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Mais de 700 acidentes em seis meses na cidade

Elisa Kemmer
Escrito por Elisa Kemmer

Quatro acidentes por dia. Essa é a média de registros feitos de colisões ocorridas dentro da cidade no primeiro semestre do ano. Os dados são do Departamento Municipal de Trânsito (DMT) e da Brigada Militar (BM). O DMT registrou 533 ocorrências com danos materiais nos primeiros seis meses do ano. Os militares atenderam mais de 170 acidentes com lesões corporais no mesmo período. Os números são altos e acontecem em sua maioria por falta de atenção ou imprudência, conforme aponta o capitão Rogério Schu.

As ocorrências atendidas pela BM, em sua maioria, são de lesões leves. Segundo o capitão, atropelamentos, que causam mais fraturas, são raros. “Maioria dos acidentes acontecem por descuido. Muitas vezes condutores que não param em cruzamento, imprudência dos motociclistas. Alguns acontecem também por excesso de velocidade. A maioria de nossas ruas são de 40 km/h. Os motoristas aumentam a velocidade e não conseguem parar a tempo quando encontram um obstáculo”, declara.

Schu também alerta para a falta de atenção dos pedestres. “Observamos que muitas pessoas atravessam a faixa sem olhar se está vindo carro ou não. Várias colisões acontecem porque o motorista freia bruscamente para a pessoa passar e o que vem atrás não consegue parar”, destaca. Em dias de chuva a situação piora. Com condições climáticas desfavoráveis, a BM chega a atender até cinco ocorrências com lesões por dia.

Cidade não comporta tantos veículos

O número de veículos circulando pela cidade também é um fator, de acordo com o capitão, para o alto número de acidentes. “Teria que já ser estudada algumas formas de mudar os fluxos em algumas vias. Por ser uma rota turística, vem muita gente de fora, impactando no trânsito”, analisa Schu. Ponto que o coordenador de Políticas Públicas de Trânsito, do DMT, Thiago Fabris concorda.

Segundo ele, estão cadastrados 82 mil veículos em Bento Gonçalves. Unindo com quem vem de fora, são cerca de 50 mil em circulação diariamente. “A cidade cresceu muito em pouco tempo. O problema mesmo hoje é o centro. Se olhar uma foto de 50 ou 60 anos atrás, continua igual. Até passei algumas sugestões para o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (IPURB)”, diz.

Melissa Gauer, diretora adjunta do IPURB, esclarece que há um plano de mobilidade em vigor desde 2015, mas é um planejamento de longo prazo. O problema das áreas com fluxo intenso de veículos é mais complexo, pois são vias antigas e já há construções dos dois lados da rua, o que impossibilita o alargamento. “No centro, a maior dificuldade é o conflito entre sistema viário e patrimônio. Tem lugares que não consigo mexer. O que dá para fazer é pensar em mudança de sentido e retirada de estacionamentos, medidas mais paliativas”, declara.

Imprudência nas rodovias

Nas rodovias da região, somente nesse ano, foram 15 mortes. Os números são superiores ao mesmo período do ano passado, quando 9 pessoas perderam a vida. A polícia contabiliza somente as que ocorreram na hora. O motociclista que colidiu contra um carro no domingo, dia 11, na ERS 444, e morreu no hospital, por exemplo, não está nas estatísticas dos órgãos fiscalizadores.

Segundo o tentente Marcelo Stassak, comandante da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) de Farroupilha, o número de mortes subiu nas rodovias estaduais em virtude das fatalidades ocorridas no quilômetro nove da ERS 431, trecho que já tirou a vida de quatro pessoas somente nesse ano. Mas em todas as rodovias estaduais da região, o número de acidentes teve alta. Até agosto do ano passado, foram 33, contra 47 em 2019.
Para o comandante, a principal causa é o descuido por parte do condutor. Stassak elenca a alta velocidade e ultrapassagem em locais proibidos como principais exemplos da imprudência que pode ser vista diariamente nas estradas.

Já na BR 470 os acidentes vêm diminuindo. Nesse ano, somente maio e junho tiveram números acima dos ocorridos em 2018. O chefe substituto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Bento Gonçalves, Ricardo Bitencourt de Bessa, afirma que não há uma causa específica para essa alta. Ele destaca que os números vêm caindo desde 2015, devido ao trabalho de fiscalização.

 

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