Motoristas que utilizam diariamente a ERS-444, em Bento Gonçalves, relatam preocupação com as condições da rodovia.

O mecânico Anderson Vaccaro utiliza a via todos os dias e considera que a rodovia não oferece a estrutura necessária para o intenso fluxo de veículos. “É uma importante rodovia para o escoamento da nossa produção e até para a entrada dos turistas na cidade, para quem vem do sentido Caxias do Sul. Eu vi a prefeitura fazendo a manutenção durante a ExpoBento, mas agora está completamente abandonada”, afirma.
O mecânico Alencar Molon ressalta que a situação vai além do pavimento. Para ele, a falta de roçadas frequentes e de melhorias na sinalização compromete a segurança dos usuários. “A questão da roçada e do acostamento preocupa. O mato fecha bastante o acostamento e parece que a manutenção acontece apenas uma vez por ano. Além disso, temos uma oficina de caminhões e precisaríamos de placas indicando entrada e saída de veículos pesados. Está difícil manobrar e existe risco de acidente porque muitos motoristas não respeitam a velocidade”, relata.
Molon afirma que representantes da administração municipal estiveram recentemente no local para avaliar a situação e informaram que estudariam medidas como a instalação de placas e dispositivos para redução de velocidade.
Moradora da região, Fabiana Osmarini Molon avalia que a rodovia recebe pouca atenção, apesar de ser uma rota utilizada por turistas que visitam atrativos como os Caminhos de Pedra. “Percebemos que está um pouco abandonada. O asfalto está precário, a sinalização também e faz tempo que não é feita uma roçada. É uma entrada turística e também precisa oferecer segurança para quem transita por aqui”, comenta.
Fabiana também observa que o descarte irregular de lixo por parte de alguns moradores contribui para a degradação do local. “Se cada um fizesse sua parte já ajudaria”, enfatiza.

A situação também preocupa empresários instalados às margens da rodovia. O sócio-diretor de uma empresa local, Lucas Menegat, afirma que este trecho, que fica entre o trevo da RSC-453 e a região próxima à Vila dos Eucaliptos precisa ter uma manutenção constante do pavimento e da sinalização. “Tudo isso foi esquecido pela prefeitura depois da municipalização desta rodovia”, afirma.
Menegat cita ainda problemas relacionados ao acostamento e lembra que um deslizamento de terra ocorrido em maio de 2024 ocupou parte da área lateral da pista. “Houve um deslizamento que tomou parte do acostamento e o material sequer foi retirado. É uma negligência que coloca em risco os usuários da rodovia”, diz.
Segundo ele, empresários e moradores também reivindicam melhorias para facilitar o acesso de caminhões e aumentar a segurança das conversões de veículos na pista. Para Menegat, a solução passa por um programa amplo de recuperação da estrada. “É necessário um plano urgente de recapeamento completo, nova sinalização vertical e horizontal e manutenção permanente do acostamento. O último recapeamento total ocorreu em 2015. De lá para cá os únicos serviços que a Prefeitura executa são as roçadas do acostamento quando se aproxima alguma feira, já que é o acesso principal aos pavilhões da Fundaparque. A via está em péssimas condições. Às vezes o que recebemos é uma carga de sobras de asfalto que se dissolve a cada chuva forte”, avalia.
O que diz a prefeitura
Em nota, o poder municipal informou que o trecho pertencente ao município encerra antes das novas obras realizadas no trevo do Barracão. A administração municipal acrescentou que segue realizando ações de limpeza e manutenção na via.




