempre acompanhado da alegria que lhe era característica.
O amigo que virou irmão
Outra pessoa que guarda uma história de longa amizade com Cristiano é Felipe Premaor. Foram 18 anos de convivência, momentos de comemoração, dificuldades e uma amizade que, com o passar do tempo, ganhou contornos de irmandade.
Felipe lembra de Cristiano como alguém de coração enorme e sempre disposto a estar ao lado da família e dos amigos. Uma das lembranças mais importantes entre os dois aconteceu quando Cristiano descobriu que seria pai. Ele confiou ao amigo a missão de batizar e ser padrinho de sua filha, Maria Helena.
Para Felipe, esse foi um dos maiores presentes deixados por Cristiano. Hoje, aos três anos, Maria Helena representa também a continuidade de um vínculo que permanece mesmo depois da partida do amigo. “Deixou um legado de homem forte e corajoso, de uma pessoa de caráter”, resume.

Segundo ele, Cris era aquele amigo que muitas vezes deixava de fazer algo por si para ajudar outra pessoa. “Não era qualquer motivo que o deixava abalado, ele sempre falava ‘deixa que eu resolvo’. Também fazia questão de honrar os pais e buscava o bem da esposa, Simone Cândido, e da filha, a quem amava profundamente”, declara.
Paixão pelas motos
Desde adolescente, Cristiano tinha nas motos uma de suas grandes paixões. Participou de competições de motocross e também de provas entre amigos no kartódromo de Bento Gonçalves.
A paixão pelas motos não era, porém, a única forma encontrada por ele para aproveitar os momentos de lazer. Gostava de andar de bicicleta, sair para jantar com a família e viajar para a praia.
Além disso, ao lado do amigo e compadre Felipe Premaor e do cunhado Jucemar Pérego, Cristiano ajudou a construir um espaço para festas e jantas na Linha Zemith, que ficou conhecido carinhosamente como “Barraco”. O local se tornou cenário de encontros e momentos de lazer dos amigos.
Cristiano Foquezatto valorizava muito família e amigos
A família sempre ocupou um lugar central na trajetória de Cristiano Foquezatto. Além da esposa e da filha, Cristiano era muito ligado aos pais, Pedro Foquezatto e Marisa Moro, e ao irmão Pedro Henrique, conhecido como Pili.

Para o amigo Geison Reginini, a forma como tratava as pessoas é um dos principais legados deixados por ele. Honestidade, empatia, responsabilidade e disposição para ajudar são características que, segundo o amigo, devem permanecer vivas entre aqueles que conviveram com Cris.
Mesmo durante o período de tratamento, Cristiano manteve essa maneira de se relacionar com as pessoas. Geison esteve próximo dele em consultas e deslocamentos para atendimento em Passo Fundo, no Hospital de Clínicas, e em outros momentos relacionados ao tratamento.
A confiança entre os dois se manteve até os momentos mais difíceis. Geison também conta que Cristiano confiava nele e na sobrinha Janes Cândido para acompanhá-lo quando precisava tratar de questões relacionadas à saúde.
A descoberta da doença foi um choque para quem o conhecia. O amigo Felipe Premaor conta que, durante os 18 anos de amizade, nunca havia visto o amigo doente. No início, procurou incentivá-lo a manter a fé e acreditar que aquele seria apenas um período difícil.

O tratamento trouxe uma nova realidade, mas não apagou as características que marcaram sua vida. Cristiano continuou cercado por pessoas que buscavam estar ao seu lado e ajudá-lo durante a caminhada.
Para Geison, essa rede de apoio mostrou o quanto Cristiano era querido. “Fica o meu agradecimento a todos que ajudaram e não mediram esforços em prol do seu tratamento. Tenho certeza que ele ficou muito feliz e se sentiu acolhido pelos amigos e até mesmo por quem não o conhecia, mas sabia que era uma cara nota 10”, frisa.
Agora, para aqueles que ficaram, a ausência ainda é difícil de compreender. Geison afirma que Cristiano não gostaria de ver ninguém triste ou enfrentando dificuldades. Por isso, acredita que a melhor forma de manter sua memória viva é continuar aquilo que ele fazia em vida: ajudar, estar presente, demonstrar sentimentos e não deixar para depois um pedido de desculpas, um abraço, uma ligação ou um perdão.
O amigo Gilberto Piuco também ressalta a dedicação em tudo que ele fazia. “Sempre querendo se superar. Muito atencioso e prestativo com seus próximos, acima de tudo tinha respeito com os demais colegas, tanto no serviço quanto nas competições que ele disputava”, afirma.
Depois da partida de Cristiano, uma das lembranças que ficarão para sempre, segundo Piuco, são suas palavras. “Ele sempre dizia: ‘Quem freia perde e o segundo lugar é o primeiro perdedor’”.




