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Menino vítima de bullying aguarda por cirurgia

Lorenzo Franchi
Escrito por Lorenzo Franchi

O caso aconteceu no ano passado. Além de danos psicológicos, os problemas crônicos de saúde preocupam familiares

A agressão se dá de várias formas: física ou psicológica, direta ou indiretamente. Para quem agride é “sempre uma brincadeira”, para quem sofre “um trauma” a ser superado. Em um dos casos que chegou ao conhecimento do Jornal Semanário um dos alunos, um menino de 12 anos, foi agredido por outro colega, em meio a educação física. Hoje, o menino vítima da truculência está passando por tratamentos clínicos e psicológicos. Ele reclama de dores nas costas e joelhos, além de ter um “bloqueio” para criar novos vínculos de amizade.

Tudo começou em setembro do ano passado. Os adolescentes, de 12 e 13 anos, na ocasião, estudantes do 5º ano do ensino fundamental da escola EMEF Professor Ulysses Leonel de Gasperi começaram a ter desentendimentos em sala de aula, proporcionado por brincadeiras, devido a baixa estatura de um deles, por causada síndrome de Acondroplasia -condição genética relacionada a altura e alteração dos ossos. Segundo a vítima com iniciais L.R.S.F, “as brincadeiras se transformaram em agressões e ameaças”, disse.
A mãe do estudante vítima, iniciais M.S, 43 anos, relatou que teve conhecimento das hostilidades por meio de uma vizinha. “Uma amiga, que tem uma filha que estudava na mesma instituição me disse: minha filha chega a chorar quando conta o que fazem com ele. Então, fui até o colégio, conversei com as professoras e diretora para saber o que estava acontecendo”, ressaltou.

De acordo com a mãe, após a conversa com os professores, o seu filho afirmou ter sido ameaçado pelo colega. “Ele chegou em casa e disse, mãe o menino falou que se você for mais uma vez no colégio ele vai me bater. Ela continua, “eu não aceito isso. Até agora nunca tinha sido um problema. Ele é um menino tranquilo, não briga com ninguém, tinha amizades com todo mundo”.

Família registrou boletim de ocorrências contra a escola por vias de fato e perturbação da tranquilidade. Foto: Lorenzo Franchi.

O estopim do caso aconteceu na última semana de outubro de 2017. Segundo relato da mãe  do estudante, o adolescente foi agredido e insultado durante o período de educação física. “Era chamado de pigmeu. Ele batia e me xingava, perguntava onde estavam os outros seis anões, quem teria dado a maçã envenenada para a Branca de Neve e mandava eu voltar para a floresta”, conta a vítima.

O adolescente, que ainda tem dificuldades para falar sobre as agressões, disse ter sido jogado no chão e chutado violentamente. Os golpes teriam atingido seus joelhos e abdômen. Ele ainda reclama de sentir dores nas articulações das pernas e lombar devido as agressões.

Após o fato, o menino concluiu o ano letivo em casa e só voltou a estudar porque conseguiu transferência para a Escola Carlos Dreher Neto. A família registrou Boletim de Ocorrências contra a instituição de ensino, por vias de fato e perturbanção da tranquilidade.

Saúde
O menino tem recebido acompanhamento pela unidade de saúde do bairro Municipal, onde mora com a família. Além de enfermeira e fisioterapeuta é disponibilizado uma psicologa, para mimizar o trauma, e ortopedista para tratar da síndrome genética.

A mãe relata que após o acontecido, os diagnósticos médicos sobre a saúde do menino mudaram. “Quando morávamos em Maravilha (SC), há 2 anos, a ortopedista afirmou que o caso dele não era cirúrgico. Agora a especialista daqui disse que ele vai ter que fazer cirurgia nos dois joelhos. Vão ter que colocar talas nas pernas porque atrofiou o joelho para dentro, de tanto que o menino chutou”, enfatiza.
Ainda segundo a dona de casa, o menino aguarda novos exames para dar encaminhamentos a cirurgia que de ser realizada via SUS.

Após as agressões, menino teve que concluir o ano letivo em casa. Foto: Lorenzo Franchi.

Bullying
O Bullying, termo da língua inglesa (bully: “valentão”) se refere as formas de atitudes agressivas, verbais ou físicas, intencionais e repetitivas, que ocorrem sem motivação evidente e são exercidas por um ou mais indivíduos, causando dor e angústia, com o objetivo de intimidar outra pessoa sem ter a possibilidade ou capacidade de se defender, sendo realizadas dentro de uma relação desigual de forças ou poder, tem se tornado sinônimo na educação do Brasil e já é sentido em Bento Gonçalves.

Posicionamento da prefeitura

A Secretaria de Educação (SMED), por meio da assessoria de comunicação da prefeitura informa que a pasta está acompanhando o caso junto com a escola. Foram realizadas intervenções com os alunos, as famílias e os profissionais da escola com o intuito de contornar a situação. Além disso, proporcionamos a realização de um círculo restaurativo com os alunos, porém, as famílias não participaram. De acordo com relato da escola, os alunos eram amigos, mas após uma desavença durante uma atividade numa aula de educação física,o estudante foi trocado de turno, para ficarem separados e evitarem problemas.
Já a secretaria de Habitação e Assistência Social, através do CRAS II, tem realizado intervenções com a família do menino, proporcionando orientações socioassistenciais sobre os serviços públicos e benefícios disponíveis, bem como incentivando a família na manutenção do vínculo com o serviço de psicologia já oferecido ao menino através da Unidade Básica de Saúde.
De acordo com a Secretaria de Saúde, no caso de necessidade de intervenções cirúrgicas, uma vez que a família não tem condições de pagar, a mesma deve procurar pela Unidade Básica de Saúde do seu bairro para efetuar os devidos encaminhamentos.

Posicionamento da Escola:

A Direção da Escola EMEF Professor Ulysses Leonel de Gasperi afirma que aplicou as medidas cabíveis, conversando, acionando as famílias, organizando circuitos restaurativos, tendo todos os fatos registrados em atas.

“Ressaltamos que os alunos envolvidos são casos de inclusão, mas acima de tudo, são crianças e que como tais, se envolvem em conflitos e que precisam ser orientados, o que de fato aconteceu”, disse a direção da escola.

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