Há algum tempo venho comentando sobre as condições estruturais da economia brasileira, afinal esse contexto econômico é o foco dessa coluna e suas implicações na vida de todo mundo, quer empresas, quer nós mesmos como pessoas.
Venho dizendo que há algumas condições até que satisfatórias mas que o cenário ainda é um tanto de preocupação, especialmente no médio prazo, notadamente pelo componente inflação e a correspondente taxa de juros superelevada para conter a febre inflacionária que assola esse país há muito tempo ( aprox. 50 anos ).
Nossa taxa de juros real (diferença entre a taxa de juros SELIC e a inflação) é a segunda maior do mundo.

As principais causas dessa altíssima taxa de juros podem ser resumidas em:
– Inflação ainda acima da meta;
– Dívida pública muito alta;
– Cultura inflacionária;
– Condições estruturais do mercado (monopólios, baixa oferta, serviços);
– Algumas condições externas.
A inflação é um dos maiores males econômicos que podem afetar as economias. O Brasil é pródigo em ter inflação alta, principalmente antes do Plano Real (antes de 1994) quando chegamos a ter 82,39 % de inflação em 1 único mês (março de 1990). Isso é devido a um relativo aquecimento da economia ( o que é bom ) o que pressiona os preços. Para reduzir preços, o Banco Central eleva a taxa de juros para frear o consumo. Isso não é bom quando se chega a esses patamares atuais onde o juro real é muito alto. Taxas altas reduzem a produção, o consumo e a renda.
Já se vê sinais de redução da inflação e também de desaquecimento econômico. Vai-se reduzir a inflação mas provocar redução da atividade econômica, redução do crescimento da economia e, no médio prazo, redução do emprego que hoje sustenta ainda um pouco os números positivos do PIB.
A dívida pública está muito alta e já citei aqui que nossa dívida é de quase 10 trilhões de Reais. É aproximadamente 80% de tudo o que se produz nesse país no período de 1 ano. E vai aumentar ainda mais (muitos estudos apontam esse caminho) o que vai pressionar os juros mais ainda.
A cultura inflacionária do brasileiro é um problema à parte. Todo brasileiro que viveu a época da hiperinflação se preocupa com isso e adiciona aos preços uma segurança futura e, com isso, os preços sempre sobrem. Isso se chamou de inflação inercial.
Monopólios e poucas empresas ofertantes também pressionam os preços para cima e, por último, pressões externas como quotação do dólar e o tarifaço dos EUA ajudam, em menor escala, a pressionar os preços.
Já tivemos deflação de 0,11% no mês de agosto último passado. Isso já demonstra o efeito dessa taxa de juros na estratosfera.
Será que estamos caminhando para uma estagflação (estagnação da economia com inflação) ? Esse é um cenário ainda cedo para confirmar mas uma redução do ritmo de crescimento do país vai existir, infelizmente.
Reduzir o déficit público para não pressionar tanto a taxa de juros seria um dos caminhos.
Pense nisso e sucesso.
Adelgides Stefenon é economista, mestre em marketing, consultor nacional e internacional, professor universitário por 25 anos e proprietário da Prestige Imóveis Especiais.