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Turismo na 470: O cenário do Complexo Turístico Integrado já está mudando

Da Redação
Escrito por Da Redação

Para o prefeito de Garibaldi, Antonio Cettolin, empresários já perceberam que a BR470 é um dos melhores pontos do estado para investir em turismo e isso implica em agir coletivamente

 

Hoje temos conosco um dos prefeitos da Região que mais tem apostado e sido contemplado na área de turismo com atração de grandes investidores, em curto espaço de tempo. É o prefeito de Garibaldi, Antonio Cettolin, acompanhado de seu Secretário de Meio Ambiente e Agricultura, Arnaldo Seganfredo. E eles falam justamente  dessas inovação de conceito que já se implantou na BR 470 entre Bento e Carlos Barbosa, passando por Garibaldi, claro, com uma incrível vocação para o turismo, e dos grandes investimentos que já estão acontecendo ali, especialmente em território garibaldense, mas com reflexos importantes na economia dos municípios integrados e que também começam a atrair investimentos nessa direção, a curto prazo.

 

Segundo o empresário Fabiano Ferrari, diretor da Dissegna Negócios e Participações, em três anos o trecho entre Bento e Barbosa terá um cenário completamente diferente com investimentos de vulto ao longo da BR 470, e o trecho de Garibaldi está bem no meio disso, propenso a ter uma concentração maior, até porque alguns grandes investimentos já estão sendo feitos. Como o senhor vê a vocação turística desse trecho da rodovia e que ações Município de Garibaldi, individualmente ou com vizinhos, está fazendo de concreto nesse sentido?

Antonio Cettolin: O projeto da BR470 é um, dos entre tantos, que nós trabalhamos com muita intensidade. Mas primeiro é bom localizar na BR470, onde é área de Garibaldi, Bento e Carlos Barbosa. A divisa de Garibaldi com Bento fica próxima à SCA e de Garibaldi com Carlos Barbosa é quase no trevo de acesso a Carlos Barbosa. Então a maior parte da BR470 pertence a Garibaldi, que tem o privilégio de ficar com esse filé, assim eu chamo. E temos, também, designado nessa área uma grande área industrial ao lado esquerdo no sentido Bento a Garibaldi, próximo à Telasul e seguindo a Chandon. O lado esquerdo é toda parte industrial, já tinha isso reservado há quatro anos, e fizemos isso pela grande procura de empresários para investir nesse segmento, então fizemos o projeto de lei e hoje é área industrial. Mas não quer dizer que não se possa trabalhar a questão turística nesse local e isso vem acontecendo, com muita rapidez, porque o setor turístico se move de tal forma ágil que hoje analisamos todo esse contexto da BR470 como uma grande possibilidade para o investidor turístico. Porque hoje o turista já está presente em nossa região e turismo não se faz individualmente; se faz coletivamente. Se pensarmos em promover turismo somente em Garibaldi, permaneceremos com pouca participação regional. Agora, se trabalharmos  o turismo em conjunto, e a Atuasserra está aí para coordenar isso também, Barbosa, Garibaldi, Bento, Monte Belo, Santa Tereza, Coronel Pilar, enfim, inúmeros municípios que têm aqui um potencial turístico muito grande, é bem diferente o resultado. E na BR470, que é um eixo fundamental, já temos projetos de vulto em andamento, como o Boulevard Convention que já está iniciando seu processo de construção. E também este grande projeto que o Fabiano Ferrari tem comentado e ele tem dito que na hora certa vai reunir toda a imprensa para fazer uma grande divulgação, é um empreendimento turístico que atinge outra fatia de mercado e irá agregar ainda mais os valores que temos hoje. Hoje temos nesse setor turístico ali as vinícolas, como a Chandon, a Domno do grupo Valduga, a cervejaria Leopoldina, o Castelo Benvenutti, o Di Paolo, o Del Filippi na divisa com Bento e se entrarmos um pouco na Garibaldina, há outras empresas e empreendimentos que estão acontecendo, então estamos vendo nessa região um grande potencial, por que toda essa área aí integra o Vale dos Vinhedos, em território garibaldense. Tudo que cai nessa bacia é Vale dos Vinhedos. Então temos uma visão muito clara hoje, e entusiasmados, pois os empreendedores estão investindo nesta área por que é um dos melhores pontos do estado para se investir em turismo. Hoje passam por aí mais de 25 mil carros por dia, é um potencial imenso que temos nas mãos. E os empresários são muito criativos. Os da área industrial enxergam possibilidades na área industrial. Os da área turística, percebem isso na área turística e isso tem crescido muito na área turística. Hoje a receita que temos em Garibaldi, 70% vem da área industrial e o turismo é o quinto pilar da nossa economia mas acreditamos que logo ali na frente ele vai tomar posições melhores inclusive é a nossa torcida, o nosso apoio, o nosso incentivo, pois acreditamos muito nessa empresa sem chaminé. Mas nesses 70% da receita não se pode deixar de considerar que grande parte da nossa área industrial é de vinícolas, que são turísticas. E outros segmentos industriais também estão investindo no turismo. Pode ser até um indústria metalúrgica, a própria Tramontina é turística. Eu visito a Tramontina e a pergunta vem dos diretores, “como está o turismo em Garibaldi”, pois eles também têm interesse, o turista interessa a todos. Interessa ao setor gastronômico, empresarial e industrial, por que, abre portas e nós não podemos nos fechar. Quando eu falo industrial, é que temos uma área industrial onde podem se instalar 100% das empresas; pode ser inclusive turística direta ou indireta, pois temos que possibilitar também pequenos empresários, olhamos para todos de forma igual. Quem quer empreender, o município está junto, ajudando.

 

O senhor concorda com a afirmação de Fabiano Ferrari, que o trecho da BR470 entre Bento, Garibaldi e Barbosa tem mesmo vocação turística? O que o senhor vislumbra de mudanças daquele cenário nos próximos três a cinco anos?

Antonio Cettolin: Até poucos dias, muitos comerciantes, bares e hotéis estavam um tanto para baixo e agora estão tendo um novo alento, com possibilidade de crescimento, de valores, isso tudo é turismo. O nosso turismo é diferenciado, é um turismo natural, não é produzido artificialmente, é autêntico, as pessoas são autênticas, recebem o turista com aquele sentimento… Nada contra outras origens, mas o italiano é aquela pessoa que fala com as mãos, recebe a todos de braços abertos, e essa peculiaridade compete à Serra Gaúcha, pois 80% dela tem essa origem, desde lá da Itália, então estamos carregando esta cultura dos valores e fazendo sua preservação. Veja a nossa Buarque de Macedo, que revitalizamos, a luz toda é subterrânea, o cabeamento, a telefonia, energia, tudo, mas nós preservamos o patrimônio histórico, e se você valorizar o patrimônio histórico, pode construir um espaço que é natural e lindo. O turismo, os empreendimentos são situações que você constrói com o tempo, não é de um dia para o outro. Lembro quando assumi em 2001, e eu me reporto pois tudo tem uma história. Lá nós contratamos a Ivane Fávero pra nos ajudar. Garibaldi precisava de uma técnica. Quando retornei em 2013 chamei ela novamente, ficou com o turismo do município por mais quatro anos, fez um planejamento estratégico, criou rotas, inúmeras oportunidades, e hoje isso tudo está vivo e presente, coisas marcantes. Depois ela partiu para um outro momento e acho que ela merece todo apoio pois tem um conhecimento internacional impressionante, está percorrendo o mundo e é muito solicitada. Mas não foram criados só roteiros e oportunidades; culturalmente foi incluído na mente das pessoas que turismo não é passear, não é brincadeira: o turismo é um negócio para ganhar dinheiro, com gosto e autenticidade, há um retorno financeiro, ninguém faz nada só por achar que é bonito; tudo é um negócio e o turismo em Garibaldi hoje voltou a ser um turismo profissional. Temos os nossos agricultores na Estrada do Sabor que recebem pessoas com aquela comida farta, exclusiva, comida natural, da colônia de verdade, onde os temperos se busca ali na horta, não são comprados no mercado, a galinha ainda é criada solta. Quando se fala em BR470, você tem que sair um pouco pelas beiradas, abranger muito mais gente. Por exemplo, o Boulevard Convention tem no projeto inúmeros locais para empresas poderem expor e venderem seus produtos, isso contempla todo  esse segmento que estamos falando aqui. Volto a dizer, o turismo se faz coletivamente, pensando em  Santo Alexandre onde tem um Vaccaro que ainda faz aquele frango recheado, cozido no forno a lenha e o turista vê, acompanha o preparo. Então no Boulevard Convention, o turista tem que saber que lá existe o frango recheado, que temos inúmeras cervejarias artesanais que também são importantes para a economia, é um conjunto. A BR470 será aquela veia que vai carregar todo o sangue para deixar o corpo vivo, que vai ter a circulação de veículos, de turistas, que vai transpor isso para os empreendedores que tanto estão investindo e acreditando no turismo, vai levar mais gente, pois nós precisamos, na verdade, é de gente, pessoas quem vêm trazer benefícios para a região. Quando se vê o centro da nossa Buarque de Macedo, tem pessoas diferentes todos os dias, é muito bonito ver elas sentando na Buarque, parece uma Itália, e degustando o visual, curtindo os prédios, a arquitetura, isso tudo mostra que temos bons elementos para serem degustados. Falo de Garibaldi, mas podemos falar de Bento, Barbosa, Santa Tereza, que tem muita cultura, Monte Belo, Pinto Bandeira, Coronel Pilar, Boa Vista, enfim, quanta coisa boa temos. Precisamos acreditar nesse potencial que nos pertence, é só lapidar, mostrar tudo isso, e temos o privilégio de dizer que estamos investido muito na infraestrutura de mobilidade de nosso interior, pois é também uma forma de os turistas permanecerem uns dias a mais em nossos municípios.

Arnaldo Seganfredo: O nosso foco é sustentabilidade; pensar num progresso, que é sempre bem-vindo, mas ele tem que ter duas vias. Se uma pessoa vier, ela vem por algum motivo, seja um vendedor da Tramontina, um comprador, mas um ônibus que traz pessoas para transitar pela Maria Fumaça pode muito bem ir no varejo da Tramontina, e quando elas estiverem lá no norte do país irão ver aquele produto e dizer: conheço essa empresa, tive a oportunidade de estar lá e visitar. A ‘rádio peão’ funciona bastante rápido e quando você faz esse tipo de passeio percebe nitidamente a vocação turística que temos, por que encantamos naturalmente, está no nosso DNA. A geografia nos favorece, a receptividade nos favorece, mas as coisas boas, para serem duradouras, têm que ser construídas com calma, prudência e com respeito ao meio ambiente. Se formos colocar indústrias das mais diversas, tem aquelas com chaminé, mas há tantas outras com energia limpa e não nos impede em nada estarmos numa simbiose entre vocação turística extrema, ao lado uma prestadora de serviços, outra que produz o material que a empresa vai precisar. São nichos que vão se complementando. O prefeito fala de Santa Tereza culturalmente, pois lá tinham as hidrovias, Santa Tereza tem um patrimônio histórico fantástico. Temos a nossa veia que é a BR470, mas temos as mais diversas artérias, uma analogia com o corpo humano, que são os potenciais dos municípios e o que cada um tem. Tem que existir uma preocupação com o progresso, mas fundamentado, pensado e aí entram os empreendedores e visionários. Essas ideias, algumas delas,  quando colocadas em prática, têm o seu potencial, cabem sim, e por força da própria natureza, existem alguns regramentos que tem que ser obedecidos, mas ninguém, em momento algum, está aí para prejudicar e sim para orientar. Garibaldi hoje é a menina dos olhos da Serra Gaúcha, pois muitos municípios, por limitações geográficas, ou limitações ambientais, ou até por questão de extensão territorial, já não têm mais para onde expandir. Nós estamos aqui, recebendo de braços abertos. E com o intuito de construirmos juntos.

 

O trecho da BR 470 já está sendo chamado de Complexo Turístico Integrado, ou seja, integrando vários municípios, tomando por base Bento, Garibaldi e Carlos Barbosa. Mas para isso é preciso que realmente haja a integração de interesses também no plano político? Além do plano privado dos empreendedores que estão acreditando no investimento ali.

 

Antonio Cettolin: Veja, o Vale dos Vinhedos, vamos dizer, na parte que entra pelo Oito da Graciema, que foi onde surgiu esse processo todo, fica encostado em Garibaldi, foram surgindo em nosso território empreendimentos por aí e com isso fomos ganhando. O turismo tem que ser construído de forma coletiva. Quando realizamos o nosso Vintage, duas vezes por ano, em março e novembro, são de 15 a 20 mil pessoas participando, e grande parte vem de Bento, Farroupilha, Veranópolis, Porto Alegre, Novo Hamburgo, então ele não pertence mais a Garibaldi, ele pertence ao estado, é como quando Bento faz seus eventos. Há poucos dias voltou a Fenavinho, eu vibrei, pois é mais um produto que depois de oito anos retornou. Nós temos a nossa Fenachamp logo mais em outubro, temos a Festa da Uva, a Fenakiwi, o Festiqueijo há poucos dias, os hotéis de Garibaldi estavam lotados no final de semana. Então, se cada município fizer a sua parte, todos nós ganhamos e isso realmente dá um novo alento a todos.

 

Mas a infraestrutura da BR470 comporta essa vocação turística? E a questão da segurança?

Antonio Cettolin: A gente tem que se preocupar com saúde, educação. Uma vez se dizia que segurança pertencia ao estado, mas ela também é do município e um dos valores grandes, é que temos um trabalho muito forte no sistema regional, Barbosa, Garibaldi e Bento, junto ao nosso consórcio, o Cisga, que facilita as decisões de compras, como as câmeras de segurança na BR470, pois não resolve os municípios se protegerem da porteira para dentro e deixar a via descoberta; compramos várias câmeras e já estão sendo instaladas ao longo da BR470. Com a vinda da Polícia Federal e com a Polícia Estadual que vai se instalar em Garibaldi, próximo ao silo da Cesa, numa grande parceria com Carlos Barbosa, setores públicos e privados, que está quase pronto, é segurança e tranquilidade à nossa gente. Com isso todos nós ganhamos, isso pertence à região, por isso sempre falamos em segurança regional, turismo regional, desenvolvimento regional, briga pelas nossas rodovias, pois tudo é região. Hoje a região pensa diferente, ela está de fato mais madura.

 

O Complexo Turístico Integrado, segundo Fabiano Ferrari, irá beneficiar e alcançar municípios próximos como Monte Belo, Santa Tereza e Pinto Bandeira. Mas Tamandaré, Garibaldina, Borghetto, que estão muito próximos à BR 470, pretendes envolver nessa ação? Há programas de apoio a quem investir no turismo nesses Bairros ao longo da rodovia? E tem também ali um local muito perigoso, o acesso de Tamandaré, que já está no limite, e com essa expansão do turismo na BR470 vai ficar muito pior. O que já está definido com relação a esse acesso?

 

Antonio Cettolin: Garibaldina, Linha Baú, próximas ao Oito da Graciema, já têm vários empreendedores do turismo, até mesmo na Garibaldina, e saindo no trevo onde está sendo construído o Boulevard Convention, temos a Courmayer e logo no lado temos mais restaurantes, isso já está integrado no nosso plano municipal  de turismo. Em Borghetto, nesse aspecto, ainda investimos principalmente na infraestrutura, temos aliás hoje praticamente 100% do interior asfaltado,  a não ser dois investimentos que estamos fazendo agora. Já Tamandaré tem duas situações: a questão  interna, que requer investimentos em algumas ruas, já estamos em processo de licitação, e o trevo de acesso. Estivemos numa comitiva regional com o secretário de mobilidade urbana e logística, o Costela, levamos ele ao local, ele ficou apavorado de ver o que viu, pois tem muita movimentação e perigo ali. A gente sabe que o estado está falido, se ficarmos aqui criticando, passaremos o tempo todo criticando. Nós queremos é resolver. Remetemos à câmara uma lei possibilitando primeiro um tapa-buracos na São Vendeiro em parceria com Barbosa e incluímos nesse mesmo projeto, fazer algo no trevo de Tamandaré. A câmara autorizou, a prefeitura contratou engenheiro, está elaborando e já tem croqui praticamente estabelecido para viabilizar um projeto de trevo para Tamandaré , com dinheiro da prefeitura, e vamos fazer ainda esse ano. Não dá mais para aceitar pessoas morrendo ali e não por imprudência. Na 453 há uma projeção futura para ser concedida para a iniciativa privada, inclusive a 122 de Farroupilha a São Vendelino, e a 446 de Carlos Barbosa a São Vendeiro Nós fizemos um debate muito grande uma época para encontrar caminhos. O trevo mais amplo prevê uma duplicação futura da 453, então junto com essa concessão está estabelecido um trevo melhor para Tamandaré, um trevo com a concessão que seria uma coisa maior, mas para o momento, pois não podemos perder tempo e não podemos perder vidas como tempo perdido. A prefeitura está elaborando o projeto e logo que estiver pronto nós vamos chamar vários empresários e aqui quero ressaltar o Franco Facchin, que é um dos empresários muito dedicados, está sempre junto, apoiando, cobrando até, e mais alguns empresários de Tamandaré que também estão envolvidos com isso. Nós sempre sonhamos em ter ali um trevo semelhante  ao do acesso principal da Fenachamp, que era ruim, perdíamos vidas e foi feito uma solução, o DAER nos entendeu, e foi resolvido o problema, ficou bom. Temos que entender o seguinte: nós, usuários, queremos encurtar caminhos. A gente até infringe a lei para encurtar caminhos, e esse trevo de Tamandaré tem que ter a compreensão de todos. Pensamos assim, aguardando esse engenheiro apresentar, então sentaremos com os empresários, tendo o ok o DAER tem que aprovar o projeto, pois é responsabilidade dele, e depois disso o município se dispõe em fazer o trevo. Já tem o recurso separado, eu até disse para o engenheiro que nós não temos muitos recursos, os municípios estão com contingências, é uma dificuldade, mas vou deixar de fazer uma obra em outro local para fazer o acesso a Tamandaré, nas condições que é o trevo da Fenachamp. Momentaneamente será a solução. Futuramente que vai ser duplicada e concedida logo ali na frente, pois já tem um estudo do DAER nessa questão, aí sim vamos fazer um trevo diferenciado, bem maior. Em 30 a 40 dias nós vamos ter um parecer técnico, completo do que vamos investir aí, mas de uma coisa eu tenho certeza: o município de Garibaldi vai colocar a mão e vai resolver esta questão, mais simples na verdade, mas vai resolver.

Arnaldo Seganfredo: Se formos analisar a comunidade de  Tamandaré de 30 anos atrás, ou Bento de 30 anos atrás, era uma cantina aqui, uma cooperativa ali, alguns aviários, enfim.. mas agora há um fluxo alto de veículos aí, um polo moveleiro muito grande, loteamentos sem número surgindo nessa região, então temos que pensar a longo prazo com preocupação no presente, sim, mas analisando ainda o quanto ainda vai crescer essa região, que importa muito para o município. O território é de Garibaldi, o bairro é Tamandaré, mas a estrada é de todos e essa exatamente é a realidade.

Antonio Cettolin: Outra coisa que aumentou o fluxo foi a pavimentação que Garibaldi fez, depois Bento Gonçalves também pavimentou a parte que lhe pertence nesse trecho, então inúmeros veículos que saem de Bento e que vão para Porto Alegre, saem por aí, vão para Caxias, Farroupilha, se deslocam para os locais por essa via. Os dias estão contados para isso, então, mãos na massa, como dizem.

 

A Dissegna, através do Fabiano Ferrari, tem proporcionado boas parcerias com a prefeitura de Garibaldi?  No ano passado, por exemplo, ele assinou um termo de cooperação com a Corsan e a Prefeitura de Garibaldi. E na última semana a Dissegna recebeu a LI do Loteamento Itália. Fale desses avanços que a Dissegna está proporcionando a Garibaldi.

 

Antonio Cettolin: A BR470 é federal, é DNIT, a gente sabe que as regras do DNIT são um  pouco diferentes e como há vários empreendimentos e projetos ali, alguns industriais também e esse grande empreendimento turístico da Dissegna, essa região precisa abastecimento de água da Corsan, e ela exige para quem faz esses investimentos que o próprio empreendedor puxe a água de onde ela se encontra. E para atravessar, por exemplo, uma BR 470, que é do DNIT, tem algumas regras e se isso é público facilita um pouco. Então o Ferrari nos procurou e colocou essa problemática, nós entendemos que isso é importante, o município entra como incentivador, facilitador, querendo o investimento. Nós assinamos esse convênio, entre Corsan, Município e a Dissegna para facilitar o processo, pois Garibaldi tem isso no seu bojo principal. Se hoje você não pode dar recursos, e a lei nem permite isso para poder investir, no mínimo o município tem que ser o facilitador. Se é possível o município ajudar e ser parceiro chegando junto ao DNIT para ter também a construção de um viaduto, que vai ter que ser construído, ou cortar o asfalto para passar uma tubulação de água, vamos ter que facilitar, pois a BR 470 divide duas regiões importantes que servem muito para estes empreendimentos, tanto turísticos como industriais, nós temos que abrir esses caminhos. Nós temos que, certamente, em parceria com os empreendedores, fazer algumas estradas laterais para facilitar o deslocamento. Temos algumas, mas com estes empreendimentos todos que estão acontecendo, vamos precisar ruas paralelas, laterais. E isso será construído aonde? Na área de domínio do DNIT, e se o Município está junto e esse convênio prevê esta primeira parte, prevê a água, logo em seguida faremos outro, destas vias laterais, com o DNIT. O DNIT tem se colocado muito sensível a isso e entende que é uma área de muitos investimentos e têm ajudado muito, inclusive em nossas decisões. Então especificamente neste  convênio que nós assinamos ele prevê que, como temos dificuldades com a parte lá de cima, que é uma parte alta, o empreendedor, com nosso apoio, vai fazer um reservatório grande, com isso ele vai atender todas as áreas que ele está investindo, vai possibilitar ter água para todos, inclusive até outras moradias que por ali existem, vão ter esse acesso, pois depois que fizer esse empreendimento, esse sistema todo passa para a Corsan e é ela quem irá administrar. Veja só, ele vai puxar a água da área norte da cidade, que tem um reservatório imenso, tem que ser bombeada essa água para a parte mais alta, atravessando inclusive a BR 470 e com isso farão um depósito imenso para atender toda essa demanda. Isso, como a gente diz, torna a coisa coletiva, todo mundo ganha, então nós temos ajudado muito nossos empreendedores com gestos desta natureza, licenças ambientais, facilitando as licenças ambientais, pois se tem alguma dificuldade senta com nosso secretário Arnaldo, ou mesmo com os técnicos para discutir a viabilização de todo esse processo, nós temos alguns incentivos com maquinário também, quer o empreendimento seja turístico, empresarial, setor industrial, o município colabora. Então, dentro das condições econômicas da municipalidade estamos ajudando. Temos a maior alegria em dizer que tanto do setor industrial, como setor turístico, estamos recebendo inúmeras visitas de empresários que querem empreender em Garibaldi. O Arnaldo falou que é a menina dos olhos pela localização, pelo espaço que temos, pelas estradas que circundam aí. Temos a BR470 aqui, temos a Rota do Sol que vai em direção a Estrela, inclusive naquela região temos uma área de 450 hectares reservados por lei, toda ela industrial. Garibaldi se preparou para isso, nós nos preparamos para poder receber estes empreendimentos todos que estão acontecendo e até em grande escala. Inclusive estamos trazendo uma obra de 4 milhões, uma perimetral para que se tenha acesso direto à Rota do Sol. Ela corta montanhas e morros para atender aquela região, uma área muito boa, muito nobre para nossas indústrias e fica lá fora. Ruim é o empresário montar sua fábrica e logo em seguida muitas famílias construírem próximo, aí dá aquele problema de ruído, e é aquela dificuldade, então nós pensamos realmente de colocar essa área mais distante para no futuro os problemas sonoros não acontecerem. Nós conseguimos planejar fortemente duas situações, a turística, que tem um planejamento estratégico em Garibaldi, e o setor industrial com as nossas áreas industriais. Isso está planejado, temos uma faixa atrás da Chandon e mais essa de 450 hectares, então é uma área muito grande para isso. O planejamento turístico é tanto para a cidade quanto para o interior e nós estamos fazendo investimentos para o nosso interior, como pavimentações. Realmente vai sobrar muito pouco para asfaltar, a não ser três comunidades, as mais distantes, mas para este ano é um privilégio falar de Garibaldi na posição que ele se encontra, com a estrutura que nós colocamos à disposição tanto para a cidade como para o interior, a maioria das vias (temos a última que vamos fazer, que está em construção) vamos ter 100% da pavimentação do município para os distritos e outras vias laterais um pouco menores todas pavimentadas. O município está muito bem, enxuto. Para ter uma noção, a nossa folha de pagamento fechou dezembro com 37.94%, então sobra para investir. É município enxuto que está trabalhando muito, tendo suas construções de todas as formas e queremos fazer sempre um pouco a mais. Mas nós apoiamos muito o setor privado, nós não queremos fazer para o município, puxar só para dentro da prefeitura; trabalhamos dentro do setor turístico, construímos muitas coisas. Fizemos a Associação dos Moveleiros, veja bem, hoje temos mais de 100 empresas de móveis em Garibaldi, e a prefeitura construiu junto a Associação. Nós fundamos a Rota dos Espumantes, a prefeitura constituiu isso e hoje pertence à CIC de Garibaldi, mas o município apoia. Nós retomamos a Fenachamp, então construímos uma Associação, que hoje pertence ao Segh da CIC, eles administram isso e a prefeitura apoia. A Aviga, -Associação dos Vitivinicultores de Garibaldi, ela pertencia ao município e hoje pertence à APEME de Garibaldi. A Rota do Sabor ainda é municipal, mas tem uma diretoria que coordena esse processo, oito empresários do local coordenam isso, então você consegue transmitir a eles mais valores, eles se comprometem, participam junto das decisões desse processo.

Algo que não perguntei e seria importante divulgar? Uma mensagem para a população e para investidores?

Antonio Cettolin: Em 2001, implantei a Secretária de Desenvolvimento Econômico, pois o que não gostava era de que as coisas feitas por uma gestão municipal mudasse já  na próxima. Eu digo sempre: vamos usar o exemplo da Todeschini, que é de Bento, se eles trocassem tudo a cada quatro anos? Eles não fazem isso, eles têm um planejamento estratégico, as coisas continuam, aperfeiçoam, eles podem contratar mais um elemento técnico para ajudar, mas a linha mestra continua. Então nos municípios, com a reeleição, isso facilitou às vezes. Poderia ser outro prefeito em Garibaldi, mas falo isso porque fiquei oito anos, e agora mais oito e vai encerrar ano que vem. Isso facilitou fazer um planejamento estratégico envolvendo a comunidade para o debate e por isso criar linhas para cada setor, com isso você não tem que mudar muito, segue essa linha e traz segurança para os municípios e os torna comprometidos com os processos. Temos as entidades que sentam conosco para ver o que é melhor para os empresários, comerciantes e afins. Tudo é construído junto, e quem vai elaborar isso são os interessados. Há pouco tempo contratamos uma pesquisa para o comércio de Garibaldi, a prefeitura pagou e nós a entregamos para as entidades empresariais e elas estão trabalhando, através dos dados que a prefeitura colocou à disposição; estão capacitando, treinando os próprios donos, servidores, para que o nosso comércio seja forte. Ficar reclamando que o garibaldense sai e vai comprar no shopping é muito fácil; temos é que melhorar o que é nosso. Não é coisa de um dia para o outro, mas você vai construindo sua casa primeiramente com um alicerce, um tijolinho por vez, faz o reboco e com isso vai construindo laços fortes e sólidos para promover tudo isso. Os nossos primórdios nos mostram que não adianta reclamar. Antigamente era muito mais difícil, mas deve existir luta, vontade, dinamismo, ter diálogo, paciência e respeito com o ser humano. Esse caminho você traça com esses dizeres. Garibaldi tem dado passos importantes e hoje respira um oxigênio diferente.

Arnaldo Seganfredo: Parece que é uma enxurrada de informações, mas na verdade são coisas que nos motivam a respirar todos os dias e isso é o mais curioso no setor de meio ambiente, parece engraçado,  é que até quem não precisaria passar por ele tem que passar. Se o produtor rural quiser comprar um trator agrícola, tem que ir no setor de meio ambiente e se dizer, olha, não é necessária a licença ambiental para comprar o trator. Ou seja, o crivo é muito grande. Então, geralmente, depois de passar pelo gabinete do prefeito, a segunda visita é na Secretaria do Meio Ambiente e não raro pelo nível esclarecido da maioria dos nossos empreendedores, o prefeito nos chama e nós, muitas vezes, discutimos conjuntamente o que se pode fazer. É por isso que é necessário um esclarecimento quanto às questões do licenciamento ambiental, pois são três tipos de licenças emitidas: a primeira delas é a licença prévia, que nada mais é que um estudo de viabilidade técnica para você realizar, para empreender, construir um prédio, se é um hotel, se é uma empresa, se é um loteamento, você inevitavelmente vai ter que passar pelo crivo do licenciamento prévio, a primeira abordagem. E hoje o crivo principal está na questão do zoneamento, ou seja, que tipo de empresa vai instalar, o aspecto vegetação e o aspecto água. Hoje basicamente se fala isso. Quando se fala que tem que pensar regionalmente o turismo, as estradas e tudo mais, nós temos que pensar que muitas e muitas vezes o que divide os municípios geograficamente são os rios e os rios são onde vão os nossos efluentes. Então os efluentes de Bento, por exemplo, podem passar em um rio, que vai entrar em Garibaldi, ou Santa Tereza. Temos uma geografia em que os rios acabam canalizando para A, B ou , C, falando em municípios e isso acaba transportando os efluentes das nossas indústrias, nossos loteamentos e casas. Dito isso, temos o segundo processo que é a licença de instalação, que te permite, dentro das condicionantes que existem, que você construa o seu empreendimento, seja qual for. Atendendo as condicionantes, se constrói. E depois de um período X você vai obter a licença específica de operação que é a terceira licença. Então é a licença prévia, licença de instalação e a licença de operação. Uma vez operando, dentro do regramento ambiental, você vai de quatro em quatro anos fazer a renovação desta licença, pois em quatro anos você pode expandir, enfim, ter diversas outras alternativas, ou na metade do caminho você resolve ampliar o seu empreendimento, algo nesse sentido, também não há inconveniente nenhum. É bom fazer esse parênteses antes de entrar na BR470, pois não é por que você está na BR470 que a lei, seja em território de Bento, Garibaldi ou Barbosa é a mesma, não há restrições ou benefícios para A, B ou C. Mas de toda sorte, nós, hoje, a nível de BR470, temos, pelo menos, seis empreendedores que estão investindo nessa região, seja industrial, residencial, misto, ou turístico. Então quando alguém  fala “olha, nós vamos dar uma cara nova, uma revitalizada na BR470”, queremos nós, enquanto administração, que de fato isso se concretize, estamos ansiosos por isso, temos uma demanda muito grande de licenciamentos em todo o município e não só, na região também tem, mas essa região capitaliza os empreendedores com um potencial, são visionários, seja ela na questão de turismo, de entretenimento, ou até mesmo de indústrias. Especificamente falando, estamos sim ansiosos por liberar as licenças ambientais. É fato, sim, que na semana passada conseguimos entregar a segunda licença, pois já tinha sido entregue a licença prévia, e entregamos agora a licença de instalação do loteamento Itália. Agora é só colocar as máquinas e trabalhar por que atendeu a todas as exigências para isso e, assim, já emitimos a licença de instalação do Boulevard, Convention e do próprio residencial da região do Sky. São coisas que estão acontecendo e que irão dar uma revitalizada nessa região como um todo, pois é um local onde ainda existe a possibilidade e potencial para que as coisas fluam, aconteçam e que a gente possa ver novos ares por ai. E o Fabiano Ferrari, especificamente falando, é um dos que possuem diversos empreendimentos nessa região e a gente trabalha com todos indistintamente. Existem diversas demandas que vamos trabalhando e semanalmente a gente se reúne, senta, discute, estamos lá para encurtar as distâncias e o tempo para que o progresso aconteça, sim, mas dentro de um pensamento, de uma projeção que foi feita lá atrás, correta, para não sermos penalizados por atropelar etapas e depois se arrepender. Nosso pensamento é ir fazendo a coisa pensada, programada com o resultado esperado dentro daquilo que objetivamos em nosso município.

Antonio Cettolin: Complementando, nossa equipe trabalha muito no foco de atender o mais rápido, dentro do possível. A questão ambiental tem tantas regras, não fomos nós que criamos, há situações que elas dificultam a agilidade neste trabalho, mas com a equipe técnica, é feito tudo dentro da lei. Claro, tudo depende do projeto que entra: se ele está bem elaborado, é uma situação, se falta algo, é outra situação. É um processo burocrático, não tem como deixar de lado, é preciso respeitar o que está aí, tudo ao seu tempo e é tudo isso que estamos construindo, buscando e tentando agilizar a vida de quem quer empreender. O Fabiano Ferrari é um grande empreendedor, visionário, lógico que quer fazer, primeiro para si, mas que ajuda muito o município. Quando ele faz um loteamento desta envergadura, ou o complexo que ele fará, todos nós ganhamos com isso. Por isso temos que agradecer esses bravos empreendedores, que têm coragem para empreender, pois no momento que estamos vivendo, o governo jogou todas as cartas em cima de uma previdência, mas será que isso vai se concretizar? Eu confio muito no empreendedor, aquele que empreende e gera renda, que possibilita famílias trabalharem e todos eles têm nosso respeito, pois fazem o desenvolvimento em conjunto.

Acompanhe a entrevista na Rádio Rainha:

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Pesquisa

A Dissegna realizou uma Pesquisa sobre a Vocação Turística da BR-470, que poderá ser conferida clicando aqui.

 

 

 

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