Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026

ÚLTIMA HORA

A ESPADA DA JUSTIÇA SOBRE SEUS MEMBROS

A cada dia aparece mais um ingrediente no caldeirão do Banco Master, revelando “chefs” das mais diversas e diferentes áreas dos ambientes de poder da República, cuja mesa farta, nota-se, pratos de requintado valor, serviam àqueles que serviam à própria mesa e dos assentados às cadeiras, diga-se, uma lista ilustre, mas às escuras até então.

Escuridão que, à luz dos princípios constitucionais da moralidade e publicidade determinadas pelo Ministro André Mendonça, na semana passada, revelaram mensagens temporárias que historicamente restarão atemporais, registradas no WhatsApp de Vorcaro, proprietário do Banco Master, dirigindo-se à alta autoridade do STF, PGR e Polícia Federal, cujo grau de intimidade, sem os tradicionais e respeitosos pronomes de tratamento, V. Exa., meritíssimo, data vênia, aliado a lembranças saudosas de experiências vivenciadas junto à boa mesa e a caras bebidas, sinaliza um tom de amizade sem formalidades, no mínimo estranho, sabendo-se de que lado da mesa está o Estado de Direito na sala de audiência.

Sem adentrar nos detalhes de cada mensagem, apuradas em investigação da própria Polícia Federal e amplamente divulgadas pela mídia, contudo, dada a consequência da gravidade destas, se assim provadas, não se faz necessário ser estudante de Direito ou ter a mínima instrução acerca da legislação para entender que há algo esquerdo em tudo isso…

A nítida divisão de algumas das maiores instituições de Estado na pessoa de seus dirigentes acerca dos fatos e quanto à forma de conduzir tais investigações a partir de então deixa claro um temor que não deveria existir, caso as próprias instituições não estivessem em risco, ou seja, à mercê de algum outro interesse que não fosse maior que a sua própria função de ordem pública.

Diante de tais acontecimentos, num primeiro momento, difícil não ser tentado a se investir de poderes e julgar a própria JUSTIÇA parece o caminho mais óbvio e legítimo.

Contudo, talvez estejamos, dessa forma, caindo na fácil armadilha de quem se investiu de poderes que não os tinha ou os usou indevidamente a seu único favor, ferindo o princípio da impessoalidade em detrimento da CONSTITUIÇÃO que deveria zelar e julgar segundo seus preceitos.

Porém, como sociedade destinatária legítima do sistema judiciário do qual se quer nada mais, nada menos do que a JUSTIÇA na sua forma mais ampla e ao mesmo tempo simples, despojada de cores, ideologias, política, nomes, sobrenomes, amizades e tão pouco autopaladinos da mesma, COBRAR da mais alta corte, o STF, a apuração e o julgamento justo e célere do escândalo do Banco Master e casos correlatos, entendo, É HOJE o maior compromisso do cidadão brasileiro, sob pena de ver a imagem da JUSTIÇA outrora desrespeitosamente riscada de batom, num futuro próximo apagada e desacreditada de seu mister, pois “justiça” seletiva e relativa jamais carregará consigo a honra suprema de ser chamada JUSTIÇA!!!

Enfim, a espada da JUSTIÇA se ergue sobre si própria e o risco de não cortar os membros que não honram esta mesma espada é deixar ferir de morte sua própria história, como última trincheira da democracia que sempre o foi, bem como a sociedade a quem jurou protege-la sob o manto da Constituição, sua maior guardiã.
Um veredito temerário e sombrio, por ora, sem recurso.

Seguimos Tendo Fé na JUSTIÇA!

Vamos em frente!

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