Quinta-feira, 01 de Outubro de 2026

ÚLTIMA HORA

O Brasil que queremos começa dentro de casa

No próximo domingo, 4 de outubro, voltamos a falar sobre o futuro do Brasil. Em tempos de eleição, discutimos política nas mesas de jantar, nas redes sociais, nos grupos de família e nas rodas de amigos. Falamos sobre aquilo que precisa mudar, sobre o que está errado e sobre o país que gostaríamos de ter.
Em meio a tantas opiniões, uma pergunta não sai da minha cabeça: que Brasil estamos construindo dentro da nossa própria casa?
Cobramos honestidade de quem ocupa cargos públicos (com toda a razão), mas o que nossos filhos aprendem quando veem um adulto tentando levar vantagem em pequenas situações? Cobramos respeito, mas como tratamos quem pensa diferente de nós ou como tratamos o professor do filho? Queremos justiça, mas será que aceitamos as regras quando elas não nos favorecem?
É fácil indignar-se com aquilo que acontece longe. Mais difícil é olhar para os pequenos gestos de todos os dias.
O Brasil também está na fila que não furamos, no lixo que não jogamos pela janela, na vaga que respeitamos, na palavra que cumprimos e no troco recebido a mais que devolvemos. Está na maneira como tratamos um funcionário, um professor, um idoso ou alguém que não pode nos oferecer nada em troca.
E está, principalmente, naquilo que nossos filhos nos veem fazer.
Porque criança aprende muito menos com discursos do que com exemplos. Não adianta ensinar que mentir é errado e mentir a idade para não pagar o espeto corrido de domingo do filho. Não adianta exigir respeito na escola se, diante dela, desrespeitamos quem ensina. Não adianta reclamar da corrupção quando normalizamos pequenas vantagens porque “todo mundo faz”.
Talvez uma das maiores contradições do nosso tempo seja exigir grandes virtudes dos outros enquanto perdoamos facilmente as nossas pequenas faltas.
Independentemente de partidos, candidatos ou ideologias, existe uma responsabilidade que nenhuma eleição transfere para outra pessoa: a responsabilidade sobre aquilo que fazemos todos os dias.
Uma urna pode escolher representantes. Mas não consegue escolher por nós que tipo de pais seremos, que exemplos daremos, como trataremos o próximo ou quais valores deixaremos para nossos filhos.
Às vezes esperamos que Brasília, o governo, a escola ou alguma grande liderança conserte aquilo que também precisa ser reconstruído dentro de cada família.
Talvez transformar um país pareça uma tarefa grande demais. Mas formar uma criança honesta, ensinar alguém a respeitar, cumprir a própria palavra, reconhecer um erro, pedir desculpas e fazer o certo mesmo quando ninguém está olhando já é uma forma silenciosa de transformação.
Neste domingo, muita gente pensará sobre o Brasil que deseja para os próximos anos.
Mas vamos pensar, principalmente, no Brasil que estamos ajudando a construir todos os dias.
Porque antes de existir nas leis, nos discursos e nas urnas, o país que queremos começa nos exemplos que damos e recebemos dentro de casa.

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