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Da Redação
Escrito por Da Redação

Amigas para sempre… Não, mentira. Nunca fui de muitos amigos, sabe? Amigos esses que você jura amor eterno no dia dos seus aniversários. Posso, tranquilamente, contar uns três ou quatro, nem preciso das duas mãos. Eu não estou falando de colegas, estou falando daquele amigo que você liga na madrugada, aquele que é a primeira pessoa que você pensa quando precisa contar uma coisa nova, aquele que recebe as mensagens mais estranhas quando você já excedeu na bebida.

Acho que é porque sou meio egoísta e sem paciência. Essa coisa de conhecer pessoas novas demanda tempo e um pouquinho de amor. Sou assim mesmo com meus velhos amigos. Você tem que ser muito, mas muito importante pra mim pra eu parar o que estiver fazendo e ir te socorrer em uma crise existencial. E vou te dizer que é drama, toma uma aspirina que passa. Não me orgulho disso, pelo contrário, mas tem coisas que a gente não muda tão facilmente, ou nem se interessa em mudar.

É bom sair da escola e crescer, porque na escola você não seleciona. Quando há inocência, todo mundo é amigo e a festa está feita. O problema é que a gente cresce e aquelas amigas que você jurou amor eterno aos 12 anos, você já nem sabe por onde andam. Aquelas pessoas que você confiou te decepcionaram e, devagarzinho, a gente vai perdendo a fé. Ficamos duras, desconfiadas, sem dar muita abertura pra pessoas novas. É que a probabilidade de quebrar a cara é tão grande que, na maioria das vezes, nem vale o esforço. Depois que você leva uns tombos, fica mais fácil descobrir quem é “de verdade” e quem não sabe olhar nos olhos enquanto fala. Sou radical com isso: não me olhou nos olhos? Querido, nem tenta duas vezes, já tenho alguns pés atrás com você.

Andei tentando permitir essas pessoas novas. Ok, venha cá, vamos conversar, quem sabe a gente pode se tornar algo legal… Não dá, desisto, não tenho estômago pra isso. Tampouco paciência. As pessoas são malvadas e mentirosas. Já disse, faz tempo que perdi a fé.

Tem aquelas pessoas que não dá. Quando o santo não bate, não bateu e pronto. Você vive a sua vida ali e eu fico com a minha aqui. Não se deseja o mal ou incomoda, só é indiferente. Dizem que a indiferença é o oposto do amor. Deve ser mesmo, porque quando uma pessoa não muda em nada a sua vida, não há sentimento. Se há ódio, há sentimento e aí a gente se importa. Indiferença não é nada. Quem consegue ser indiferente, consegue ser cruel. Vou mentir aqui que não sei, pra parecer boa pessoa. Mentira, mas só uso isso ao meu favor, juro.

O pior tipo é a falsiane. Tá na moda esse nome, né? Falsiane é aquela que te sorri, mas no fundo, malvada é pouco. Não consigo compreender como alguém consegue fazer a melhor amiga na sua frente e depois te xingar a torto e direito, invejar até as suas meias velhas. Que grande perda de tempo. E tem gente que ainda se orgulha em dizer: “estou sorrindo, mas no fundo te odeio”. Não me pergunte, não sei como é possível ser assim.

Pra sempre nada dura, pra sempre nada existe. Quem dirá algo tão frágil como um relacionamento humano. A gente é bicho do mato, tem o orgulho nas alturas e a generosidade lá embaixo. Tem pessoas que passam e passam muito bem. Entram na nossa vida e nos falam coisas diferentes, nos levam pra outros lugares. Se essa pessoa te fizer pensar diferente, é porque ela é especial. Mas especial também não é pra sempre, então hora ou outra ela passa também e o contato se torna aquela mensagem de saudades e um almoço que dificilmente vai sair.

Sim, ainda tem pessoas boas que valem a pena. É que eu não gosto de ficar me apegando, me importando muito. Porque depois que ela te conquista, ela vai embora, muda de cidade, de emprego e você fica lá, a ver navios e com o velho pensamento: “porque as pessoas legais vão embora?”. Voltamos a estaca zero.

Por Vitória Lovat

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