Na solenidade, a presidente da Asprofruta, Rubiane da Campo Rubbo, recebeu das mãos do deputado estadual Guilherme Pasin o projeto de lei, aprovado por unanimidade no Legislativo e pendente apenas da sanção do governador, que institui 1º de dezembro como o Dia do Pêssego

A capital estadual do Pêssego de Mesa deu início oficial à colheita da fruta no sábado, 8 de novembro, em um evento que reuniu produtores, autoridades e entidades ligadas ao setor. A cerimônia marcou o começo de uma safra que, embora atrasada em cerca de 15 dias, apresenta excelente qualidade e perspectiva de estabilidade em relação ao ano passado.

A abertura foi realizada na propriedade rural do vice-presidente da Associação dos Produtores de Frutas de Pinto Bandeira (Asprofruta), José Antônio Nichetti. A presidente da entidade, Rubiane do Campo Rubbo, explicou que as primeiras variedades precoces já estão sendo finalizadas. “Estamos concluindo nesta semana a colheita da variedade pêssego do cedo. Na próxima, iniciamos o Kampai, que é a primeira variedade de maior volume, com frutas de maior calibre, coloração e doçura”, afirma.

Na ocasião, o deputado estadual Guilherme Pasin entregou para a presidente da Asprofruta, Rubiane da Campo Rubbo, o Projeto de Lei que institui o dia 1º de dezembro como dia do Dia do Pêssego, que aguarda sanção do Governador

Segundo Rubiane, o frio intenso registrado durante o inverno favoreceu a frutificação, garantindo uma safra com frutas mais uniformes e de boa coloração. “Tivemos uma excelente quantidade de horas de frio, o que contribuiu para um pegamento de frutas muito bom. Agora, só gostaríamos de um pouco mais de calor para acelerar a maturação”, acrescenta.

Nichetti considera que a produção deverá se manter dentro da normalidade, com padrão semelhante ao dos últimos anos. “Não existe super safra. O que teremos é uma fruta de qualidade, resultado do bom raleio feito pelos produtores. Vai ser uma safra equilibrada, com frutos maiores e de melhor cor”, destaca.

Diferenciação e valorização do pêssego local

Um dos destaques do evento foi a entrega, pelo deputado estadual Guilherme Pasin, do Projeto de Lei que institui 1º de dezembro como o Dia do Pêssego, medida já aprovada na Assembleia Legislativa e que aguarda apenas a sanção do governador. A iniciativa pretende impulsionar o consumo da fruta justamente no período de maior oferta.

Pasin afirma que a criação da data é um passo importante para valorizar o pêssego e reforçar a identidade produtiva do município. “A data se torna uma ferramenta para promovermos o consumo, destacando as qualidades da fruta e garantindo mais renda para quem produz”, declara. Ele acrescenta que a aprovação unânime do projeto demonstra reconhecimento do setor. “Quando a Assembleia apoia uma pauta como essa, ela reforça que a fruticultura tem peso econômico e social. Nosso objetivo é que o produtor sinta isso na ponta, com mais visibilidade e mercado”, completa o deputado.

A escolha da data tem forte ligação com o período de maior oferta e consumo da fruta. “Dezembro é o mês em que mais se produz e mais se vende pêssego. Queremos que o consumidor identifique isso e encontre ações de divulgação nas bancas e mercados”, afirma Rubiane.

Outra iniciativa relevante é o início do processo para a Indicação Geográfica (IG) do pêssego de Pinto Bandeira, com apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Embrapa e investimento de emenda parlamentar por meio do deputado Pasin. A IG busca reconhecer formalmente a qualidade e a singularidade do pêssego produzido no município, assim como já ocorre com a Denominação de Origem (DO) dos espumantes da região.

Reconhecimento ao produtor e desafios do setor

Durante a solenidade, o gerente técnico estadual da Emater/RS-Ascar, Luis Bohn, chamou atenção para o crescimento da fruticultura gaúcha e destacou números que reforçam a importância do setor no Estado. Segundo ele, levantamentos da instituição mostram que, em dois anos, a fruticultura avançou de forma significativa, acompanhando o aumento do consumo de frutas e hortaliças.

Bohn acrescenta que, embora o Rio Grande do Sul tenha cerca de 7 milhões de hectares de soja, a fruticultura movimenta R$21 bilhões, considerando valores de “preço de roça”. Ele também reforça que o potencial econômico é ainda maior, já que boa parte da produção se transforma em produtos de alto valor agregado, como vinhos e espumantes. “É importante darmos visibilidade para a fruticultura. Os números mostram a força desse setor, e a qualidade que vemos aqui em Pinto Bandeira comprova como organização, confiança entre os produtores e manejo adequado fazem diferença”, afirma. Para ele, o município se destaca pelo trabalho coletivo e pela busca constante por qualificação e mercado. “A articulação de vocês é perceptível. Isso explica a beleza das frutas, o padrão de produção e a capacidade de enfrentar desafios como clima e mercado”, conclui.

O deputado Pasin reforçou a importância de políticas públicas voltadas ao agricultor e a necessidade de sensibilizar o poder público sobre os desafios enfrentados pelo campo. “Ainda precisamos convencer muita gente de que frutas não nascem na gôndola do supermercado. Defendemos que o agricultor tenha apoio e que ações como o Dia do Pêssego ajudem a aumentar o consumo e, consequentemente, a renda dos produtores”, disse.

Pinto Bandeira: referência nacional

Com cerca de mil hectares de cultivo, o município segue como destaque na fruticultura de mesa. Aproximadamente 50% das propriedades rurais produzem pêssego, movimentando milhões de quilos anualmente e impulsionando a economia local.

Para a presidente da Asprofruta, o momento simboliza mais do que o início da safra. “Esse evento é para celebrar, nosso principal produto, mas, acima de tudo, para valorizar o trabalho árduo dos produtores. A gente quer que todo esse esforço chegue até o consumidor e que o pêssego de Pinto Bandeira siga sendo reconhecido como o melhor do Brasil”, conclui.