O Rio Grande do Sul é o único estado brasileiro onde as principais facções criminosas do país não possuem atuação direta, embora concentre um grande número de grupos locais.
Segundo dados do Atlas da Violência 2024, o estado é o único do país onde o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) não estão diretamente presentes. Ainda assim, facções locais mantêm alianças com esses grupos em outras regiões do Brasil.

Um dos fatores que contribuem para esse cenário é o alto número de facções com atuação regional. O Rio Grande do Sul chegou a reunir ao menos dez grupos criminosos em uma única unidade da federação, conforme levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (SSP) destacou que características socioculturais e geográficas do estado também ajudam a explicar a ausência de grupos como o CV e o PCC. “O Rio Grande do Sul é um estado notabilizado por características socioculturais muito peculiares. Igualmente, está distante do centro do país e de suas principais rotas logísticas de bens e serviços que, por óbvio, são utilizadas também por narcotraficantes”, informou o órgão.
A SSP ressalta ainda a atuação constante das forças de segurança como um fator que contribui para conter a entrada de organizações criminosas nacionais. “Esses fatores socioculturais e geopolíticos se somam à ação vigilante e contundente dos órgãos de segurança pública gaúchos para sinalizar as prováveis causas para a ausência de organizações criminosas como o CV e o PCC em nosso estado”, acrescenta a nota.
Por fim, a Secretaria destaca que a manutenção desse cenário exige monitoramento contínuo. “A busca de uma inferência causal para a não ocorrência de um dado fenômeno é tarefa especialmente difícil e recomenda a permanente apreciação do cenário posto, de modo que possamos manter o RS na vanguarda da segurança pública brasileira”, conclui o texto.