Cultura

Contos de horror em um pacto com a cultura

Andressa Borges
Escrito por Andressa Borges

O universo dos livros e da literatura sempre fascinaram o vendedor Juliano Furlanetto, 30. O sonho de ser escritor fez parte da sua juventude, mas a vida real sempre nos dá um banho de água fria. Apesar de tudo, Furlanetto sempre persistiu. “O importante é não desistir, mesmo no seu íntimo, manter viva essa chama, para que um dia algo possa realmente nascer disso”, frisa.
Foram a paciência e a persistência que trouxeram Furlanetto até aqui, no lançamento da sua primeira obra, o livro de contos “O Pacto”, contemplada pelo Fundo Municipal de Cultura. “Foi fundamental, caso contrário este sonho não teria sido realizado. Este incentivo é a prova de que a cultura jamais irá morrer e que enquanto alguns acreditarem, muitos talentos ainda serão descobertos e terão a oportunidade de se mostrar para o grande público”, comenta.
Para Furlanetto, no cenário cultural do município, sua obra é algo diferente. “O Pacto” são doze histórias de horror com subgêneros diferentes, voltadas para o mesmo objetivo de fazer o leitor se arrepiar, sentir pena e afeição dos personagens e esperar uma reviravolta em cada conto, graças ao plot twist, termo utilizado para mudanças radicais de enredo.
O gênero que o fascina na literatura e no cinema tem referências de peso. “Stephen King domina as estantes da minha casa, tendo um lugar separado apenas para suas obras. A filosofia também tem um lugar de destaque, autores como Leandro Karnal, Luis Felipe Pondé, entre outros. E no cinema gosto do clássico como “O Iluminado” (outra referência a King), Psicose, até mesmo mundos fantásticos como O Senhor dos Anéis, e mini séries”, diz.
O gênero sempre atraiu o autor pela peculiaridade e sagacidade das histórias. Atribui a escolha também ao fato de ser “medroso”, mas ele se explica. “Ter medo do sobrenatural fez com que eu colocasse mais veracidade nas páginas e nos contos. Procurava me colocar no lugar dos personagens e criar pessoas comuns ao invés de heróis. O ser humano comum não tem nada de heroico e curto isso. Na verdade grande parte da população é medrosa, só não gosta de admitir”, revela.

O início
Como todo bom escritor, certa noite Furlanetto imaginou o início de uma nova história que ele não sabia como ia terminar. “Em uma daquelas noites nostálgicas de inverno pensei em um homem na beira de um abismo fazendo um pacto com o diabo para ter a vida dos sonhos. Com essa ideia em mente decidi escrever um conto sem saber aonde iria chegar”, relembra.
Na época ele escrevia um romance policial e, com ajuda de amigos e familiares, decidiu dar continuidade aos contos de horror para ser sua primeira obra. “Um amigo me perguntou porque não escrever uma antologia de contos. Seria mais fácil como estreia, e as pessoas que, muitas vezes não gostam de ler um longo romance, poderiam ler contos de 15 a 20 páginas. Com essa ideia comecei a produzir mais contos para o projeto”, relembra.

O futuro
Furlanetto já teve uma crônica publicada em uma antologia chamada “As Cartas Que Nunca Mandei”, pela Scortecci Editora. A maioria de seus escritos ficam no computador ou em publicações em suas redes sociais.
“O Pacto” é o primeiro livro de muitos que pretende lançar. Cheio de ideias, Furlanetto já prevê novidades para o ano que vem. “Estou acabando de escrever meu romance policial e se tudo correr bem, no ano que vem pretendo lançá-lo”, comemora.
Em relação ao movimento cultural, Furlanetto vê que caminha, mas a passos lentos. “Desde a leitura até a música e dança sempre agregam culturalmente à cidade e à região. Os artistas regionais ainda são pouco valorizados, mas acredito que com o tempo e apoio necessário muita coisa boa ainda vai surgir”, finaliza.

 

Serviço

Lançamento do livro “O Pacto”
Dia 14 de julho, domingo
às 15h30min
na Livraria Aquarela

Aberto ao público

 

Sobre o autor

Andressa Borges

Andressa Borges

diagramacao@jornalsemanario.com.br

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