Andressa Borges

Bipolar. Ou não.

Andressa Borges
Escrito por Andressa Borges

“Bipolaridade é uma doença psiquiátrica caracterizada por variações acentuadas no humor, com crises repetidas de depressão ou mania”. Não sou diagnosticada e nem tenho autoridade para falar sobre o assunto. Mas a palavra tornou-se um tanto comum para definir uma mudança drástica de humor ou até de opinião.
Uso a minha parte da bipolaridade como um bom instrumento. Às vezes. Por exemplo, já não estou achando bom o tema desse texto porque só pensei em dois parágrafos dele, mas se desistir agora não vou estar me esforçando e será mais uma coisa que eu faço e não finalizo. Posso desistir ou esforçar meu cérebro (a essa hora: 2 da matina) para finalizar.

Uso meu lado bipolar como um escudo anti decepção. Naquela velha história de que quando eu quero o outro não quer e quando eu resolvo querer o outro resolve sumir, tenho o hexa. Então quando vejo que está ficando bom demais para ser verdade penso em todas as coisas ruins que aquilo podia me trazer e imagino que possa ter coisas muito melhores. Assim, está evitada a decepção e eu mudei totalmente de ideia sobre aquilo. Mas também estou finalizando uma coisa que nem se quer começou. Então…não gostei desse raciocínio. Não façam isso.

Às vezes acho que penso demais, mas quando penso de menos sinto que fico para trás. Tem a ver com a ansiedade também, a falta de paciência e os momentos de carência. Queria fazer tudo ao mesmo tempo, assistir série, ler livros, estudar, fazer uma pós, natação, ganhar uma medalha, fazer um bolo de chocolate. Mas me dizem que eu não tenho que fazer tudo, que somos humanos e tal. Beleza, fico de boa até que vem alguém e faz tudo isso com um bebê no colo. Pra onde vai minha auto estima, bebê?

Não sei o que pode ser útil nesse texto a não ser que ele seja uma expressão pura e íntima de desabafo. Todo mundo deveria escrever o que sente algumas vezes na vida. Deveria conversar com alguém, dizer o que está pensando. Somos tudo e nada ao mesmo tempo. Somos o reflexo de nossas experiências, mas também absorvemos as experiências dos outros. Um dia cinzento pode me fazer querer ficar em posição fetal por semanas, mas pode ser que eu nem repare que ele esteja cinzento.

Você pode ter feito e passado por coisas boas e ruins, e se você aprendeu com isso também vai aprender que é mais fácil deixar uma situação externa te abalar quando as suas estruturas estiverem frouxas.
Nem sempre terei coisas boas para compartilhar, minhas estruturas estão cambaleando com o vento frio, mas o que seria dos dias bons se não houvessem os ruins? Odeio rotina.

Sobre o autor

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