“A comunidade deve ser acolhedora, trabalhar unida e não deixar de lado a espiritualidade.” A reflexão do padre Sérgio Tonet durante a missa que abriu a 45ª Festa em Honra a Santa Marta resumiu uma das principais características da comunidade do bairro Santa Marta, em Bento Gonçalves. Celebrada na manhã de domingo, 26, a programação reuniu fiéis na capela, seguida de almoço festivo, sorteio do rifão e reunião dançante no salão comunitário.
A expectativa inicial da organização era receber cerca de 620 pessoas, mas a participação superou a previsão. Conforme o presidente da comunidade, Rene Luís Guadagnini, aproximadamente 720 pessoas prestigiaram a festa ao longo do dia.
Comunidade
A missa que abriu a programação da celebração trouxe como reflexão a história da santa retratada nos evangelhos. Irmã de Maria e Lázaro, Marta é lembrada por acolher Jesus em sua casa e, segundo o padre Sérgio Tonet, seu exemplo permanece atual. “Marta acolheu Jesus em sua casa e esse gesto nos ensina a importância de receber bem as pessoas. A comunidade deve ser acolhedora, trabalhar unida e também cultivar a espiritualidade”, afirmou.
Ao final da celebração, o sacerdote também deixou uma mensagem aos fiéis. “Que ninguém desanime. É importante manter a fé, a esperança e a confiança em Deus, que continua caminhando conosco no dia a dia”, ressaltou.
Catarina Carraro Festa vive no bairro há 45 anos e participa das atividades da capela desde sua fundação. Há cerca de 40 anos, integra o grupo do terço e já atuou como catequista, ministra da Eucaristia e missionária. Atualmente, faz parte da Ordem Franciscana Secular. “Aqui todos se respeitam e trabalham unidos. É uma comunidade muito boa de fazer parte. Enquanto Deus me der saúde, quero continuar participando das atividades da igreja”, afirmou.

Organização
Presidente da comunidade há quatro anos e morador do bairro há 35 anos, Guadagnini afirmou que a organização contou com ampla participação dos moradores. “É tranquila de organizar porque a comunidade ajuda muito. Os festeiros se dedicam bastante e sempre encontramos pessoas dispostas a colaborar”, contou.
Segundo ele, os recursos arrecadados continuam sendo destinados à manutenção da estrutura do Salão da comunidade. O investimento mais recente foi a quitação do sistema de placas solares instalado no salão paroquial.
Trabalho Voluntário



Neste ano, a responsabilidade pela organização ficou a cargo dos casais Ari e Teresinha Pastório, Gilmar e Luciane Manara, Idomar e Elenita Neis e José Carlos e Maria Baseggio.
Luciane Manara afirmou que a missão foi encarada como um propósito de fé. “Foi um chamado que Deus confiou às nossas mãos. Tivemos preocupações, decisões importantes e muito trabalho, mas também construímos amizades que vamos levar para a vida. As reuniões deixaram de ser apenas encontros para organizar a festa e se transformaram em momentos de convivência e partilha”, relatou.
Segundo ela, o grupo percorreu empresas e estabelecimentos para viabilizar o evento. “Foram muitos caminhos em busca de patrocínios, brindes e doações. Em cada porta que se abriu e em cada gesto de generosidade sentimos que a festa estava sendo construída com o apoio de muitas pessoas”, afirmou.
Durante o encerramento da celebração, os festeiros agradeceram aos patrocinadores, voluntários e moradores que contribuíram para a realização e fizeram a passagem da missão aos casais responsáveis pela edição de 2027: Gilmar e Analice Bussolotto, Jorge Werner e Margaret De Oliveira, Mário Ritter e Nilza Foiato, Albino Bem e Ana Maria Chiella.

Tradição
A preparação da festa também mobiliza pessoas que atuam há décadas nos bastidores da comunidade. Maria Baseggio participa dos trabalhos voluntários da Capela Santa Marta há 35 anos e sempre coordenou a cozinha durante as festividades. Neste ano, além de integrar o grupo de festeiros, manteve a responsabilidade pelo setor. Tanto os cozinheiros quanto as pessoas responsáveis pelo atendimento das mesas trabalharam de forma voluntária durante a festa.
Para Maria, a devoção à padroeira ultrapassa o aspecto religioso. “Nossa inspiração é Santa Marta, mas o que mantém essa comunidade viva é o trabalho coletivo. O lema deste ano foi ‘Santa Marta, ensina-nos a seguir Jesus’, e isso também significa acolher as pessoas. Aqui convivem moradores de diferentes religiões e todos participam”, afirmou.





