Aos 13 anos, a jovem goleira Thayla Jankoski Wagner vive um momento raro para atletas tão novos: representar Bento Gonçalves, a Serra Gaúcha e o Rio Grande do Sul na Copa Mundo do Futsal Fecomércio Sesc Menores, que será disputada em Foz do Iguaçu. Destaque precoce, disciplinada e movida por paixão pelo esporte, Thayla se prepara para encarar a maior competição de sua trajetória até aqui. “Estou com a expectativa lá em cima! Tenho só 13 anos e já vou representar Bento e o nosso estado. Mesmo com orgulho enorme, dá um friozinho na barriga. Quero aproveitar tudo, aprender muito e dar meu máximo dentro da quadra”, conta a jovem atleta, que segue uma rotina intensa para viver o sonho do alto rendimento.
Orgulho de representar a cidade e a região
Para Thayla, vestir a camisa que simboliza o RS em um torneio nacional, vai muito além da competição. “É muito especial! Não é só jogar futsal, é representar todo mundo que acredita na gente. Sinto que carrego um pedacinho da minha cidade comigo em quadra”, destaca. Segundo ela, esse senso de responsabilidade também vira motivação: “É como se eu estivesse mostrando que as meninas daqui também têm talento e podem chegar longe. Então, para mim, é uma mistura de orgulho, responsabilidade e muita felicidade”, evidencia.
Antes mesmo de chegar à Copa Mundo, Thayla já havia chamado atenção ao ser goleira menos vazada na Copa Piá, atuando pelo Baile de Munique de Teutônia. O prêmio veio como surpresa e combustível. “Eu fiquei super feliz e orgulhosa. Não esperava ganhar isso tão nova. Foi um momento que me marcou muito”, relembra.

Atualmente, Thayla joga por duas equipes, Imigrante Futsal Feminino, de Bento Gonçalves, e Baile de Munique, de Teutônia, além de realizar treinamentos com o Guaíba da Associação Carlos Barbosa de Futsal (ACBF), tradicional referência na formação de goleiros. Conciliar tudo isso exige organização e disciplina. “É um pouco corrido, mas eu me organizo. Tento fazer as tarefas da escola antes dos treinos e deixo tudo planejado. Às vezes cansa, mas eu gosto muito de jogar, então vale a pena”, explica.
Já sobre o trabalho com o grupo da ACBF, ela é direta: “Me ajuda muito! Aprendo técnicas novas, pego mais experiência, melhoro coisas que ainda errava. Sinto que fiquei mais rápida e mais segura no gol”, frisa.
Sonhos e o futuro do futsal feminino
A atleta vai receber o prêmio de destaque da 4ª Copa Feevale, além de um tênis de futsal como reconhecimento. Ao ser questionada como é ser premiada tantas vezes ainda tão jovem, ela assegura que fica feliz demais, mas que ao mesmo tempo dá um pouco mais de responsabilidade, porque é preciso continuar jogando bem e mostrando que merece.

Ciente dos desafios do futsal feminino no Brasil, Thayla acredita que ainda há um longo caminho para mais meninas terem oportunidade no esporte. “Poderia ter mais apoio e oportunidades para as meninas. Mais times, mais campeonatos e mais gente acreditando no futsal feminino. Como exemplo, a Federação Internacional de Futebol (FIFA) deveria dar mais visibilidade e os governantes mais incentivo”, afirma.
Nas quadras, a atleta encontra inspiração em nomes que ajudam a moldar seu estilo: Careca, goleiro do Uruguaianense; Pedro Bianchini, da ACBF; e Marinel, da Celemaster. “Eles jogam demais e me motivam a melhorar”, diz.
Com olhar firme para o futuro, Thayla não esconde seus maiores sonhos: “Quero jogar em times grandes, ser uma goleira conhecida e, se não for pedir demais, jogar na seleção brasileira. Quero continuar evoluindo e sim, penso em ser profissional no futsal ou no futebol”, finaliza.