Cultura

Mestres prateiros: histórias com arte

Da Redação
Escrito por Da Redação

1º Encontro Internacional ocorrerá entre os dias 9 e 11 de março, na Casa das Artes, e deve reunir 25 artistas

O Brasil não tem minas de prata, mas Bento Gonçalves tem um dos mais renomados prateiros do Mercosul, o artista Raul Sartor Filho, 38 anos, que em parceria e apoio do filantropo e incentivador da arte e cultura Darci Poletto, promovem no município, o 1º Encontro Internacional de Prateiros, realização inédita no país. Denominado um encontro de mestres, a exposição vai reunir 25 artistas, de 9 a 11 de março, na Fundação Casa das Artes. Uma oportunidade ímpar de conhecer o trabalho de prateiros de vários países. “Esse também é um dos objetivos da exposição, apresentar às novas gerações um ofício que por pouco não desapareceu, mas quem tem um mercado muito sólido e diferenciado” ,comenta Darci Poleto. Segundo ele, o auge dos prateiros, que são os artesãos que trabalham com a arte em prata, se manteve até os meados da década de 50 no Brasil, e depois houve um declínio com a industrialização, substituindo muitas oficinas.

Faca com lâmina de 150 anos, usada na Guerra da Degola. Foto: Reprodução

A exposição deverá ter peças, como uma faca avaliada em mais de R$ 100 mil, onde foram utilizadas 80 gramas de ouro para os detalhes; a cuia que homenageia a abolição da escravatura e tem em seus detalhes uma história linda e emocionante; enfim, serão artistas de cinco países apresentando trabalhos únicos. A abertura do evento está marcada para às 18h30min do dia 9 de março, seguida de show de Lisandro do Amaral. A entrada é franca, mas é solicitada a doação de um quilo de alimento não perecível.

Escola de Arte

As peças são esboçadas primeiro em um caderno de desenho. Foto: Divulgação

Para resgatar e difundir este ofício, surgiu a Escola de Arte Santo Elói, criada por Darci Poleto e inspirada na paixão e sonho de Raul, que ministra as aulas. Com apenas seis meses de atuação, a escola, em fevereiro, inicia a quarta turma de alunos, que terão aulas da técnica de cinzelado, aprimorando o conhecimento. As peças geralmente são canetas, cuias e bombas de chimarrão, fivelas de cinto, obras sacras, jóias, facas, enfim, um universo de possibilidades onde a prata se funde com a criatividade. O uso de materiais, como couro, está muito presente, assim como o ouro, valorizando ainda mais as criações. A amizade entre Raul e Darci foi momentânea, em meados do ano passado, quando a encomenda de um presente uniu o artista e o incentivador. Ao ver o trabalho e ouvir as histórias e desejos do jovem, Poletto conseguiu locar, com a Casa das Artes, um espaço no porão para montar uma oficina equipada e criar a Escola de Arte Santo Elói. Alunos de diversos estados, e de outros países, vêm a Bento Gonçalves aprender e aperfeiçoar a arte da prataria. E novos projetos estão ganhando forma.

Autodidata

Trabalhar com a prata e transformá-la em arte, compondo uma história para cada detalhe, tornando uma peça única e muitas vezes de valor incalculável, estão entre as características marcantes de Raul Sartor Filho. Autodidata em praticamente tudo que se dedica, mostrou a excelência e domínio como prateiro desde a primeira peça confeccionada há 15 anos, quase que sem querer, descobrindo um novo mundo profissional e um mercado de trabalho que só tende a crescer.

Desde criança, Raul gostava de brincar com argila, madeira, tinta; cresceu e investiu em cursos de design, marceneiro, projetista do setor metalmecânico, mas não estava satisfeito, pois senti a necessidade de explorar novas áreas. A arte da prataria surgiu por acaso, quando decidiu que queria fazer um camafeu para presentear. Ainda na época da internet discada, investiu tempo em pesquisa e contato com joalheiros de vários estados, mas foi em vão.

Raul Sartor Filho e Darci Poletto, amizade que resultou na escola. Foto: Divulgação

Sem desanimar, procurou um vizinho e pediu ajuda. Recebeu um bloco de cera e as ferramentas com a condição de que se ele conseguisse fazer o molde, o vizinho fundia o camafeu. “Ficou perfeito. Gostei tanto que decidi fazer uma fivela para presentear meu irmão. Foi um sucesso, que resultou em várias encomendas”, conta. No início era uma atividade extra, hoje, há encomendas até junho deste ano. Na fila de espera, estão o Governador de Santa Catarina e sua esposa, a família Bastos Tellechea (da famosa marca BT de criadores de cavalos) e tem os que já desfilam com as obras de Raul, como o cantor Almir Sater.

Todas as peças confeccionadas pelo artista recebem um Certificado de Autenticidade, com imagem e registro em Cartório. É uma garantia de estar adquirindo uma verdadeira arte e que é uma obra única, além da autenticidade do uso da prata e ouro. Para conhecer um pouco mais da arte e suas histórias é só acessar o site www.raulsartorfilho.com.

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