VIDA VIVIDA
A CRIATIVIDADE DA SUPERAÇÃO
Como eu escrevi, cursei Enologia e Técnico em Contabilidade. O monopólio da UBE determinava que a carteira de estudante não seria fornecida aos estudantes dos cursos técnicos das Escolas de Enologia e Aparecida. Então veio a ideia de fundarmos uma união de estudantes ligados ao ensino comercial. Benigno Barossi, era meu amigo e meu colega no Aparecida. Era quieto, mas determinado, quer dizer, falava pouco, trabalhava e agia muito. Ele foi Professor Universitário da UCS e Gerente Administrativo da então Progressista AÇO LUCH, fabricante de implementos agrícolas dos Irmãos Luchese. Mais tarde ele fundou a empresa Embanor Embalagens, hoje administrada pela filha Silvia. Convivi muito com o Benigno inclusive ele foi meu chefe na Irmãos Luchese. Ele tinha muita ligação com a linda Hidelberg, cidade alemã onde ele comprava suas máquinas. Seu diálogo comigo, e último, foi assim “tu precisa ver Henrique como sou estimado lá, me fizeram homenagens, eles me querem bem, quando eu voltar lá vou te levar junto”. E a viagem não se concretizou, ele foi abatido por doença inesperada. Como colegas no Colégio Marista firmamos um pacto: “Vamos fundar uma Entidade Estadual e emitir as carteiras de estudante aos alunos dos cursos comerciais”. E fomos à luta.
SURGE A UGEEC
Seria preciso uma base de apoio em Porto Alegre, tomamos com referência a ESCOLA PROTÁSIO ALVES, questionamos nela quem eram os grandes líderes estudantis e chegamos ao nome de Ubirajara Silva Prates. Fomos até ele, expusemos a ideia, o entusiasmo dele nos impactou, depois de três reuniões, uma aqui em Bento, outra lá no colégio e outra lá também na casa dele, que ficava no bairro nobre de Vila Assunção, surgiu o nome da Entidade: UNIÃO GAUCHA DOS ESTUDANTES DO ENSINO COMERCIAL UGEEC, se contrapondo à monopolizante UNIÃO GAUCHA DOS ESTUDANTES – UGES. E elegemos a diretoria fundadora: Presidente o Ubirajara; Vice Presidentes eu e o Benigno. E a entidade tomou corpo além do esperado, a sede era numa das salas do Colégio Protásio, mais próxima do contingente de alunos, na grande Porto Alegre. Emitimos centenas de Carteiras de Estudante da entidade, fomos contestados na justiça, mas obtivemos o reconhecimento do direito do procedimento. Com o tempo morreu a política estudantil, grande formadora de líderes, morreram as entidades representativas. Hoje, as carteiras de estudante são emitidas pelos Colégios e Universidades. E trazem, para o aluno, não só a identificação de sua escola ou universidade, como também inúmeros benefícios.
O MEU INGRESSO NO “CANTO FURA”
Em determinado momento para atender a ordem paterna “vá ser piloto”, me “bandeei” para o “CANTO FURA”, umas das gangues de Bento, parecidas com essas gangues que brotam no seio das torcidas dos grandes clubes de futebol e se degladiam nos dias de jogos. Só que a gangue do CANTO FURA não matava nem uma mosca “deixa ela, ela tem direito a vida e liberdade”, pois a turma tomou uma imensão de “paixão pela aviação”. Minha convivência passou a ser com os Fontanive, os Mariani, os Salton, os Pompermayer, os Lorenzini, quase todos pilotos e dirigentes do AEROCLUBE. O entrosamento foi natural, nas reuniões se falava pouco, só de aviões, em certas ocasiões se falava um pouco mais, de aviões e das amigas, mais deles do que minhas, minhas também no decorrer do tempo. Assim como as reuniões da TURMA DO CENTRO eram na frente do Clube Aliança, as reuniões do JUVENIL na frente da lancheria do Quito (ainda vejo o Geada por lá), ele é um dos últimos moicanos, a gangue, um nome mais pomposo do que turma, do CANTO FURA se reunia na frente da então existente Ferragem Guindani, uns sentados na escada de acesso a residência.
REÚNAS E BAILES
Então no AEROCLUBE eu era MANICACA, aluno iniciante com funções MULTIFACETADAS, aprender a voar, varrer o hangar, manter os aviões limpos, “dar hélice”, quer dizer girar a hélice para os motores pegarem, preparar o café, essas coisas. Fora disso enturmei no Canto Fura. Domingo sim, domingo não, íamos a reúnas na casa de amigas em Farroupilha. Todos sentados, eles e elas, ouvindo músicas e bebendo guaraná, grapete, laranjada e Pepsi. A conversa era sobre aviões, naturalmente. Mas, tínhamos investidas mais ousadas. No Ford do Jordão Callegari íamos a baile em Guaporé, em Farroupilha, em Nova Prata, dentro daquele carrinho cabia quatro pessoas, mas íamos em 6, uns sentados no colo. A bordo, a conversa era, naturalmente, sobre aviões e nossa presença era festejada pois éramos confiáveis, discretos, naturalmente alegres e divertidos pois elas adoravam nossas histórias sobre as peripécias como aviadores! Tinha outro carro, um Austim, em mãos do Ney Callegari, esse era um tanto subtraído da garagem e penoso de usar pois tínhamos que colocá-lo de volta na garagem antes das 7h da manhã e COM O MOTOR DESLIGADO, sacaram o lance? Com o tempo minha vida de piloto assumiu maturidade assim como minha relação com a turma do AEROCLUBE.
O CENÁRIO
As aulas teóricas eram na Sede do AEROCLUBE que ficava na General Osório, um pouco acima do Colégio Medianeira e onde é hoje a loja de produtos naturais MUNDO NATURAL; a pista de pouso ficava entre as ruas Salgado Filho e Xingu no bairro São Bento. O Hangar ficava onde é hoje o BODEGA PIZZA ENTRE VINHOS. O Hotel Viverone ocupa hoje o que era a cabeceira da pista lado norte. O instrutor do AEROCLUBE era o Gobbi. Não lembro quantas horas teóricas frequentei e nem quantas horas de aulas de voo. Mas lembro do dia do meu “voo solo” e das palavras do instrutor “vai, tu está pronto”! Decolei na cabeceira norte e pousei nela também com atenção a torre da Igreja Cristo Rei que ficou por longos anos inacabada em função do campo de pouso. Ao pousar solo dei umas corcoveadas na pista sempre atento porque o limite tinha que ser respeitado, faltando pista “motor para que te quero”, arremetida consciente, mas, não foi preciso. A partir do voo solo, tantos outros voos solos, (sozinho) até ter segurança para enfrentar o examinador que vinha de São Paulo. Chegou o dia, o exame foi marcado para ser feito em Caxias, na atual pista de pouso, o que era um complicador diante da austeridade que revestia a fama do examinador. Subi no avião e lá fomos nós. Lá bem no alto ele solicitando manobras para testar habilidades mas a última eu não esperava que fosse tão radical. Estávamos em Farroupilha quando ele falou “volta” e eu estava feliz da vida pelo fim do exame e, quando nós estávamos onde é hoje o Shopping Iguatemi, então mata virgem, ele reduz toda a potência do motor e fala, com austeridade, POUSA! Entrei em pânico, lembrei das aulas teóricas: campo, se não tiver rede elétrica; roça de milho, o milho vai reduzindo a velocidade do avião para o pouso emergencial. Segurando o “bicho” como um planador, olhava e só tinha mato, o campo de pouso era inatingível, então me dei conta, “se eu morrer no meio desse mato, ele morre também”, antes de eu balbuciar o também ele acelerou total bem no momento em que o avião “tava roçando a bunda no mato”. Ele me ouvira balbuciar, campo, roça de milho e viu que eu dominava bem o avião, mas que eu “levei um cagaço” levei. Pousamos, ele desceu do avião, olhou pra mim e disse “aprovado”! O estresse então passou a ser a demora da vinda da “maledeta” carteira de piloto, para “fugir” do exército e continuar voando, o que passou a ser uma das minhas paixões. Deixei a bola de futebol de salão com o SIDERAL e ia, de avião, voar no ESPAÇO SIDERAL. Na próxima coluna vou escrever sobre as minhas peripécias a bordo do “Paulistinha”, e como a roça de milho salvou a minha vida.
UMA VISITA PRAZEROSA
Recebi, esta semana, com prazer, a renomada visita do Presidente da FEDERAÇÃO VAREJISTA DO RS, o empresário caxiense IVONEI PIONER, que se fazia acompanhar do Vice Presidente, Marcos Carbone e da Assessora, Viviane Somacal. Trouxeram, a tiracolo, mimos valiosos, mas, sobretudo, cordialidade e a revelação dos princípios do foco e seriedade, com que conduzem a Entidade, dentro do DOGMA ALMA DO VAREJO, VOZ DO RIO GRANDE. Fomos convidados para participar do II FÓRUM ESTADUAL DO COMÉRCIO que a Entidade vai levar a efeito, dia 15, no Hotel Deville, em Porto Alegre com uma temática de encher os olhos e que vem de encontro aos interesses do Estado. Tenho participado do primeiro, os debates são abertos, é oportuno o conteúdo temático. E a importância dos palestrantes e painelistas impressiona, entre eles está o Deputado Guilherme Pasin.

PARABÉNS!
A TODAS AS MAMÃES, TENHAM UM DIA MUITO FELIZ!