Já se passaram 11 dias, era para ter escrito sobre este assunto na semana passada, porém, mesmo pela sua importância, seria uma insensibilidade em razão do dia das mães comemorado no último domingo.
Estou a me referir ao assassinato de um jovem adolescente de 17 anos, estudante e trabalhador, o qual foi ao encontro de sua mãe na Estação Fátima do Trensurb em Canoas, pois iriam ao cinema e numa tentativa de roubo a seu celular, já na porta do trem, o autor, igualmente jovem adolescente, com seus 16 anos, já com uma trajetória no mundo do crime, não conseguindo de imediato seu intento, sem piedade, com golpes de canivete no pescoço, deixou nos braços da mãe, seu filho, esvaindo a vida, o qual num último abraço, ainda pediu desculpas: “Foi mal. Mas calma, mãe, calma… peguei o celular de volta…”
Sei, ao ler isso, poderá ser difícil engolir o choro, os olhos tendem a marejar e as lágrimas poderão sobrevirem… é um sinal de que somos humanos, mesmo que atos dessa natureza digam totalmente ao contrário.
Foram tantos e outros tantos assassinatos já se sucederam deste então…
A pergunta que cabe é como chegamos até aqui? Para onde iremos? O que faremos?
A resposta parece um velho chavão, passa pelas instituições, pelas leis, pelo ESTADO, pelo GOVERNO, mas não podemos nos esquecer, passa antes pelas FAMÍLIAS, sim, ainda a velha célula mater da sociedade existe, a qual parece estar doente a cada dia… se houver dúvida, basta perguntar ao jovem velho delinquente.
Enfim, enquanto uma mãe chora a perda de seu filho, cuja imensa dor, não há palavra que conceitue, o “jovem aprendiz” seguirá seu caminho pelas instituições do ESTADO, correndo contra o tempo para que não venha a subir na hierarquia da carreira do crime.
Aliás, o que faz um jovem infrator chegar ao topo da hierarquia no crime?
Entendo que a resposta não seja tão fácil, estudiosos se debruçam há anos sobre o assunto, mas o que foi ontem, é hoje e poderá continuar amanhã ser um grande problema de segurança pública, tem na propagada impunidade seu maior pilar, fruto de leis e/ou interpretações que deixam a sociedade à deriva, que desmotivam as forças policiais e que abrem brechas para o ingresso do Crime Organizado num Estado Desorganizado!
Mas vamos lá, há quase quatro anos fomos surpreendidos pelo maior rigor da lei do desarmamento, não tendo obtido adesão no mundo do crime…talvez seja um daqueles casos que “a lei não pegou”…
Calma, pelo sim, pelo não, embora batendo a porta das eleições, importa dizer que tivemos em março sancionada a Lei Antifacção e estamos diante do lançamento do Programa Nacional de Combate ao Crime Organizado, ou seja, novas e rígidas leis estarão em cima da mesa, a dúvida é sabermos como será servido, se ao gosto do povo ou dos “Master Chefes” de ocasião.
Vamos em frente!