Edição histórica reuniu cerca de 25 mil visitantes, movimentou a economia local e reforçou a força do turismo, da gastronomia típica e das tradições italianas na Serra Gaúcha
O aroma da polenta recém-preparada, o som da música italiana ecoando pela praça e ruas tomadas por visitantes marcaram a edição histórica de 30 anos do Polentaço, realizada em Monte Belo do Sul. A 13ª edição do evento encerrou neste domingo com recorde de público, reunindo cerca de 25 mil pessoas ao longo de três dias de programação voltada à valorização da cultura italiana, da gastronomia típica e do fortalecimento dos pequenos empreendedores da região.
A movimentação intensa foi percebida não apenas no entorno da Praça Padre José Ferlin, palco principal da festa, mas também nas ruas e acessos do município, que registraram grande fluxo de visitantes. Famílias, turistas e moradores lotaram os espaços do evento em uma celebração que uniu tradição, cultura, gastronomia e desenvolvimento econômico.
Principal atração da programação, o tradicional tombo da polenta gigante voltou a emocionar o público. Nos dois dias de derrame foram preparados 800 quilos de polenta por edição, totalizando cerca de 1,6 tonelada da iguaria distribuída gratuitamente ao público em aproximadamente sete mil cumbucas acompanhadas de molho de carne e queijo ralado.


Ao som da música italiana executada pela Orquestra de Sopros de Faria Lemos, centenas de pessoas acompanharam o momento em que a polenta escorreu do enorme tacho de ferro. Apesar de durar menos de um minuto, o espetáculo exige horas de preparação e mobiliza dezenas de voluntários entre cozinheiros e os chamados “polenteiros”, responsáveis pela distribuição da receita tradicional ao público.
O preparo demanda aproximadamente quatro horas de cozimento e utiliza cerca de 120 quilos de farinha de milho, 650 litros de água, seis quilos de sal e quatro litros de azeite. Além dos ingredientes, a produção envolve um trabalho coletivo que simboliza o espírito comunitário e as tradições herdadas dos imigrantes italianos que ajudaram a construir a identidade da região.
Turistas que visitavam o evento pela primeira vez se emocionaram com a experiência. A paulista Patrícia Malagon, de Cosmópolis (SP), destacou o impacto do momento. “Foi lindo, incrível”, afirmou ao acompanhar o tombo da polenta pela primeira vez.
Já a moradora de Bento Gonçalves Sandra Fronza ressaltou a emoção ao participar da festa. “Foi emocionante”, comentou enquanto provava o prato.
O clima de reencontros também esteve presente durante a programação. Para muitos visitantes, o Polentaço representa mais do que um evento gastronômico; é uma oportunidade de reviver memórias, fortalecer amizades e manter vivas tradições familiares construídas ao longo de gerações.
Novo formato amplia circulação e infraestrutura da festa



A edição comemorativa de 30 anos trouxe mudanças estruturais no entorno da Praça Padre José Ferlin. O palco principal ganhou nova localização, assim como o espaço reservado ao tombo da polenta e à exposição das esculturas produzidas com farinha de milho. Também houve ampliação das áreas gastronômicas e criação de novos espaços de convivência.
O secretário de Turismo e coordenador do evento, Alvaro Manzoni, afirma que as alterações foram planejadas para melhorar a experiência do público e acompanhar o crescimento contínuo da festa.
Segundo ele, o Polentaço vem registrando aumento constante de visitantes a cada edição, o que exigiu adaptações no espaço interno da praça. “Colocamos o palco em um lugar mais amplo, o tombo da polenta em outro espaço maior e as esculturas em um ambiente mais aconchegante. Tudo isso melhora o fluxo das pessoas e dá mais comodidade ao turista”, destaca.
Manzoni também ressalta que o número de expositores aumentou significativamente neste ano. Conforme ele, houve ampliação de cerca de 20 espaços em relação à edição anterior, além de uma fila de espera com interessados em participar da festa. “Isso demonstra a força que o evento conquistou e o quanto ele se tornou atrativo para os empreendedores”, enfatiza.
A procura crescente por espaços já faz a organização pensar em ampliações futuras. A expectativa é que novas adaptações possam ser realizadas nas próximas edições para atender à demanda crescente de público.
Evento fortalece economia e turismo local
Além da programação cultural, o Polentaço também movimentou significativamente a economia local. O evento reuniu 31 empreendedores de Monte Belo do Sul e outros 15 expositores convidados, entre agroindústrias, vinícolas, artesãos e estabelecimentos gastronômicos.
Durante os três dias de programação, os visitantes encontraram vinhos, espumantes, produtos coloniais, artesanato e uma ampla variedade gastronômica inspirada nas tradições da imigração italiana.
O prefeito de Monte Belo do Sul, Jorge Benvenutti, afirma que a festa se consolidou como uma vitrine do município e contribui diretamente para divulgar os atrativos turísticos da cidade. “O Polentaço mostra tudo que o município oferece em turismo. As pessoas vêm conhecer o evento e depois acabam retornando para visitar Monte Belo do Sul em outras oportunidades”, ressalta.
Benvenutti também destaca a importância dos pequenos empreendedores para o sucesso da programação. “Quem dá vida à festa são os expositores. As pessoas vêm, consomem os produtos locais e conhecem aquilo que é produzido aqui. O evento cria oportunidades e fortalece os negócios do município”, observa.
Cultura italiana toma conta das atrações
Ao longo do fim de semana, o Polentaço contou com intensa programação artística e cultural voltada à valorização da história italiana. Passaram pelo palco grupos musicais, corais, apresentações folclóricas e atrações típicas da imigração italiana na Serra Gaúcha.
Entre os destaques estiveram os grupos Ragazzi Dei Monti, Ballo D’Italia e Piccoli Ballerini, além das apresentações dos corais Musicando Melodias, Alegria de Cantar e Vozes em Sintonia, shows musicais e diversas interações culturais que aproximaram visitantes da história e das raízes do município.
Uma das novidades mais comentadas da edição foi a projeção mapeada na Igreja Matriz, realizada na noite de sábado. O espetáculo transformou a fachada do templo em uma tela com imagens ligadas à imigração italiana e à história do festival, tornando-se um dos pontos mais fotografados do evento.
Outro atrativo que chamou atenção do público foi a tradicional exposição de esculturas de polenta, considerada pelos organizadores única no mundo. Neste ano, as obras foram expostas na Casa Albanese, permitindo melhor visualização dos detalhes e maior interação do público com os trabalhos.
O concurso premiou a obra “Jogo da Morra”, da Vinhos Pasquali, em primeiro lugar. Já “A música me acalma”, do Coral Musicando Melodias, ficou em segundo, enquanto “Capela Nossa Senhora da Saúde”, da Comunidade Nossa Senhora da Saúde, garantiu a terceira colocação.
Ao encerrar a edição histórica, os organizadores já projetam crescimento para os próximos anos. “O Polentaço está consolidado na agenda turística da Serra Gaúcha e ainda tem muito potencial para continuar crescendo e surpreendendo o público”, afirma Manzoni.
Com três décadas de história, a festa reafirma seu papel não apenas como um evento gastronômico, mas como uma celebração da identidade cultural de Monte Belo do Sul, unindo tradição, turismo, empreendedorismo e pertencimento em uma experiência que segue atravessando gerações.