Logo após a sentença de condenação dos réus na chamada Trama Golpista, com o pronunciamento do atual presidente do STF, Vossa Excelência Senhor Ministro Luís Roberto Barroso, a frase icônica pronunciada pelo mesmo “perdeu, mané”, dita quando se encontrava em Nova Iorque, parece ter chegado próximo ao fim de um capítulo da história de nosso país, onde o silêncio dos autos do processo deu lugar a uma justiça mediática e onde os “manés” se encontram, na sua grande maioria, condenados, e estes, sim, em silêncio, ou, pelo menos, a quem pouco se dá ouvidos.
Engana-se quem imagina que estaria aqui a defender o crime ou criminosos, mas não há dúvida de que não há necessidade de conhecer códigos de leis, ser advogado, jurista; o natural senso de justiça que aflora no ser humano, em especial quando este se coloca no lugar do outro, mesmo que, pelo medo, não lhe dê voz, creio que não consiga conceber que, embora o crime não compense, em se tratando de delatar o mesmo, compensará, e muito, uma espécie de “arrependimento” premiado, mas a penitência…repasso. Exemplo disso, basta compararmos a recente condenação de dois anos do delator Mauro Cid em regime aberto, ou seja, livre, em relação à pena de 14 anos de reclusão, em regime fechado, da mulher que pichou a estátua da Justiça com os dizeres “perdeu, mané”.
A imagem que temos de que a Justiça é cega, no sentido de que julga sem ver a quem, parece sem nexo com tal princípio, pois, embora condenável pelo fato de tal estátua ter sido vandalizada, mais que isso, desmorona quando nos deparamos com tais decisões diante da desproporcionalidade das penas e do indiscutível e incomparável grau de poder das pessoas em relação aos crimes que teriam cometido.
Dada a severidade da pena imposta ao vandalismo na estátua, não há de se dizer que, por pouco, a nossa até então desconhecida “frágil” democracia poderia ter sido riscada da república pelas marcas de um batom, em que pese a Justiça não a entenda como um ato isolado, mas a conecte diretamente aos atos de que assim entendeu e julgou se tratar de uma trama golpista.
Independente da ideologia política de cada um, cujo último fruto amargo ou doce se traduz na opinião dividida e rumorosa quanto à decisão do STF acerca da tida trama golpista, não deixemos sufocar o senso de justiça, ainda que sustentada não por uma democracia frágil, mas por ora muitas vezes fragilizada nos tempos que vivemos.
E assim, sem me calar, ouso dizer que, mesmo na defesa intransigente do Estado Democrático de Direito é igualmente Dever deste mesmo Estado, jamais conceber a defesa de “pequenas” injustiças costuradas pela errônea interpretação das leis, como sendo, ainda que cega, a visão do que entendemos, pelo senso comum, manés ou não, do que é a verdadeira, pura, neutra e apartidária JUSTIÇA!
Vamos em frente!