Para roubar dados pessoais e bancários de idosos, criminosos enviam mensagens de urgência, intimidação psicológica e ameaças de suspensão imediata de benefícios das vítimas. A Previdência Social avisa que o procedimento oficial de checagem é totalmente automático, por cruzamento de sistemas, e alerta para riscos de links falsos ao telefone
Uma nova modalidade de estelionato digital acendeu o sinal de alerta entre autoridades policiais e órgãos de defesa do consumidor no Rio Grande do Sul e no país. Criminosos estão se passando por funcionários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) para aplicar o chamado golpe da falsa prova de vida. O principal objetivo das quadrilhas é capturar informações de aposentados e pensionistas, como números de documentos, fotos e dados bancários.
Segundo a 1ª Delegacia de Polícia (1ª DP) de Bento Gonçalves, a abordagem costuma ocorrer por meio de mensagens via WhatsApp, SMS ou ligações telefônicas, demonstrando conhecimento de dados prévios das vítimas para conferir credibilidade à farsa. Os golpistas afirmam que o cadastro previdenciário do segurado está desatualizado. Sob a forte ameaça de suspensão imediata do pagamento, eles induzem o idoso a clicar em links (endereços na internet) que clonam portais governamentais ou a enviar fotografias segurando documentos de identificação.
Procedimento automatizado
De acordo com a assessoria de Comunicação do Governo Federal, o Ministério da Previdência Social emitiu um aviso urgente reforçando que a prova de vida é realizada de forma automática pelo INSS. O sistema utiliza o cruzamento de bases de dados de órgãos públicos e parceiros comerciais, registrando, por exemplo, o histórico de vacinações, votações na Justiça Eleitoral, renovação de carteira de identidade ou movimentações financeiras com biometria.
Dessa forma, o segurado não precisa se deslocar nem enviar dados a terceiros. O instituto ressalta em nota suas diretrizes de segurança: “o INSS nunca envia servidores a residências para solicitar dados; jamais são solicitadas senhas, nem biometrias corporais ou transferências em dinheiro por telefone”.
O que diz a polícia?
A comandante do 43º Batalhão de Polícia Militar (43º BPM) de Bento Gonçalves, Tenente-Coronel Karine Pires Soares, salienta que a Brigada Militar faz um apelo importante para que a população não se sinta constrangida caso caia em uma fraude. Os criminosos utilizam técnicas avançadas de manipulação psicológica para enganar as pessoas, por isso a corporação ressalta que denunciar o fato é um passo indispensável, pois viabiliza as investigações policiais e fornece subsídios para evitar que outras pessoas se tornem vítimas na região. “Para evitar perdas financeiras e a exposição de dados, a Brigada Militar orienta a comunidade a seguir algumas condutas práticas: nunca forneça senhas, códigos de verificação ou dados bancários em ligações, mensagens de WhatsApp ou links recebidos e desconfie de pedidos urgentes de dinheiro. Mesmo que a mensagem pareça ser de amigos ou familiares, ligue de volta para a pessoa utilizando um número de telefone já conhecido antes de realizar qualquer ação. E jamais compartilhe a tela do seu celular ou autorize o acesso remoto ao aparelho a pedido de terceiros. O ideal é bloquear o número”, explica a comandante.





