Denise Da Ré

O Chamado (I)

Denise Da Ré
Escrito por Denise Da Ré

Vai passar um filme na cabeça dos guris e gurias que frequentaram o Escritório Modelo do Colégio Nossa Senhora Aparecida nos anos sessenta. Mas não de terror. No máximo, de espanto, tipo “este vovô é aquele gatão?” Ou, “esta vovó é aquela gatinha?”.

O tempo não perdoa. Então, tudo bem se pneus foram se agregando à massa corporal, pois eles dão estabilidade ao sujeito; se os cabelos branquearam ou caíram, pois isso indica maturidade e experiência; se a memória anda trolando, pois algumas coisas precisam mesmo ser desdenhadas; já traços faciais contam histórias de vida. E são as histórias de vida que contam.

Aliás, a vida é assim: um eterno renovar-se. A gente se renova a cada dia, através de novo olhar, de novas cores, de novo recomeço, de novos objetivos… Está bem! Algumas coisas são “irrenováveis”, como as células do HD humano que pifam. São os lapsos do outono que anunciam o inverno. Mas quando este chegar… Bom, aí é que a porca torce o rabo! Se bem que a gente pode apelar ao Tim Maia para que deixe “o céu tão lindo”. Afinal, primavera também pode ser um estado de espírito.

Por isso, este apelo. Queremos que os formandos de Contabilidade de 1968, dispersos neste mundão se encontrem para celebrar a vida e, de quebra, que possam rememorar os velhos tempos adormecidos nos escaninhos e gavetinhas da mente… antes que seja tarde. Pois é! Alguns até já partiram pro andar de cima. A “essa galera do segundo andar”, brindaremos às lembranças.

Este é o primeiro chamado. A confraternização do cinquentenário de formatura é só em novembro. Mas para que isto aconteça, todos precisam reservar a data desde logo. Marque na sua agenda: dia 23. Desculpas não serão aceitas. Até!

Brincando de poesia (trecho do poema Epifania, que tem a ver com o Chamado- I)

Vou mergulhar em meus guardados,
Soprar as painas dos poemas,
urdir os arabescos,
libertar os sobrados
ejetar as fantasmagorias…

Vou amar a mesa posta
e os lugares ocupados.

E, dada a urgência deste amor,
desde já decreto:
que sejam derretidas as geleiras
e preenchidas as ausências;
abertas as paredes
e estendidos os afetos.

Sobre o autor

Denise Da Ré

Denise Da Ré

Professora, escritora e colunista do Jornal Semanário.
denisedarebg@gmail.com
www.jornalsemanario.com.br

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