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Responsáveis explicam como as linhas e horários de ônibus urbano são definidos

Atendendo a diversas reclamações de usuários sobre os horários do transporte coletivo em Bento Gonçalves o Jornal Semanário ouviu o Poder Público e as duas empresas responsáveis pela operação do transporte coletivo.
O secretário de Gestão Integrada e Mobilidade Urbana, Diego Salini, explica que o transporte público municipal é regulamentado pela Lei nº 6.784/2021, que organiza o serviço de transporte coletivo de passageiros nas áreas urbana e distrital. “A legislação define as regras de operação, as tarifas, os itinerários e as obrigações das empresas e do poder público. Através de concessão para as empresas que operam”.

Como definem
Questionado sobre como o município define as regiões a serem atendidas, os horários e os itinerários, ele afirma: “A Legislação vigente exige no mínimo duas empresas prestadoras de serviço, justamente para maior abrangência no atendimento das áreas. As definições atualmente atendem aos interesses das empresas atuantes e da demanda dos munícipes”.

De acordo com Leonardo Giordani, diretor, a empresa Santo Antônio, possui informações sobre a movimentação de passageiros e o comportamento das linhas e dos horários. Esses dados são utilizados para identificar oportunidades de melhoria no serviço. “A avaliação é feita conjuntamente com a Prefeitura, considerando a demanda, as características das regiões, os horários de maior movimentação, a disponibilidade da frota, as condições viárias e a sustentabilidade econômica do sistema. A empresa mantém uma relação de parceria com o Município. A Prefeitura possui papel fundamental como poder concedente, enquanto a empresa contribui com sua experiência operacional e com os dados do dia a dia para aperfeiçoar o sistema”, relata.

Avaliação
Giordani menciona que a avaliação da empresa é positiva. “Bento Gonçalves possui um sistema de transporte coletivo de qualidade, com uma frota moderna, ônibus novos, acessibilidade, tecnologia e investimentos permanentes na melhoria do serviço. Naturalmente, o transporte coletivo precisa ser avaliado continuamente. A empresa e a Prefeitura, como poder concedente, acompanham a demanda e identificam horários e regiões que eventualmente necessitem de ajustes “, avalia.

O que impacta
Além da oferta de horários, a circulação dos ônibus também é influenciada pelas condições de mobilidade urbana. O diretor da empresa Santo Antônio aponta que o município possui características urbanas que impactam no transporte coletivo. “O trânsito, especialmente nos horários de maior movimento, interfere na velocidade e na regularidade dos ônibus. Por isso, a discussão sobre transporte coletivo não deve considerar apenas a quantidade de veículos e horários mas, também, a mobilidade urbana como um todo”, recomenda.

Segundo Gustavo Toniolo, diretor da Bento Transportes e presidente da RTI, a circulação dos veículos é um dos fatores que precisam ser considerados. “Não adianta termos uma frota moderna e uma boa programação de horários se o ônibus fica preso no trânsito. Quando isso acontece, o sistema perde eficiência, o passageiro perde tempo e aumenta a percepção de que o transporte coletivo não funciona adequadamente. Por isso, o transporte coletivo precisa ser tratado como parte de uma política mais ampla de mobilidade urbana”, avalia.

Usuários
Em relação aos questionamentos dos usuários do transporte público, Salini menciona que as queixas recentes de solicitações de horários foram informadas às empresas, que realizam um levantamento e avaliação de cada caso.
Giordani afirma que essas reclamações são pertinentes. “A partir delas, podemos identificar situações que mereçam uma análise mais aprofundada. É importante, porém, diferenciar uma percepção pontual de uma necessidade estrutural. A empresa acompanha os dados efetivos de passageiros e da operação para que eventuais alterações sejam feitas com base em informações concretas”, conta.

Ele afirma que existem períodos e regiões com mais demandas, especialmente nos horários de entrada e saída de trabalhadores e estudantes. “A empresa acompanha essas movimentações por meio dos dados de passageiros, da utilização dos veículos, das manifestações dos usuários e das informações obtidas na operação diária. Mais do que simplesmente aumentar a quantidade de horários, o objetivo deve ser colocar o transporte certo nos locais e nos períodos em que a população realmente necessita”, afirma.

Salini explica que, quando há reclamações ou solicitações relacionadas aos horários, a demanda é encaminhada ao setor de logística da empresa responsável. A partir disso, é realizado um estudo e, quando necessário, uma linha-teste é colocada em operação. Caso seja constatada a necessidade de manter o itinerário para o local, a linha passa a operar de forma fixa. Além disso, ele explica: “As penalidades por descumprimentos contratuais ou operações incluem advertências, multas, suspensão temporária e até mesmo rompimento do contrato”.

Tarifas
Outro ponto que integra a discussão sobre o transporte coletivo é o valor da tarifa. Gustavo Toniolo, diretor da Bento Transportes, afirma que elas são analisadas sob duas perspectivas. “O impacto para o usuário e o custo necessário para manter um transporte coletivo de qualidade. Ela não é definida unilateralmente pelas empresas. O Município, como poder concedente, possui papel fundamental nesse processo, observadas as regras legais e contratuais. As empresas fornecem as informações referentes aos custos e à operação para que, conjuntamente com a Prefeitura, seja possível avaliar o equilíbrio do sistema”, diz.

Toniolo menciona que entre os principais custos estão mão de obra, combustível, manutenção, pneus, seguros, impostos, tecnologia, renovação da frota e outras despesas necessárias para manter o serviço funcionando com qualidade. “O setor de transporte coletivo sofreu aumentos importantes de custos nos últimos anos. Ao mesmo tempo, a renovação da frota exige investimentos elevados, especialmente quando buscamos oferecer veículos modernos, acessíveis, seguros e confortáveis. Bento Gonçalves possui uma frota de qualidade, e isso é resultado dos investimentos realizados pelo sistema ao longo dos anos”, avalia.

O representante reconhece que o custo do transporte coletivo tem impacto no orçamento das famílias, mas ressalta que é necessário considerar também a estrutura e os investimentos realizados para garantir a qualidade do serviço. “A acessibilidade econômica precisa estar permanentemente presente nessa discussão. Ao mesmo tempo, Bento Gonçalves possui um sistema que entrega aos usuários uma frota moderna, veículos de qualidade, acessibilidade, segurança e investimentos permanentes”, relata.

Estacionamento rotativo pode ser alternativa para financiar transporte coletivo

As gratuidades também fazem parte da discussão sobre os custos do transporte coletivo. De acordo com Leonardo Giordani, diretor da Santo Antônio, esse é um aspecto necessário quando se fala em transporte público. “As gratuidades cumprem uma função social importante e representam direitos que devem ser respeitados. No entanto, quando esses benefícios não possuem uma fonte específica de custeio, seu custo acaba sendo incorporado ao sistema e absorvido pela tarifa paga pelos demais passageiros. Na prática, isso significa que um grupo cada vez menor de usuários pagantes precisa ajudar a financiar não apenas a própria viagem, mas também os benefícios concedidos aos passageiros que utilizam o serviço gratuitamente”, analisa.

O que pode ser feito
Diante dos custos envolvidos na manutenção do transporte coletivo, a busca por novas fontes de financiamento aparece como uma das alternativas para reduzir a pressão sobre a tarifa. Gustavo Toniolo afirma que Bento Gonçalves pode avançar nesse debate. “Uma possibilidade que poderia ser estudada seria a destinação de parte da arrecadação do estacionamento rotativo para o financiamento do transporte público. A lógica é interessante: o espaço viário é um patrimônio coletivo e, quando utilizado para o estacionamento de veículos particulares, parte dessa receita poderia retornar para a própria mobilidade urbana, ajudando a financiar um transporte coletivo de qualidade. Não se trata de uma proposta fechada, mas de uma ideia que poderia ser avaliada conjuntamente pela Prefeitura, pelas empresas e pela sociedade, dentro das possibilidades legais e orçamentárias do Município”, menciona.

Ele acrescenta que outras fontes de financiamento também podem ser estudadas. “Quanto maior a participação de fontes alternativas, menor tende a ser a pressão para que todo o custo do transporte seja suportado exclusivamente pelo passageiro”, afirma.

Toniolo afirma que o subsídio público não deve ser visto simplesmente como um custo para o Município, mas como um investimento em mobilidade urbana. “É possível pensar em fontes alternativas. A utilização de parte da arrecadação do estacionamento rotativo para ajudar a financiar o transporte coletivo é um exemplo que merece ser estudado. Quem utiliza o espaço público para estacionar poderia contribuir, ainda que indiretamente, para financiar uma alternativa de mobilidade que beneficia toda a população. Outras receitas relacionadas à mobilidade urbana também poderiam ser avaliadas pelo Município, sempre dentro da legislação e com transparência”, afirma.

Giordani nota que é necessário buscar alternativas que distribuam melhor esse custo e evitem que ele recaia exclusivamente sobre quem utiliza o transporte coletivo. “É necessário discutir formas de financiamento que preservem as gratuidades sem concentrar todo o seu custo sobre quem paga a passagem. O ideal é que benefícios definidos como política pública tenham fontes públicas, específicas e transparentes de custeio. Essa mudança ajudaria a reduzir a pressão sobre a tarifa e permitiria tornar o transporte coletivo mais acessível para toda a população”, diz.

GPS
De acordo com Secretário de Gestão Integrada e Mobilidade Urbana, Diego Salini a Secretaria Municipal de Gestão Integrada e Mobilidade Urbana disponibiliza atualmente de GPS nos veículos do Transporte Urbano o monitoramento é realizado em tempo real. “Qualquer queixa referente aos horários de itinerário é possível fazer a checagem e verificar se o veículo vem se atrasando rotineiramente ou se foi algo isolado. Identificado o problema, a fiscal da secretaria contata a empresa solicitando os ajustes. A SEGIMU, mediante do Setor de Transportes, mantém relação estreita com as empresas para ajustes e melhoramento dos serviços prestados”, finaliza.

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