Autoridades classificam aumento de casos como situação “anormal” e avaliam possível distribuição para outros estados
O Brasil registra em média 20 casos de intoxicação por metanol por ano, mas só em setembro São Paulo concentrou quase metade desse total, em uma situação classificada como “anormal” pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Diante do cenário, a Polícia Federal abriu investigação para apurar a origem da substância usada para adulterar bebidas alcoólicas no estado e verificar se a distribuição também ocorre em outros estados, segundo o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski.
O metanol é altamente tóxico e pode causar a morte. Em São Paulo, diversos casos de intoxicação foram confirmados, embora, de acordo com o Ministério da Saúde, não haja novos registros até o momento. A PF informou que ainda não foi identificada uma marca ou importação específica.
O esquema funciona com falsificadores que utilizam garrafas de marcas conhecidas de bebidas alcoólicas, como gin e vodca, e adulteram o conteúdo com metanol antes da venda. Os sintomas podem demorar horas para aparecer e incluem cólicas fortes e perda de visão.
Segundo Lewandowski, o “número elevado e inusitado” de casos em São Paulo chamou a atenção por fugir do padrão, já que, normalmente, intoxicações por metanol ocorrem em situações de vulnerabilidade.
Diante do cenário, o sistema federal que monitora intoxicações em todo o país emitiu um alerta nacional. Já no sábado (27), a Secretaria de Defesa do Consumidor orientou estabelecimentos a reforçarem a atenção com bebidas suspeitas, como rótulos ou embalagens com alterações.
A fiscalização já está em andamento. Os locais onde houve identificação de bebidas contaminadas serão notificados pelo Ministério da Justiça para rastrear fornecedores, responsáveis pela manipulação e os tipos de bebidas consumidas pelas vítimas.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, destacou que o país costuma registrar cerca de 20 casos de intoxicação por metanol por ano. Apenas em setembro, o número em São Paulo já correspondeu a quase metade dessa média, situação classificada por ele como “anormal”.
O ministério vai publicar uma nota técnica para orientar profissionais de saúde sobre a definição de casos suspeitos e os sintomas a serem observados. A recomendação é que a notificação não precise aguardar o diagnóstico fechado.
Atualmente, o Brasil conta com 32 centros de informação e assistência toxicológica do SUS, disponíveis em todos os estados, onde a população pode buscar atendimento.