Uma iniciativa criada a partir do atendimento a mulheres vítimas de violência está prestes a ganhar alcance estadual no Rio Grande do Sul. O projeto “Elas por Elas”, desenvolvido pela delegada Raquel Peixoto, atualmente titular da 1ª Delegacia de Polícia de Bento Gonçalves, serviu de inspiração para a criação do programa “RS por Elas”, transformado em lei após aprovação unânime na Assembleia Legislativa e sanção do governador Eduardo Leite.
A ideia surgiu em 2021, quando Raquel atuava na Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam) de Novo Hamburgo. A proposta nasceu da convivência diária com vítimas de violência doméstica e tinha como foco oferecer mais do que acolhimento: buscava fortalecer a autonomia, a confiança e a segurança das mulheres atendidas.
O “Elas por Elas” passou a promover aulas de defesa pessoal, orientação e suporte direto para mulheres em situação de vulnerabilidade. Com o tempo, a iniciativa ganhou destaque pelos resultados alcançados e pela contribuição no enfrentamento aos ciclos de violência.
A repercussão do projeto levou à criação do Projeto de Lei nº 125/2021, apresentado pelo deputado estadual Gaúcho da Geral (PSD). A proposta foi aprovada por unanimidade e institui o programa “RS por Elas” em todo o território gaúcho.
A nova legislação prevê a realização de aulas regulares e itinerantes de defesa pessoal, além de palestras, workshops e seminários. O público prioritário será composto por mulheres atendidas pelas Delegacias da Mulher e por serviços ligados à rede de proteção.
A proposta também contou com apoio da deputada estadual e ex-chefe de Polícia Nadine Anflor (PSD), que ajudou a ampliar a visibilidade do projeto piloto idealizado por Raquel Peixoto. Nadine destacou a importância da iniciativa como ferramenta de combate à violência contra a mulher e de fortalecimento da independência feminina.
Com a aprovação da lei, o trabalho que começou dentro de uma delegacia passa a contar com respaldo institucional para alcançar mulheres de diferentes regiões do Estado. A medida amplia a rede de proteção e incorpora a defesa pessoal como estratégia complementar no enfrentamento à violência doméstica.