Economia

Os desafios do e-commerce em Bento

Fábio Becker Loppe
Escrito por Fábio Becker Loppe

Especialistas e lojistas apostam na união da comodidade do online com o relacionamento oferecido pelas lojas físicas

Em constante aperfeiçoamento, as tecnologias oferecidas pela era digital têm modificado nossa forma de viver. Aumenta, a cada dia, o número de adeptos de serviços de delivery, pagamentos de contas online, aplicativos de transporte e hospedagem, entre outros, sem contar no óbvio crescimento e influência das redes sociais. Nessa mesma linha, a comodidade de efetuar uma compra com um simples click e a ampla gama de produtos e promoções oferecidos por lojas virtuais também têm modificado o comportamento do consumidor moderno.

Embora as pesquisas divirjam em números — algumas apontando que as vendas online já ultrapassaram as vendas em comércios fixos; outras assinalando que isso está por acontecer —, todas assentem que o e-commerce está em crescimento. Entre as mais recentes, destacam-se: o levantamento feito pela PwC em 2018, afirmando que 65% dos entrevistados diziam comprar com frequência pela internet; e o estudo “Os Novos Consumidores Brasileiros”, da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), que apontou que entre os jovens até os 22 anos 75% compram em lojas virtuais.

A realidade do e-commerce em Bento

Segundo lojistas, a oferta de produtos a pronta entrega é um diferencial da venda em loja física

Apesar de ainda não existir nenhum levantamento sobre o perfil do consumidor em Bento Gonçalves, especialistas e lojistas da cidade assinalam que o varejo está preocupado em investir em vendas online, mas, no geral, ainda acreditam na influência do relacionamento pessoal como diferencial importante para manutenção das lojas físicas.

Para o presidente do Sindicato do Comércio Varejista (Sindilojas) de Bento Gonçalves, Daniel Amadio, o tom alarmista escutado em eventos e feiras há alguns anos de que o comércio eletrônico poderia sucumbir com as vendas tradicionais está enfraquecendo. Ele acredita que o mercado está tentando conciliar as duas modalidades de negócio, acentuando as vantagens de cada uma. “Há dois anos se falava muito que o e-commerce era o futuro, mas isso já flexibilizou um pouco. O pessoal começou a fazer um mix de venda pela internet com relacionamento. Então, se oferece a comodidade da venda online, mas sem nunca esquecer o contato direto com o cliente”, destaca.

Nesse sentido de aproximar-se do comprador, Amadio assinala de forma positiva as campanhas de marketing que visam consolidar o relacionamento do consumidor com a marca. “É muito importante esse movimento no sentido de trazer o cliente para a loja sem o objetivo único de vender. Se você compra uma Harley na concessionária, por exemplo, todo sábado te convidam para ir lá tomar um café e conversar com outros colecionadores da moto para trocar experiências, falar de viagens. É preciso humanizar esse contato”, opina.

O secretário municipal do Desenvolvimento Econômico, Sílvio Bertolini Pasin, observa um crescimento das lojas virtuais na cidade tanto dentro de empresas maiores como em pequenos negócios. “Tem surgido algumas lojas menores dentro de residências para trabalhar com comércio online de forma direta ou simplesmente como compra e revenda. Também tem um movimento forte da indústria para treinar seu pessoal para lidar com esse novo mercado”, pontua.

Segundo Pasin, o Conselho Econômico Municipal está trabalhando com um projeto implementado pelo Sindimóveis para capacitar micro e pequenas empresas para o e-commerce. Para o secretário, a modernização do comércio é inevitável. “As lojas só do formato antigo vão ser obrigadas a migrar para a internet também. É aquele tipo de manifestação que se vê no mercado e que quem não segue fica para trás”, sublinha.

A adaptação dos lojistas locais

Diretor e programador de uma empresa de criação de sites da cidade, Bruno Carraro, acredita que a procura de lojistas por e-commerce tem aumentado consideravelmente nos últimos três anos, no entanto, ainda não é um número alto. “Tem sido uma busca média. Mas pela expectativa de mercado, logo estaremos com uma grande procura para desenvolvimento de e-commerce”, prevê.

Um exemplo de empresário que recentemente resolveu investir na venda online, é Rafael Mejolaro de Costa, proprietário de uma empresa de ferramentas para indústria e para uso doméstico, que há um ano está desenvolvendo sua loja virtual. Ele acredita que trabalhar com vendas pela internet no contexto atual é imprescindível, mas que é um processo longo de aprendizado. “Estamos trabalhando bastante, mas não estamos convertendo tanto. Ainda engatinhamos no online, é mais complicado do que parece, temos que saber como atrair clientes, se destacar em um espaço onde a concorrência é maior, cuidar das redes sociais, gerar confiança”, assinala. Apesar das dificuldades, Costa destaca que o número de vendas está dentro do planejado e que a meta é triplicá-los em um ano.

Já Michel Carra, proprietário de um e-commerce de peças automotivas, trabalha há 15 anos com vendas na internet, estando na contramão de um mercado que ainda tenta se adaptar a essa modalidade de comércio. O pioneirismo e o sucesso obtido nesse meio, inclusive fizeram com que ele optasse em fechar a loja física para focar somente na virtual. “Em  2017 migramos totalmente para o e-commerce e fechamos a nossa loja física. Por trabalharmos em um segmento muito específico e com muita concorrência na região, manter a loja aberta começou a não fazer mais sentido, então optamos em focar no online e vender para todo o Brasil”, destaca.

Fotos: Fábio Becker

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