Quarta-feira, 23 de Setembro de 2026

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Churrasco, gaita e amizade de 15 anos transformam bar no Fenavinho no epicentro da cultura gaúcha e sertaneja em Bento Gonçalves

Em um tradicional encontro no bairro Fenavinho, acordes de gaita, churrasco na brasa e amizades de mais de 15 anos transformam o Bar e Lancheria Paulinho no epicentro da autêntica cultura gaúcha e sertaneja em Bento Gonçalves

O relógio mal aponta o meio-dia de sábado e o aroma do churrasco na brasa já se mistura ao som inconfundível do sapateio e do dedilhar de uma gaita de botão. Quem passa pelo bairro Fenavinho, em Bento Gonçalves, é inevitavelmente atraído por uma catarse de som, sabor e nostalgia que toma conta do Bar e Lancheria Paulinho.

Ali, o cardápio vai muito além da cerveja gelada e do bom vinho para os dias frios: serve-se, semanalmente, uma dose generosa de amizade e resgate cultural.

Toda a história dessa confraternização começou a ser desenhada há mais de 15 anos, nas andanças boêmias da capital do vinho. A turma de amigos, que se conheceu e se formou na noite local, encontrou desde fevereiro deste ano o porto seguro ideal para perpetuar seus encontros. O palco escolhido não poderia ser mais autêntico.

Do balcão à cantoria, a alma do negócio

O quartel-general desse reduto boêmio é capitaneado pelos irmãos Paulo Miguel Galves e Zair “Gringo”. Paulinho, como é popularmente conhecido, traz na bagagem a essência acolhedora da Serra. Natural de Veranópolis, ele adotou Bento Gonçalves como lar há 45 anos. Com um currículo eclético que inclui o comando de restaurantes e até a gestão de uma construtora, ele encontrou na lancheria o espaço perfeito para acolher os seus amigos. “É um encontro de amigos onde recordamos o passado, nos reunindo para confraternizar com churrasco, vinho ou cerveja e a boa música”, resume o proprietário, com o sorriso de quem sabe receber bem cada cliente.

Paulinho (em pé na foto) é o proprietário do Bar e Lancheria do Paulinho no bairro Fenavinho

A cantoria, que se tornou marca registrada do local, inicia logo após o almoço e estende-se, sem pressa, até o final da tarde. O ambiente é democrático e acústico: gaita, cajón, violão, viola, pandeiro e o imponente bombo leguero ditam o ritmo da tarde.

Um cancioneiro sem fronteiras

O repertório musical do grupo é uma verdadeira viagem cronológica e geográfica pelas raízes da música popular sulista e brasileira. Quem frequenta o local ouve a potência do nativismo e do fandango tradicionalista através de clássicos de Os Serranos, Mano Lima, Gaúcho da Fronteira, Porca Véia, Teixeirinha, Cenair Maicá, Os Monarcas, José Mendes, Baitaca, Pedro Ortaça e Gildo de Freitas.

Mas o ecletismo fala mais alto. A trilha sonora abre espaço para o balanço das bandinhas que movem o Sul, como Corpo & Alma, Banda Legal, Os Atuais e San Marino, e faz uma parada obrigatória no sertanejo raíz. As vozes ecoam sucessos imortais de Leandro & Leonardo, Milionário & José Rico, Sérgio Reis, Chitãozinho & Xororó, Zezé Di Camargo & Luciano e João Mineiro & Marciano, entre outros.

Personagens de uma herança viva

A engrenagem desse encontro é movida por figuras marcantes da comunidade. O empresário Antônio Carlos Zilio, o popular “Toninho”, assume o protagonismo na marcação do tempo e no gogó. Ele solta a voz, faz a segunda voz em harmonias precisas e comanda o pulsar do bombo leguero. “É uma recordação incrível e adorável, pois reunimos os amigos de longa data e nos divertimos muito”, destaca Toninho.

Hélio e Íris Kinzel foram a dupla “Os Canarinhos da Serra” e estão na música há 51 anos

Outra presença que eleva o nível técnico e emocional da reunião é o casal Hélio José Kinzel e Íris Kinzel. Moradores de Bento Gonçalves, eles carregam na bagagem impressionantes 51 anos de estrada na música. Sob o nome artístico de “Os Canarinhos da Serra”, o casal apresenta releituras sofisticadas do sertanejo e da música nativista, sem esquecer as origens étnicas da região, brindando os presentes com canções tradicionais alemãs e italianas.

O grupo reúne talentos de diferentes trajetórias e regiões. O mais experiente da turma é o gaiteiro garibaldense Auri Pertile, que tem 25 anos de carreira e chama a atenção de quem passa com sua voz marcante e releituras de clássicos nativistas através da gaita. Ele que já foi gaiteiro da “Maria Fumaça” em Bento Gonçalves. Os acordes e solos de violão e viola ficam por conta de Lauri Cipriano, músico há mais de três décadas, enquanto Gelson de Oliveira Vieira dita o ritmo perfeito no cajón. Fechando o quarteto, o curitibano Rudimar Padilha comanda o bombo leguero; ele se mudou para Bento Gonçalves há seis meses e, desde então, marca presença constante em todos os encontros.

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