Roberto Camargo Meggiolaro Júnior – Presidente do Bento+20 – Gestão 2025

Ao encerrar a presidência do Bento+20, escrevo com a convicção de quem acredita que participação organizada gera resultados concretos. Assumimos um compromisso claro: transformar diagnósticos técnicos em propostas factíveis, capazes de orientar decisões públicas e privadas de longo prazo. Esse princípio guiou cada ação da nossa gestão ao longo de 2025.
A consolidação do Masterplan como referência não foi retórica. O documento, produto de trabalho voluntário qualificado e estruturado em 12 câmaras temáticas, continua a ser a base do nosso esforço por um planejamento de Estado, não apenas de governo. Manter esse padrão técnico e apartidário foi prioridade: dados, metas e diretrizes aplicáveis, sempre alinhadas a objetivos de sustentabilidade e desenvolvimento.
Em prática, buscamos dois objetivos fundamentais: aproximar o conselho do poder público e aumentar a efetividade das câmaras técnicas. Entregamos ao Executivo o documento “Bento para o Futuro”, com 17 diretrizes pensadas para o Plano Plurianual, das quais nove foram incorporadas ao planejamento oficial, sinal claro de que trabalho técnico bem organizado influencia políticas públicas.
Trabalhei com a diretoria e com as coordenações das câmaras para que as entregas saíssem do nível meramente conceitual. O pedido foi simples e prático: cada câmara deveria produzir, ao menos, uma proposição com potencial de implementação. Essa postura aumentou o ritmo dos trabalhos e aproximou o conselho de quem decide, sem comprometer nossa natureza consultiva.
Também ampliamos o diálogo com entidades e a comunidade. Registramos avanços no apoio institucional, notadamente por meio de parcerias com entidades representativas, mas reconheço que ampliar o engajamento direto do cidadão permanece prioridade. Planejamento legítimo exige participação popular contínua.
Sobre visão estratégica: defendo uma cidade inteligente em sentido amplo, com integração entre planejamento urbano, mobilidade, sustentabilidade, inovação e governança orientada por informação qualificada. Digitalizar serviços públicos e estruturar indicadores claros foram metas da gestão, mas agora é preciso transformar metas em projetos com cronogramas e fontes de financiamento realistas.
Encerramos esta gestão com um roteiro claro: institucionalizar práticas, revisar continuamente o Masterplan e fortalecer as câmaras como núcleo técnico do conselho. Entrego a presidência com a convicção de que Bento Gonçalves tem condições de se tornar referência regional, desde que mantenhamos disciplina técnica, articulação institucional e coragem para transformar planejamento em decisão pública.