Geral

Transporte intermunicipal até 10% mais caro

Fábio Becker Loppe

Após reajuste semestral aprovado pela Metroplan, as linhas operadas pela Bento subiram R$0,35; já na Ozelame, as variações ficaram entre R$0,60 e R$1,40

O mês de junho começou pesando mais no bolso dos bento-gonçalvenses que dependem de ônibus para estudar ou trabalhar em outras cidades. O reajuste calculado pela Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Rio Grande do Sul (AGERGS) nas passagens de transporte intermunicipal para a Região Metropolitana da Serra Gaúcha foi de 4,575%, correspondendo à variação entre abril de 2018 e março de 2019 do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador que mede a inflação oficial.

Desta forma, as linhas operadas pela empresa Bento Transportes com destino a Garibaldi e Carlos Barbosa subiram R$0,35, indo para R$5,40, no último sábado, 1º de junho. Percentualmente, o aumento é de 4,85%.

Já as variações registradas nas linhas operadas pela empresa Ozelame foram ainda maiores: os preços de Bento Gonçalves a Caxias do Sul subiram para R$12,20 no ônibus semidireto, e R$14,40 no direto, aumentos de R$1,20 e R$1,40, respectivamente; já a passagem para Farroupilha teve um acréscimo de R$0,60, passando assim para R$6,55. Os reajustes ultrapassam a casa dos 10%.

Segundo Ozório Alcídes Rocha, chefe regional da Fundação Estadual de Planejamento Metropolitano e Regional (Metroplan), órgão responsável pela fiscalização e gestão do transporte metropolitano na região, o aumento da Ozelame, acima da taxa definida para o semestre, se dá por uma defasagem nas tarifas da empresa em relação ao último ajuste calculado pela Metroplan, em novembro de 2018. “Ano passado autorizamos um aumento superior a 11%, mas a empresa optou por não elevar o total estipulado para deixar um preço arredondado. A passagem da linha Bento Gonçalves x Caxias do Sul, por exemplo, que custava R$11 antes deste sábado, devia custar R$11,65. Agora, eles aplicaram o reajuste de 4,57% em cima desse valor”, explica.

Conforme explana o diretor da Ozelame, Júlio Ozelame, o ajuste nas tarifas é definido com base em uma série de variáveis. “Tudo é colocado na planilha que serve de base de cálculo tarifário: o custo dos equipamentos, a manutenção dos veículos, o dissídio dos funcionários da empresa e, sobretudo, o diesel”, enumera.

Passagens estão acima da inflação

De acordo com a economista Mônica Beatriz Mattia, entre junho e dezembro o aumento no transporte intermunicipal chegou a 9,32% nos municípios da Serra Gaúcha, valor superior ao índice da inflação no período, que nos últimos 12 meses acumulou 9,1%. Segundo ela, o novo ajuste nas passagens pesa, sobretudo, no orçamento das classes mais baixas. “O salário mínimo foi reajustado em 4,61%, portanto, abaixo da inflação e, já acumula perda de poder aquisitivo de 3,6%, no ano”, sublinha.

A economista acrescenta ainda que o aumento das passagens interfere diretamente também no enfraquecimento da economia como um todo, justamente em um período em que o Brasil ainda sofre para sair da crise. “Os usuários dos transportes com tarifas reajustadas estão perdendo poder aquisitivo. Desta forma, gastam mais com tarifas de ônibus e menos com a aquisição de outros bens de consumo provocando perda em toda a economia. É imprescindível”, finaliza.

Foto: Diúlit Bernart/ Divulgação

 

 

 

 

 

Sobre o autor

Fábio Becker Loppe

Fábio Becker Loppe

Deixe um comentário