Saúde

Temporada de luta contra a gripe

Fábio Becker Loppe

Médica e Secretaria da Saúde reforçam a importância de se vacinar anualmente

Muitas vezes tida pela população como uma doença de menor risco, a influenza aparece na lista das “10 principais ameaças à saúde global em 2019”, publicação anual da Organização Mundial da Saúde (OMS). As taxas de casos e de óbito causado pelo vírus mostram que o alerta não é em vão. Segundo o Informe Epidemiológico da Secretária de Vigilância em Saúde foram registradas 1381 mortes por influenza no Brasil em 2018. No Rio Grande do Sul, a Secretária da Saúde assinalou 94 óbitos e 613 casos de Influenza, sendo 10 deles em Bento Gonçalves.

Ainda segundo a OMS, que acompanha constantemente a circulação do vírus para detectar possíveis emergências, embora não haja como estabelecer ao certo uma data ou região, a eminência de uma nova pandemia de gripe é inevitável. O motivo é a evolução constante do vírus, e essa também é a razão pela qual se incentiva que a vacinação contra a gripe seja feita todos os anos, como confirma a médica infectologista Nicole Alberti Golin. “A imunidade adquirida a partir da vacinação diminui com o tempo. Além disso, a vacina contra a gripe passa por modificações todos os anos devido à mudança nos principais subtipos de vírus circulantes”, assinala.

Nicole explica ainda as alterações das vacinas trivalentes oferecidas nos postos de saúde neste ano, em relação às de 2018. “Deve-se salientar que ocorreram duas mudanças em relação à vacina trivalente indicada para esta temporada. O vírus H1N1 se manteve o mesmo, mas o H3N2 e o tipo B foram alterados em relação à versão anterior. Em virtude dessas mudanças, reforça-se a necessidade e importância da vacinação na campanha em 2019”, conclui.

Bento quer vacinar 32 mil pessoas

A Campanha Contra a Gripe deste ano foi lançada oficialmente em todo o Brasil na quarta-feira, 10 de abril. A meta, como na última edição, é alcançar 90% dos públicos-alvo. Ao todo, foram distribuídas 63,7 milhões de vacinas, e espera-se que pelo menos 58,6 milhões de pessoas sejam imunizadas em todo o país. Em Bento Gonçalves, segundo o coordenador de vigilância em saúde, Rafael Medeiros Vieira o objetivo é alcançar 32 mil pessoas.

Embora os índices de vacinação no município costumem estar acima das taxas estabelecidas, como nos casos das campanhas contra o sarampo e a poliomielite no último ano, onde a Capital do Vinho atingiu 100% de cobertura do público-alvo, a vacinação contra a gripe ficou abaixo da meta nacional. Segundo Vieira, o índice foi baixo entre gestantes e crianças, o que acredita que será diferente nesta edição. “No ano passado atingimos a cobertura global de 86%. Isso se deve principalmente à baixa vacinação dos grupos das crianças e gestantes. No entanto, essa não foi uma realidade apenas de Bento, tanto que esse ano, por premissa do Estado, iniciamos a campanha no dia 10 de abril, priorizando estes dois grupos”, explica.

As vacinas contra a gripe estarão disponíveis na rede pública de saúde até o dai 31 de maio. Na primeira etapa, já iniciada, a prioridade é para gestantes e crianças. A vacinação para os demais grupos prioritários iniciam no dia 22 de abril.

Cronograma de vacinação e grupos prioritários

.  Grupos que podem receber a vacina, de graça, em postos de saúde, a partir de hoje:

– Crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade (5 anos, 11 meses e 29 dias)

– Gestantes (em qualquer idade gestacional)

– Puérperas (mulheres até 45 dias após o parto)

 

. Grupos que podem receber a vacina a partir de 22/4:

– Crianças de 6 meses a menores de 6 anos de idade (5 anos, 11 meses e 29 dias)

– Gestantes (em qualquer idade gestacional)

– Puérperas (mulheres até 45 dias após o parto)

– Pessoas com 60 anos ou mais

– Povos indígenas aldeados

– Trabalhadores de saúde dos serviços públicos e privados

– População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional

– Professores de escolas públicas e privadas

– Portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais*

* Doenças crônicas respiratórias, cardíacas, renais, neurológicas ou hepática; diabetes; imunossupressão; obesidade; transplantados ou pessoas com trissomias (alterações genéticas congênitas).

 

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