Por décadas, antes mesmo de adotar oficialmente o nome que carrega hoje, o São Gabriel já pulsava nas canchas improvisadas e nos encontros entre amigos. Era apenas um time de “pelada”, como lembra Justino Ferrari, integrante da equipe administrativa, mas que, movido por paixão e companheirismo, começou a ocupar espaço no cotidiano da comunidade da Linha 40, em Pinto Bandeira. “Haviam semanas em que era difícil passar uma noite em casa. A ideia era reunir a gurizada e fazer do esporte a nossa diversão, era a nossa terapia”, recorda.

O ano de 2000 marcou uma virada: convidados para representar a capela São Gabriel no 1º Campeonato Futsal De La Pinta, organizado pelo Clube Rosário, ainda no período em que Pinto Bandeira era distrito de Bento Gonçalves, os jogadores conquistaram o segundo lugar. Dali em diante, o time ganhou nome, identidade e torcida. Nascia oficialmente o São Gabriel, também chamado carinhosamente de “40”.

Conquistas que marcaram gerações

Ao longo dos anos, o São Gabriel se tornou presença constante nas competições municipais, ora chamado de Campeonato Municipal, ora de Copa Integração. Mas foi a Copa Centenário, o primeiro de futsal de Pinto Bandeira, que entrou para a história. A equipe levantou o troféu na categoria livre e também no veterano. O torneio celebrava os 100 anos do Santuário Mariano Nossa Senhora do Rosário de Pompéia e reuniu atletas, famílias e simpatizantes em torno do esporte. Os títulos se referem ao futsal, pois de campo começaram há dois anos. No passado, o clube participou também de campeonatos em Farroupilha.

Equipe do futebol de campo, atualmente participando de campeonato

Estrutura construída pela comunidade

A história do clube é marcada pelo esforço coletivo. Hoje, o São Gabriel conta com um ginásio próprio: quadra não nas medidas oficiais, mas cuidadosamente mantida pela comunidade, e um espaço acolhedor para a torcida. A diretoria vive um momento de transição e renovação, processo iniciado em 2019, quando jovens de 15 e 16 anos foram incentivados a assumir responsabilidade e seguir a tradição.

A pandemia interrompeu os planos e trouxe desafios, mas também fortaleceu laços. “Disputamos nosso primeiro campeonato. Perdemos todos os jogos, é verdade, mas a cada entrada em quadra a comunidade estava lá, torcendo, apoiando e acreditando junto com os guris.”, relata Justino.

Sonhos, dificuldades e o papel do futebol

Totalmente amador, o São Gabriel não tem estrutura de preparação física aos moldes de clubes profissionais, sendo que cada atleta cuida do próprio condicionamento. Ainda assim, o time segue firme nos campeonatos municipais de futsal e futebol de campo, acumulando experiência e mantendo vivo o espírito competitivo.

O apoio da comunidade é fundamental, seja cedendo espaços, seja vibrando nas arquibancadas. Financeiramente, o time conta com patrocinadores locais e apoiadores, que ajudam a sustentar a tradição. Campo de futebol próprio, o clube ainda não possui. Para o ginásio, melhorias são feitas sempre que necessário, segundo Ferrari.

Representantes do futsal

Para ele, mais do que participar de competições, o São Gabriel cumpre uma função social: “O futebol amador faz parte da cultura do povo pinto-bandeirense. É uma honra para nós contribuirmos com esta história. O incentivo para com os jovens, foi uma sementinha lançada, que por sinal, já está se colhendo bons frutos”, frisa.

Às quintas-feiras, um grupo de adolescentes de 11 a 13 anos se reúne no ginásio para jogar. Eles representam o futuro do clube e são tratados assim pelos mais velhos.

Entre antagonismo e união

Como em toda trajetória esportiva, rivalidades existem, mas sempre dentro das quatro linhas. Fora delas, prevalece a amizade e o respeito entre equipes vizinhas, como afirma Ferrari.
Segundo ele, a meta para os próximos anos é simples: manter viva a tradição. “Atualmente estamos com um grupo de guris que a anos jogam juntos, uma que outra ‘peça’ muda, mas esperamos que eles continuem, pois certamente, se permanecerem unidos, levantarão muitos canecos pela frente”, destaca.

Essa esperança também vem de dentro da quadra. O jogador João Maurício Ferrari, um dos integrantes da equipe, resume o sentimento do momento: “A gente tá sonhando em ganhar um título. Começamos bem novos e agora ganhamos experiência. Quem sabe algo inédito pode acontecer este ano. Na terça, um jogador e amigo nosso faleceu. Vamos lutar por ele”, salienta.

A força da comunidade

O representante da administração sintetiza o que o São Gabriel representa: “É mais do que um time, é a força da nossa comunidade em quadra/campo! Cada jogo é um novo capítulo dessa história feita de amizade, garra e paixão pelo esporte. À nossa torcida: o grito de vocês faz toda a diferença. Aos apoiadores: obrigado por acreditarem nesse sonho e seguirem conosco nesta caminhada. Sigamos juntos, com o mesmo espírito que nos trouxe até aqui”, finaliza.