Diretora local detalha o caminho da água, orienta sobre vazamentos, pressão, esgoto e benefícios como a tarifa social

A rotina de um serviço essencial como o abastecimento de água e o tratamento de esgoto ainda gera dúvidas frequentes entre moradores de Bento Gonçalves. Reclamações sobre vazamentos, questionamentos sobre cobrança e incertezas sobre responsabilidades entre concessionária e consumidor estão entre os temas mais recorrentes. Diante desse cenário, a diretora executiva da Corsan- diretoria norte, Maraísa Mendonça Oliveira, detalha como funciona o sistema, quais são os deveres de cada parte e quais caminhos o cidadão deve seguir diante de problemas ou dúvidas.
Segundo a diretora, compreender o percurso da água é o primeiro passo para entender os encargos. “A nossa responsabilidade vai desde a captação, passando pelo tratamento, até a distribuição, chegando ao ponto de entrega, que é o hidrômetro. Até o hidrômetro é responsabilidade da Corsan. Do hidrômetro para dentro, a responsabilidade passa a ser do cliente”, explica. A regra segue a legislação nacional de saneamento e a regulamentação da agência responsável pelo setor.
Essa divisão, conforme destaca Maraísa, tem relação direta com a garantia da potabilidade da água. Uma vez entregue dentro dos padrões exigidos, a manutenção da qualidade passa a depender dos cuidados internos, como a limpeza periódica de reservatórios e a manutenção da rede interna do imóvel. “Para garantir que a água continue com a potabilidade da entrega, é preciso ter cuidados intradomiciliares”, reforça.

Vazamentos, consumo e descontos possíveis
Entre as dúvidas mais frequentes está a possibilidade de desconto na conta de esgoto quando parte da água consumida não retorna à rede. Atualmente, a taxa de esgoto corresponde a 70% do valor da água consumida, percentual definido em regulamento. “Não há abatimento automático por esse motivo. O que existe é a possibilidade de desconto em casos de vazamento interno comprovado e comunicado à concessionária ainda dentro do mês de consumo. Para isso, é fundamental registrar o problema com fotos, pois, uma vez comprovado o vazamento, o abatimento pode variar de 50% a 80% na fatura. No hidrômetro, os números pretos indicam os metros cúbicos consumidos, enquanto os vermelhos medem os litros. Na tarifa progressiva, a conta inclui a taxa de serviços básicos, paga por todos, somada ao volume de água utilizado, calculado em metros cúbicos, sendo que cada metro cúbico corresponde a mil litros. Caso a fatura venha acima do esperado, a orientação é simples: à noite, quando não houver mais consumo, faça uma foto do hidrômetro; na manhã seguinte, antes de abrir a primeira torneira, registre outra imagem. Se os números pretos tiverem mudado, isso indica vazamento interno. Com essas evidências em mãos, procure nossos canais de atendimento, pois nesses casos há possibilidade de abatimento”, esclarece a diretora.
A fatura é composta por taxa básica de serviços, consumo mensal e eventuais serviços adicionais solicitados pelo cliente. “Vazamentos na rua não influenciam a conta do consumidor. O que incide na fatura é o consumo registrado no imóvel”, enfatiza.

Esgoto, chuva e uso correto da rede
Outro tema recorrente envolve o direcionamento incorreto da água da chuva para a rede de esgoto. O sistema implantado no município é separador absoluto, ou seja, a rede de esgoto foi dimensionada exclusivamente para efluentes domésticos. “A água da chuva não pode ser direcionada para o esgoto. Quando isso acontece, dilui este, compromete o tratamento e pode causar extravasamentos”, explica.
A diretora destaca que o sistema de tratamento é biológico e depende de determinada concentração de matéria orgânica para funcionar adequadamente. Quando há excesso de água pluvial, a capacidade da rede é ultrapassada. “Quando chove e ocorre extravasamento, na maioria das vezes é água de chuva entrando indevidamente na rede. Por isso, a água da rega do jardim, por exemplo, não deve ir para o esgoto, mas para o escoamento pluvial”, afirma.
A instalação de caixa de gordura também é apontada como essencial para evitar obstruções. “Sem a caixa separadora, a gordura vai se acumulando na tubulação e pode causar entupimentos ao longo da rede, afetando toda a comunidade”, alerta.


Pressão, caixa d’água e reclamações de falta de abastecimento
Queixas sobre baixa pressão ou ausência de água também são comuns. Segundo Maraísa, oscilações podem ocorrer em períodos de manutenção ou picos de consumo, o que reforça a importância da caixa d’água. “Ela é dimensionada para garantir autonomia de pelo menos um dia. Quem tem reservatório sente menos esses momentos de baixa pressão. Em um prédio de três pavimentos, é obrigatório contar com reservação adequada, composta por cisterna e caixa d’água superior. A lógica é simples: não é viável pressurizar toda a rede pública para levar água até os andares mais altos, pois isso fugiria das normas técnicas e poderia provocar rompimentos e danos na própria rede de distribuição. Por isso, o sistema é projetado para operar com uma pressão padrão, cabendo às edificações garantir a reservação e a distribuição interna de forma correta”, afirma.
A concessionária monitora remotamente o sistema por meio de um centro de operações integrado, que acompanha captação, bombeamento e pontos de pressão. Entretanto, Maraísa destaca a importância de notificar a concessionária sempre que houver falta de água, bem como gerar um protocolo de atendimento, possibilitando o monitoramento da situação e a liberação da equipe para avaliação do problema. Ainda assim, muitas ocorrências são causadas por fatores internos. “Recebemos muitas reclamações de falta de água e, ao chegar ao local, encontramos o registro fechado. Às vezes alguém fechou e não percebeu”, relata.

Ligações, titularidade e canais digitais
Para solicitar ligação de água ou esgoto, o consumidor deve comprovar vínculo com o imóvel por meio de escritura ou contrato de aluguel. Em novas construções, é necessária a instalação da mureta para o hidrômetro. A recomendação é que o equipamento fique acessível para leitura e manutenção. A mudança de titularidade é considerada essencial, especialmente em imóveis alugados. “Nesses casos, a responsabilidade pela transferência de titularidade deve ser definida no momento da locação, já que há proprietários que optam por manter a conta em seu nome e assumir o pagamento. Ainda assim, a orientação é que seja feita a alteração de titularidade para o inquilino, pois isso garante que a fatura seja paga corretamente e evita problemas como suspensão do fornecimento por eventual esquecimento. Para realizar a mudança, basta apresentar o contrato de aluguel e os documentos pessoais. Ao término do acordo, com o envio do distrato, a titularidade retorna automaticamente para o proprietário”, orienta.

Tarifa social e revisão de faturas
Consumidores inscritos no Cadastro Único podem solicitar a tarifa social, com descontos que podem chegar a 60%. “Basta procurar a Corsan com a documentação para análise”, informa.
Maraísa salienta que problemas de vazamento na rua não são cobrados dos consumidores, mas em caso de dano provocado caberia a responsabilização. “Além dos casos clássicos de ligações clandestinas, o chamado ‘gato’, há outras situações que podem gerar responsabilização. Embora sejam mais raras, podem ocorrer danos à rede pública, como o rompimento da tubulação na calçada durante alguma obra ou intervenção, situação que deve ser comunicada imediatamente, pois caracteriza vazamento. Em casos de suspeita de irregularidades ou desvios, equipes técnicas realizam a verificação e adotam as medidas cabíveis. Sempre que o consumidor receber qualquer notificação ou tiver dúvidas sobre documentos ou faturas, a orientação é procurar os canais oficiais da empresa dentro do prazo de resposta informado”, sublinha.
Em casos de dúvidas sobre a fatura, o cliente pode solicitar revisão. A concessionária analisa histórico de consumo, leitura e eventuais inconsistências. “Em caso de qualquer dúvida, a orientação é procurar nossos canais de atendimento para obter os esclarecimentos necessários. Há diversas formas de atendimento disponíveis: o telefone 0800, que será encaminhado pela equipe, o aplicativo, o WhatsApp, especialmente prático por permitir o envio rápido de documentos, e também a opção de atendimento presencial nas lojas. Ainda assim, a orientação é priorizar os canais digitais, considerando a rotina cada vez mais corrida e a necessidade de evitar deslocamentos. A ampliação dessas alternativas busca justamente tornar o atendimento mais ágil e acessível. Pelo aplicativo, inclusive, é possível agendar uma videochamada e ser atendido por um profissional em tempo real, o que facilita o esclarecimento de dúvidas quando o usuário sente necessidade de um atendimento mais detalhado. Ninguém merece permanecer com incertezas quando há suporte disponível para ajudar”, conclui.