Instituído pela Lei nº 13.435/2017, o mês de agosto é dedicado à valorização do aleitamento materno no Brasil. Conhecido como Agosto Dourado, o período simboliza a importância da amamentação, com o dourado fazendo alusão ao padrão ouro de qualidade do leite materno.
Durante o mês, ações intersetoriais são intensificadas para ampliar o acesso à informação e incentivar práticas que favoreçam o aleitamento como base para um desenvolvimento saudável. Em 2025, a campanha traz o tema “Priorize a Amamentação: Crie Sistemas de Apoio Sustentáveis”, destacando a amamentação como uma escolha saudável e ambientalmente responsável. A proposta é fortalecer políticas públicas e redes de apoio que garantam condições adequadas às mães, promovendo o cuidado com a vida e com o planeta.

De 1º a 7 de agosto, o Brasil se junta a mais de 120 países na Semana Mundial da Amamentação, reforçando o compromisso global com a proteção e promoção do aleitamento materno.
De acordo com a pediatra Ângela Rech Cagol, a campanha visa promover a amamentação, além de apoiar as mães que amamentam. Segundo ela, os principais objetivos da campanha são:
- Promover a amamentação;
- Apoiar as mães;
- Conscientizar sobre a importância da amamentação.
Benefícios do leite materno
Os benefícios do aleitamento materno vão muito além da nutrição, estendendo-se tanto ao bebê quanto à mãe. Para os recém-nascidos, as vantagens são inúmeras: o leite materno fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho, reforça o sistema imunológico e reduz episódios de infecções, além de minimizar o risco de alergias e distúrbios gastrointestinais. “Os efeitos positivos são amplos e fundamentais para o desenvolvimento saudável da criança”, destaca a especialista.
Para as mães, os benefícios também são inúmeros, como: “Redução mais rápida do útero e massa corporal, mãe mais calma e confiante, menos depressão puerperal, menor incidência de câncer ginecológico, menor risco de osteoporose, doenças cardiovasculares, artrite e Alzheimer”, enfatiza.
O leite materno é uma substância única, composta por elementos que nenhuma fórmula industrializada consegue reproduzir integralmente. “Ele contém proteínas de alta qualidade, gorduras essenciais para o desenvolvimento cerebral, lactose, um carboidrato que fornece energia ao bebê, e vitaminas indispensáveis ao seu crescimento. Mas o principal componente é o afeto, que nenhuma fórmula será capaz de reproduzir”, aponta a pediatra.
Aleitamento materno exclusivo
Essa prática é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Ministério da Saúde até os seis meses de vida, devendo ser continuado até, pelo menos, os dois anos de idade. Ele é essencial para o desenvolvimento saudável do bebê e para o fortalecimento dos laços entre mãe e filho. “Depois deste tempo há necessidade de realizar a introdução alimentar, pois o bebê passa a necessitar de outros nutrientes. Mas essa fase deve ser realizada observando os sinais de prontidão”, explica a pediatra.
Incentivo à amamentação
De acordo com o Ministério da Saúde, existem dicas eficientes para quem deseja amamentar após a gestação:
- Inicie logo após o parto, ainda na primeira hora de vida do bebê;
- Ofereça somente o peito até os seis meses, sem água, chás ou outros alimentos.
- Garanta uma boa pega: boca bem aberta, abocanhando a aréola;
- Amamente sob livre demanda, sempre que o bebê quiser;
- Mantenha a amamentação até os dois anos ou mais, mesmo após a introdução alimentar;
- Procure ajuda profissional se sentir dor, insegurança ou tiver dúvidas.
Para a pediatra Ângela, é de suma importância que o incentivo venha de casa, por meio do companheiro, que deve ajudar e dedicar tempo à sua esposa nesse processo. “Outros familiares também podem participar, dando apoio e evitando desmistificar a amamentação, falando que o leite é fraco ou que a mãe não tem leite”, complementa.
Já o papel do profissional é apoiar a mãe, tirar dúvidas e mostrar-se disponível. A médica completa: “Falar dos benefícios da amamentação tanto para o bebê quanto para a mãe. Eu costumo ver o recém-nascido (RN) semanalmente após a alta da maternidade, pois assim a mãe fica mais segura, vendo o filho ganhar peso e evoluir bem com seu leite”, explica.
Desmame precoce
De acordo com a médica, o problema do desmame precoce está ligado principalmente à legislação, já que muitas mães têm apenas quatro meses de licença-maternidade. “Precisamos de uma regulação trabalhista que garanta um período maior de afastamento do trabalho desta mãe e possibilite que ela fique com seu filho por pelo menos seis meses”, aponta.
Com a chegada do desmame, a alternativa que muitas mães encontram é a utilização de fórmulas, o que não é recomendado pelos especialistas. “A fórmula tenta se aproximar do leite materno, mas está muito longe de ser ideal”, descreve.
Alimentação
Segundo a médica, a alimentação da mãe durante a amamentação é fundamental para garantir a saúde e o bem-estar tanto do bebê quanto dela.
Para garantir uma nutrição completa, a mãe deve incluir na dieta alimentos ricos em vitaminas, minerais e outros nutrientes essenciais:
- Frutas: são fontes ricas de vitaminas e minerais que fortalecem o organismo;
- Legumes: ricos em vitaminas e minerais, oferecem proteínas e fibras importantes para a saúde digestiva e o desenvolvimento do bebê;
- Cereais integrais: ricos em fibras e nutrientes, ajudam a manter a energia ao longo do dia;
- Peixes: contêm gorduras saudáveis, como o ômega-3, e proteínas de alta qualidade, fundamentais para o desenvolvimento cerebral do bebê;
- Laticínios: são ótimas fontes de proteínas e cálcio, importante para a saúde dos ossos da mãe e do bebê.
Alimentos a evitar
Alguns alimentos e substâncias podem ser prejudiciais, pois seus componentes podem passar para o leite materno;
- Alimentos processados: contêm aditivos químicos e substâncias que podem ser nocivas ao bebê;
- Cafeína e álcool: ambas as substâncias podem ser transferidas para o leite materno e afetar o bebê, causando irritabilidade ou distúrbios do sono;
- Alimentos alergênicos: em alguns casos, certos alimentos podem causar reações alérgicas no bebê. Fique atenta a sinais de intolerância.
Dicas para uma alimentação saudável
Adotar hábitos alimentares saudáveis é a melhor forma de garantir que você e seu bebê recebam tudo o que precisam.
• Coma uma variedade de alimentos: a diversidade na dieta garante um aporte completo de nutrientes essenciais;
• Evite dietas restritivas: dietas muito restritivas podem levar à carência de nutrientes, prejudicando a saúde da mãe e a produção de leite.
Importância da hidratação
Manter-se bem hidratada é um dos pilares da amamentação bem-sucedida.
- Produção de leite: a água é o principal componente do leite materno. Beber bastante líquido é fundamental para manter um bom volume de produção;
- Saúde da mãe: a hidratação adequada é vital para a saúde geral da mãe, ajudando a evitar a fadiga e outros desconfortos comuns nesse período.