ÚLTIMA HORA

Plano de contingência reduz impactos da cheia do Rio Taquari em Santa Tereza

O Rio Taquari atingiu 17,43 metros às 11h45 desta quarta-feira, 22, em Santa Tereza, provocando alagamentos em pontos da área urbana e mantendo o município em alerta ao longo do dia. O nível ficou abaixo das marcas registradas nas grandes enchentes recentes, quando o rio alcançou 24,04 metros em setembro de 2023 e 22,42 metros em maio de 2024. Apesar da elevação, nenhuma família precisou deixar a residência e os danos ficaram restritos, principalmente, à invasão de alguns porões. No período da tarde, o nível começou a apresentar redução.

Rotina alterada

Embora os impactos tenham sido menores do que em episódios anteriores, moradores relatam que a chuva intensa continua modificando a rotina da cidade. Aposentado, Luis Carlos Michelon conta que sempre procura auxiliar quem precisa quando o rio sobe. Para ele, Santa Tereza está mais preparada para enfrentar eventos como esse, principalmente após a construção de novas moradias para famílias que viviam em áreas mais vulneráveis. “Ninguém está totalmente preparado para um evento como esse, mas a cidade evoluiu. Quando começa a chover forte, a rotina muda porque a gente se preocupa e procura ajudar quem precisa”, diz.

Luis Carlos Michelon diz que, sempre que o Rio Taquari sobe, procura ajudar as famílias atingidas pela cheia (Foto: Jornal Semanário)

Comunicação e prevenção

Proprietária de um restaurante próximo ao rio, Débora Muller acompanhou a água chegar até a rua do estabelecimento. Apesar disso, o prédio não foi atingido. “A rotina muda completamente. A gente passa a retirar as coisas e esperar para ver até onde a água vai chegar. Desta vez percebemos que a cidade estava mais preparada, principalmente pelas informações repassadas durante todo o dia”, relata.

A água chegou até a rua do restaurante de Débora Muller (Foto: Jornal Semanário)

Segundo ela, o principal receio continua sendo preservar a estrutura do imóvel. “O nosso medo é que o prédio não permaneça de pé. Se a água entrar, a gente limpa, tira o barro e volta a trabalhar. O importante é não perder a estrutura”, afirma.

Moradora da região, Débora Lopes também acompanhou de perto a movimentação das equipes da prefeitura. Embora sua residência atual não tenha sido atingida, ela afirma que a apreensão permanece sempre que há previsão de chuva intensa. “A gente nunca sabe o que esperar. As previsões existem, mas ninguém consegue dormir tranquilo sem saber se a água vai subir antes do previsto. É uma preocupação constante”, comenta.

Ela reforça que a comunicação com os moradores foi intensificada durante o episódio. “Desde o dia anterior a prefeitura já estava avisando pelo grupo de WhatsApp e informando a altura do rio de hora em hora. Também deixaram caminhões disponíveis caso fosse necessário retirar os móveis”, relata.

A filha de Débora, Maria Eduarda Christ, mora em uma das primeiras áreas atingidas quando o Rio Taquari transborda. Ela conta que, diante da previsão de cheia, a retirada preventiva dos móveis ocorreu ainda nas primeiras horas do dia. “Aqui já existe um plano de contingência e todos sabem qual é o protocolo quando o rio começa a subir”, afirma.

Débora Lopes (à esq.) e a filha, Maria Eduarda Christ, monitoram a cheia ao lado dos demais filhos de Débora e da filha de Maria Eduarda (Foto: Jornal Semanário)

Plano de contingência

Segundo a prefeita Gisele Caumo, embora o município tenha registrado a elevação do rio e alagamentos em parte da área urbana, a situação permaneceu sob controle durante todo o monitoramento. “Nós tínhamos caminhões contratados pelo município e também disponibilizados por moradores do interior, caso fosse preciso retirar móveis e pertences. Felizmente nenhuma família precisou sair de casa. Quem mora em residências de dois andares apenas levou os pertences para o piso superior”, explica.

De acordo com a prefeita, a administração municipal acompanhou a evolução do rio por meio de medições frequentes e também monitorou a vazão das barragens, fator que influencia diretamente no comportamento do Taquari. “Quando o nível começou a baixar, já iniciamos a limpeza da área urbana onde a água havia invadido. Ao mesmo tempo, mantivemos equipes no interior do município porque também havia preocupação com possíveis deslizamentos”, afirma.

Gisele explica que os eventos climáticos enfrentados pelo município levaram Santa Tereza a aperfeiçoar os protocolos de resposta. “Vivenciamos praticamente todos os eventos climáticos desde setembro de 2023. Tivemos prejuízos significativos na infraestrutura, mas, felizmente, não perdemos nenhuma vida. Aprendemos muito com essas situações. Evitar um evento climático foge da nossa capacidade, mas podemos minimizar seus efeitos trabalhando com prevenção e mantendo o plano de contingência sempre atualizado”, ressalta.

Além da mobilização das equipes, a prefeitura também entrou em contato com moradores que vivem em áreas mapeadas como de risco para orientar sobre a necessidade de permanecer em alerta durante o período de maior volume de chuva. “Assim que identificamos um volume mais expressivo de precipitação, entramos em contato com todas as famílias que residem nessas áreas para que acompanhassem a situação e estivessem preparadas caso fosse necessário agir rapidamente”, conclui.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ANUNCIE CONOSCO

Sua marca em destaque para milhares de leitores