A Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem intensificado, ao longo deste ano, ações voltadas à educação para o trânsito como estratégia fundamental para reduzir acidentes e salvar vidas nas rodovias da região. O trabalho é conduzido pelo Grupo de Educação para o Trânsito (GETRAN), que atua de forma integrada à fiscalização e aposta na conscientização como principal ferramenta de prevenção.

Segundo o chefe do GETRAN, Marcelo Rafael Kunz, as atividades do grupo se concentram principalmente em duas frentes: ações educativas realizadas durante operações de fiscalização e palestras promovidas em empresas e instituições de ensino. “Durante as abordagens, os motoristas recebem orientações específicas sobre segurança viária e comportamentos de risco. A ideia é ir além da autuação, promovendo reflexão e mudança de atitude”, destaca.

As operações com caráter educativo costumam ocorrer em frente aos postos da PRF, locais que oferecem estrutura adequada e segurança para as abordagens. Em muitas dessas ações, a PRF conta com o apoio de parceiros como o Sesc e secretarias municipais de saúde, possibilitando a oferta de serviços como aferição de pressão arterial, testes de glicemia e até atendimentos odontológicos. “Isso reforça a percepção de que a ação é voltada ao cuidado e à prevenção, não apenas à punição”, explica Kunz.

Outra frente de destaque do GETRAN são as palestras em empresas, apontadas como a principal ferramenta educativa do grupo. Ministradas geralmente por dois policiais rodoviários federais, as apresentações abordam temas como excesso de velocidade, ultrapassagens proibidas, uso do celular ao volante, falta do cinto de segurança e a combinação entre álcool e direção. “A receptividade tem sido excelente. Muitas empresas solicitam as palestras todos os anos, o que mostra a confiança no trabalho”, afirma o chefe do grupo. As atividades são gratuitas e realizadas de forma voluntária pelos policiais, inclusive em dias de folga.

Embora em menor número, as ações em escolas também fazem parte da agenda da PRF. No ensino fundamental, o foco é lúdico, orientando crianças sobre segurança no trânsito como pedestres, ciclistas e passageiros. “A intenção é que elas compreendam desde cedo o que é certo e errado no trânsito e até ajudem a alertar os adultos quando observam comportamentos inseguros”, diz.

Já no ensino médio, especialmente com alunos do terceiro ano, as palestras são adaptadas para estes futuros condutores. “Trabalhar a conscientização desde cedo é essencial para formar motoristas mais responsáveis e criar uma cultura de segurança que começa na infância”, ressalta Kunz.

Novas demandas

O GETRAN também direciona atividades para públicos específicos quando identifica necessidade, como motoristas de vans escolares ou setores com características próprias. Além disso, o conteúdo das palestras leva em conta dados locais, como estatísticas de acidentes e óbitos, permitindo que o trabalho foque nos principais fatores de risco da região.

Entre os comportamentos mais recorrentes observados pela PRF nas rodovias estão as ultrapassagens em locais proibidos, o excesso de velocidade, o consumo de álcool associado à direção e a falta de atenção em cruzamentos. “Nas palestras, o foco não é apenas transmitir informações técnicas, mas provocar uma reflexão real nos condutores. Mostramos exemplos, cenários de risco e casos concretos para que cada motorista perceba como pequenas escolhas diárias, como reduzir a velocidade, respeitar a sinalização e evitar distrações, podem ser decisivas para evitar tragédias. O objetivo central é promover conscientização e mudança de comportamento, incentivando atitudes responsáveis no dia a dia que realmente fazem diferença na segurança de todos”, enfatiza.

Desafios

Entre as principais dificuldades na região estão o comportamento dos condutores, como afirma Kunz. “Muitos trafegam acima da velocidade, misturam álcool e direção, usam o celular ao volante entre outras atitudes que comprometem gravemente a segurança viária. Mudar esse padrão comportamental é, sem dúvida, o maior desafio para a educação no trânsito. Por isso, o foco do trabalho do GETRAN é justamente estimular uma mudança de mentalidade, mostrando que a segurança depende principalmente das atitudes individuais. Enquanto essa cultura de risco persistir, não haverá rodovia em boas condições capaz de compensar comportamentos inadequados. A evolução passa por conscientização e responsabilidade coletiva”, frisa.

Apesar de não haver indicadores padronizados para medir o impacto das ações, a PRF recebe relatos positivos de trabalhadores e gestores sobre mudanças de comportamento após as palestras. “Se uma única pessoa que nos ouviu evita um acidente por conta do que aprendeu, o esforço já vale a pena”, avalia Kunz.

Para o próximo ano, o GETRAN planeja ampliar o alcance das palestras, atualizar constantemente o conteúdo com novos dados e incorporar mais recursos tecnológicos, como um equipamento que simula os efeitos da embriaguez. Também está prevista a montagem de uma pista educativa voltada às crianças, com simulação de cruzamentos, faixas de pedestres e semáforos, permitindo atividades práticas de educação para o trânsito.