Tirando a parte difícil do início do inverno para quem não gosta do frio, existe mês melhor que junho?
Junho é o mês dos santos padroeiros, das festas juninas, do Dia dos Namorados, do feriado de Corpus Christi. É mês de Fenavinho e Expobento, de encontros, de celebrações e de tradições que atravessam gerações.
É o mês das comilanças sem culpa, do vinho compartilhado entre amigos, das compras em família, da missa de Santo Antônio, padroeiro de Bento Gonçalves. É também o mês do aniversário do meu filho, um geminiano daqueles, e do inevitável lembrete de que metade do ano já passou — mas, gosto de pensar, a melhor metade ainda está por vir.
Junho tem um ritmo próprio. É fim de semestre na faculdade, geralmente um período mais tranquilo para as crianças na escola. Quando não estamos grudados de suor como nos meses mais quentes, podemos passear sem pressa, observar os vinhedos entrando em seu repouso e contemplar a beleza dos vales cobertos pela neblina das manhãs frias.
O inverno da Serra tem seus encantos. Convida a um café passado na hora, a uma sopa de capeletti fumegante, a uma carbonara compartilhada entre amigos. Pede quentão, sagu ainda morno e até uma bergamota descascada lentamente ao sol de domingo.
Junho também nos ensina a desacelerar. As noites ficam mais longas, o café parece descer melhor e a lenha ganha protagonismo no fogão, aquecendo a casa e as conversas. É tempo de ouvir músicas que atravessam regiões do Brasil, de ver o Sul e o Nordeste se encontrarem nas quadrilhas, nas bandeirinhas coloridas e nas festas que celebram a simplicidade da vida.
Há algo de especial nos encontros ao redor de uma fogueira. Nas risadas compartilhadas, nas histórias repetidas pela centésima vez e que ainda arrancam gargalhadas. Junho nos lembra que o frio pode estar do lado de fora, mas que o calor humano continua sendo o melhor cobertor.
No fim das contas, talvez seja isso que faz de junho um mês tão querido. Ele nos ensina sobre contrastes. Sobre valorizar o calor depois de enfrentar o frio. Sobre encontrar beleza nos ciclos da natureza e da vida. Sobre compreender que o tempo passa depressa, mas que ainda podemos saboreá-lo com calma.
Não há mês como junho. E talvez a gente precise de um pouco dele para lembrar que a felicidade raramente está nos grandes acontecimentos. Ela costuma morar numa xícara de café quente, numa fogueira acesa, numa mesa cheia de gente querida e na certeza de que, apesar do frio, a vida continua aquecendo o coração.