VIDA VIVIDA – O CENÁRIO DO CENTRO
Helenir Bedin, guerreira entre as mulheres guerreiras de Bento, voltou à presidência da Câmara dos Diretores Lojistas. Ela pretende dinamizar a Entidade, na direção de valorizar o comércio de Bento, sonha inclusive com mesinhas nas calçadas, comércio aberto em momentos especiais, alimentado por turistas e população. “Será extremamente difícil, falei. Bento foi DESPIDA”. A igreja Santo Antônio teve subtraídas as coisas mais emblemáticas, o púlpito de onde padres e bispos, grandes oradores, inclusive Mascarello e Mânica, fizeram grandes e memoráveis sermões. Os confessionários foram removidos, o altar foi subtraído das instalações mais tradicionais e os bancos, só não foram substituídos, a exemplo da Igreja de TAMANDARÉ, porque foi encontrado alguém que os renovasse. As casas históricas do Centro estão no poder de investidores comerciantes, sem chance de mudança ou renovação dos objetivos. Neste particular festeja-se a preservação histórica do Banco da Província e seu belíssimo prédio, agora em mãos do Clube Esportivo. Também um prédio histórico em mãos de Ayrton Giovannini, onde eu exerci o meu mandato de vereador e, outro, que está em mãos de César Gabbardo, moradia que foi da Família TOSCHI. O restante todo se descaracterizou, ficando como marco maior de nosso passado histórico a nossa Prefeitura que, mal conservada, tem uma vida de certa forma acéfala, pois o povo não a frequenta mais com a intensidade do passado. A “peso de ouro”, foi implantada a “VIA DEL VINO” caracterizando o Centro como uma cidade italiana em sua essência. De sua beleza partem, para o mundo, belas fotos, porem falta nela a presença da maior beleza que uma cidade possa ter que é a essência humana, sua alegria, representada pelo turista, pelo povo de Bento e suas etnias. As noites são melancólicas, os sábados à tarde e os domingos transportam a VIA DEL VINO ao abandono, assumindo vida apenas quando aquelas “BARRACONAS”, que sustentam eventos, fundamentalmente assistidos por moradores dos edifícios próximos. Não faltou esforço para alimentar a VIA, investimentos na área da gastronomia foram feitos e não conseguiram sobreviver; o último que me vem à mente foi a venda de churros da Dalva Audibert. Após a inauguração, muitas casinhas foram removidas, hoje ela é mais uma PASSARELA ENCANTADA do que uma Instituição com fins turísticos e de lazer. Como dar mais vida à vida da Via Del Vino e adjacências, esse é um desafio que vai, também, fazer parte do plano de gestão da HELENIR.
O ENCANTO DE ANTIGAMENTE
Não vou afirmar que o CENTRO DE BENTO perdeu seu encanto, mas não é mais tão prazeroso como antigamente. Tínhamos dois cinemas, a praça era frequentada à noite, as pessoas passeavam, as crianças andavam de BICI, a Igreja era frequentada com absoluta religiosidade com 3 missas dominicais, os Clubes Aliança e Corinthians eram muito frequentados. Bento era tão “VINTAGE” quanto Garibaldi mostra que é, perdemos a essência.
OS CINEMAS
Os sábados e domingos à noite eram dedicados ao cinema e às “passeggiatas”. Sessão infantil, duas sessões, às vezes três, às 20h e 22h. No Cine Aliança, grandes filmes, épicos de lançamento mundial eram exibidos. No popular, faroestões, e filmes de aventura. Mas, não era só cinema, grandes peças teatrais vieram à Bento, com apresentações muito prestigiadas. O sucesso delas era tão grande que VANIUS MICHELIN, não sei quem o auxiliou, montou uma peça teatral, acho que foi ele que produziu e dirigiu. Um dos quadros, era composto por uma escolinha, cada aluno representava e imitava uma liderança comunitária de Bento, uma espécie de “ESCOLINHA DO PROFESSOR RAIMUNDO”. Foi um sucesso estrondoso, com duas apresentações e com o cinema cheio, não cabia nele 800 pessoas. Nos sábados e domingos à noite, após a sessão de cinema das 20h, acontecia, nas duas calçadas da Marechal Deodoro, o “WalKing Love”, inclusive das raparigas casadoiras. Elas desfilando e os raparigos com os seus olhares de “essa sim, essa não”. Na calçada do cinema desfilava o “alto clero” e, na calçada oposta, o baixo clero onde, naturalmente, em frente ao Bar do Quito, eu me postava a observar. Na praça Walter Galassi, em frente ao Banco Itaú, eu andava, nos meus 13 anos, todas as noites, com a minha BICI, dando “mil voltas” em torno dela. Foi ali que eu encontrei minha primeira namorada. Com ela na garupa dava voltas na praça e a iluminação com lampiões tinha aspecto de velas acessas. Naquela parte da praça em frente ao Banco do Brasil havia pouca iluminação, assim eu aproveitava para dar os meus primeiros “beijinhos doces volantes”, brotou um amorzinho tipo “Romeu e Julieta”. Um dia ela desapareceu, simplesmente assim. A substitui, por um namorico de uma vizinha, coisa platônica. Depois vieram os namoricos, eu e meus chinelos, mais elas algumas frequentadoras do BAR DO QUITO. Brotaram lá dois amores incandescentes, uma menina chamada Cecília, do alto clero e, outra, chamada Neusa, do baixo clero. Foi ela que ganhou, ou eu ganhei, o primeiro beijo ardente. A partir daí, quando meu pai observou que eu era um “romântico” estabeleceu “negociações” com empresário amigo e o avô de uma princesa que, quando o pai dela saía para trabalhar a trancava no quarto para que “ninguém a roubasse”. Depois de terem discutido o” dote”, eu teria 30% da empresa e mais um apartamento. Negociações de “ciganos” concluída, aí o pai do “noivo” consultou o “noivo”. “Não né pai, sei que é uma princesa, mas não estou em condições, eu e meus chinelos, de sustentar um relacionamento com a “PRINCESA DE BAGDA, falei nada feito, por “amar a liberdade” eu deixei de ser rico nos meus 18 anos. Anos depois ela casou com o filho de um empresário muito rico, rico mesmo e que, embora jovem, era chegado a uma “51”. Morreram cedo, os dois.
AMADURECIMENTO
Estou falando de minha vida no Centro dos meus sentimentos que, “força de Dai”, foram amadurecendo. Empossado pelo Perizzolo, como presidente da UESB, eu consegui, no colégio Medianeira, uma sala para instalar a Sede e convenci duas internas, as “mais lindas é claro”, a Ana Júlia, de Guaporé e a Heloísa, de Nova Prata, a serem membros da diretoria, uma secretária e, a outra, tesoureira. Nos domingos à noite as internas eram liberadas para frequentar as boates domingueiras do Clube Aliança. Retribuindo a gentileza da Sede, eu ia buscá-las lá no Colégio para que não tivessem que passar, sozinhas, elas e a Irmã, que sempre as acompanhava, pelo “PÂNTANO DA ESCURIDÃO”. Chegados ao Clube eu levava a irmã de volta e, à meia noite, lá estava ela em frente ao Clube para “levar as crianças de volta”. Isso se repetia todos os domingos, o encontro, na boate, das INTERNAS com a turma do JUVENIL, era uma festa de alegria e fraternidade. A HELOÍSA era uma loira linda e escultural, estilo Vera Fischer nos tempos de Miss Brasil. A ANA JÚLIA era uma morena menina linda, delicada, cabelos longos, tipo “índia teus cabelos nos ombros caídos, negros como a noite que não tem luar”. Cheguei a “morrer de amores” por ela, em todas as boates dançávamos o tempo inteiro ensaiando o “rostinho colado” e “mãos dadas”, coisa que a convenção social da época “proibia”. Embriagado pela beleza e intelectualidade dela, um belo dia (Boate) a pedi em namoro. “Não posso”, ela disse, fiquei impactado, “porque”, questionei. “Porque estou apaixonada”, ela respondeu. De mãos dadas e parados no meio da pista, ela me disse por quem, depois de me dizer “ele está aqui”. Apontou para o bateirista do Conjunto dizendo “dele”. Eu disse “não é possível Ana Júlia, ele tem olhos de peixe morto, é um músico com suas instabilidades, na profissão ele desmonta um relógio e não sabe montar porque ele vem trabalhar às 10 da manhã depois de ter tomado um café da manhã “diferenciado”. “Tu vai ser infeliz” conclui. Não adiantou, casaram, tiveram 2 filhos, se separaram, ele morreu cedo, era muito meu amigo, amigo mesmo. Quando ele consertava um relógio de pessoa rica e o conserto se repetia, ele jogava no chão, pisava em cima e dizia “cria vergonha, compra um relógio novo”. Resignado, fui adiante, só não procurei “doente de amor, remédio na vida noturna”. Esses eram os encantos da Marechal Deodoro, hoje “VIA DEL VINO”, e suas adjacências. Mais tarde eu entendi porque “ela me abandonou”. Eu era faceiro, meio inconsequente, não tinha emprego fixo, nem perspectiva, o bateirista tinha. Certo dia ganhei de uma menina com a qual eu “flertava”’ um livro de presente. Título? VIVER POR VIVER, virou filme. Levei tempo para ler, mas, quando li eu cheguei à conclusão que ela me chamou, através do livro de “INCONSEQUENTE”. Por respeito humano preservo os nomes mas é evidente que posso comprovar a veracidade dos fatos. Como dizia aquele colunista, de expressão nacional “EU ACRESCENTO MAS NÃO INVENTO”.
