O Rio Grande do Sul foi o Estado brasileiro mais prejudicado pelo tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conforme avaliação da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs). A entidade afirma que, apesar das exceções previstas no decreto, o “benefício” para a indústria gaúcha é mínimo.
Segundo a Fiergs, apenas 15% da produção fabril do Estado foi incluída na lista de exceções à tarifa de 50% imposta pelos EUA. A média nacional de exclusões é de 45%. O presidente da entidade, Claudio Bier, afirmou que “dos 15% da produção gaúcha incluída na lista, 8,2% são celulose, que já tinha uma solução porque a planta no Chile ia trocar a operação, exportando para os EUA e a planta daqui exportando para a China. Então são 6,8% de benefício”.
O levantamento aponta que, mesmo com a inclusão parcial da celulose entre os itens não tarifados, o impacto sobre a indústria gaúcha permanece significativo. Em termos comparativos, o RS foi o terceiro Estado com maior percentual de itens beneficiados (8,2%), atrás de Santa Catarina (8,8%) e do Paraná (3,3%). Além disso, dos 694 produtos isentos da tarifa, 565 são do setor de produção de aeronaves civis, com pouca representatividade na indústria gaúcha.
Os cálculos da Fiergs indicam que o tarifaço poderá causar a perda de pelo menos 20 mil empregos diretos e uma queda de R$ 1,5 bilhão no PIB estadual. A projeção inicial apontava um recuo de R$ 1,92 bilhão, mas foi ajustada considerando os 15% de exceções.
Para tentar mitigar os efeitos das tarifas, um comitê de crise com representantes do setor industrial se reuniu na manhã desta sexta-feira (1º), na sede da Fiergs. Uma nova reunião está marcada para a próxima terça-feira (5), com a presença do secretário de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, e da Secretaria Estadual da Fazenda, com o objetivo de renegociar créditos de ICMS retidos nas exportações.
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